domingo, 31 de agosto de 2008

Histórias de uma mãe... amor incondicional (a história continua)

Dia 17 de maio de 2007...
Mal consegui dormir naquela noite. Falei com minha mãe e ela ficou de ir comigo para a maternidade no dia seguinte. O Jeff só chegaria a tempo de ir direto para lá, e não poderia ir comigo.
As roupinhas do Kiyo já estavam todas guardadas na malinha dele. E as minhas já estavam separadas.
Almocei cedo, e fui com a minha cunhada até a casa da minha mãe. Lá, eu deixei as minhas bagagens e fui até o centro para o salão. Queria ir arrumadinha para o hospital, e fui fazer as unhas.
Voltei com minha mãe até a casa dela para pegar as coisas. Tinha que estar na maternidade às 18horas.
Entrei no quarto do hospital às 18:45, e já foram lá me avisar para ir me preparando para o parto. EU estava tranquila. Só um pouco apreensiva... afinal seria uma cirurgia. O pessoal da maternidade foi muito atencioso e isso me deu muita segurança. Quando eu saí para o centro cirurgico, o Jeff ainda não tinha chegado. Fui sozinha... já que o Jeff não queria assistir, eu não ia forçar e não queria outra pessoa lá também. Hoje questiono esse posicionamento também.
Lembro bem que o anestesista chegou, me preparou para a anestesia e disse para eu sentar. Sentei e ele disse que iria aplicar a anestesia e que era para eu relaxar. Daí ele me falou: "vamos deitar?" E eu: "Peraí, mas você não ia aplicar a anestesia?" E ele disse que já tinha aplicado. Não senti nem a picada!
Fiquei o tempo todo monitorando minha pressão, que se manteve estável, e conversando com a Drª. Todos foram muito legais comigo. Isso me fez sentir melhor!
De repente, às 20:07 do dia 17 de maio de 2007, ouço pela primeira vez o som mais maravilhoso do mundo! O choro do meu filho!!! O Kiyo nasceu!!! Pesou 2kg400g e mediu 45cm. Era um risquinho de gente, mas perfeito!
A perfeição da criação divina se concretizara ali!!!
O pediatra dele, grande amigo nosso, veio me dizer que ele estava ótimo. Colocou-o bem pertinho do meu rosto ainda meladinho, e eu pude sentir seu cheirinho pela primeira vez.
Naquela noite não consegui dormir! Olhava para seus olhinhos arregalados me olhando. Ali estava o amor incondicional que tanto ouvi falar! Transborda de dentro da gente que não temos ação.
Minha vida mudou naquele instante... todos os meus preconceitos foram por terra, e passei a viver intensamente por aquele serzinho.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Histórias de uma mãe... amor incondicional


Outubro de 2006:
EU estava viajando, num Congresso de Mastozoologia (mamíferos) em Gramado-RS. Estava bem, mas por algum motivo sentia meu estômago embrulhar cada vez que sentia o aroma do café recém-passado. Nos últimos dias do evento, eu já não conseguia tomar café ou comer nada muito diferente. Porém, depois de 11 anos de casada eu nem cogitei a possibilidade de estar grávida. Pensei que fosse uma simples indisposição devido ao tumulto da viagem e das palestras. Voltei de viagem no dia do meu aniversário (08/10), e fomos jantar fora para comemorar. Mal consegui comer... Foi então que parei para pensar sobre quando tinha sido a última vez que tinha menstruado. Não lembrava... e resolvi comprar o teste de farmácia por "desencargo de consciência". Para minha surpresa, foi a primeira vez que o teste deu positivo. Fiquei sem fala, sem poder respirar, sem ação ou reação. No dia 16/10 eu fiz o Beta HCG. Positivíssimo. Não poderia estar mais grávida que aquilo. Chorei, dei risada, não sabia para quem contaria primeiro... Liguei pro Jeff.
O Jeff reagiu de uma forma bem indiferente. Na verdade, ele havia ficado muito preocupado devido a nossa situação financeira. Eu, que esperava conforto, fiquei me sentindo desamparada por ele, abandonada de verdade. Ele olhava para mim como se eu tivesse planejado tudo e não tivesse contado nada para ele. Sentiu-se traído! Na verdade, estávamos era nos adaptando a nossa nova realidade.
O primeiro ultrassom foi mágico. Pena que o Jeff não participou do momento, mas não podia forçá-lo a gostar da situação. Ele demorou muito mais do que eu para se adaptar. Para mim, foi instantâneo. O amor fluiu em mim no instante que peguei o resultado do teste. Já sentia algo diferente dentro de mim. No entanto, não foi até o primeiro ultrassom que eu realmente me senti mãe! Lembro com emoção do momento em que o médico colocou o barulho do coraçãozinho do meu bebê para que eu pudesse ouvir. Isso até hoje arrepia. Minha mãe me acompanhou em quase todos os exames. Ela sempre foi meu apoio nesse momento.
Os nove meses passaram muito rápido. Quando me dei conta, já estava com barrigão. Nossa! E eu nem vi a barriga crescer. Não aproveitei cada chute. Eu estava vivendo um momento muito louco. Final de faculdade, final de estágio, final da linha...
16 de maio de 2007:
Pela manhã eu tinha uma reunião de trabalho com um grupo de conscientização que organizei. Almocei com minha coordenadora, e fiquei até umas 14 horas no escritório. Meus planos eram organizar tudo naquela semana para poder ganhar meu bebê tranquilamente. Às 15 horas tinha marcado horário na maternidade para uma visita. Ainda faltavam 3 semanas para a DPP, mas eu queria conhecer o local onde meu filhote ia nascer. Já tínhamos decidido o nome dele, mas não havíamos dito a ninguém. Era um segredo nosso. Nessas alturas o Jeff já estava acostumado com a idéia de paternidade, e estava bem mais participativo. Eu não forcei nada, e quando ele disse que não queria assistir ao parto fiquei tranquila.
Visitei a maternidade e fui caminhando com meu barrigão até o consultório da minha obstetra. Eu me mantive o mais ativa possível durante a gravidez toda. Chegando lá, minha pressão estava alta e muito próxima uma da outra. A Drª pediu um ultrassom com doppler e disse: "Vamos marcar sua cesárea para hoje!" Eu fiquei feliz, nervosa, anciosa, temerosa... Não pensava que seria assim... Queria muito que fosse natural, mas ela me disse que a pressão a preocupava. E que seria melhor fazer a cesárea antes que houvesse alguma complicação maior. Hoje em dia, eu me pergunto se seria mesmo necessário.
Pedi que marcássemos então para o próximo dia após meu marido voltar de uma viagem à trabalho. Ficou então marcada para dia 17 de maio às 20:00 horas.

sábado, 23 de agosto de 2008

Antes e depois da maternidade...
Participando de uma lista de mães, o tema "amigos antes e depois dos filhos" surgiu.
Muitas pessoas me diziam que a vida muda após a maternidade. Eu sinceramente não compreendia essa mudança. Não entendia como que pessoas esclarecidas e adultas podiam de uma hora para outra simplesmente apertar um botão interno e passar a viver uma vida completamente diferente daquela que viviam anteriormente. Não compreendia mesmo.
Hoje em dia vejo a maternidade como sendo uma metamorfose pela qual passamos. É claro que algumas pessoas não enxergam assim mesmo tendo filhos. No entanto, a metamorfose acontece. É como a lagarta que se transforma numa linda borboleta após um longo tempo de transformação.
A vida que se levava anteriormente não era melhor ou pior. As escolhas feitas anteriormente não são mais ou menos inteligentes, nem os assuntos são mais ou menos relevantes.

Durante uma conversa sobre o tema com meu marido, ele sabiamente me disse: "Dani, a gente não deixou os amigos de lado, apenas realinhamos nossas prioridades." Hoje, nossa prioridade não é sair com os amigos para comer pizza ou ficar assistindo filme na casa dos amigos até de madrugada. Nossa prioridade tem nome e certidão de nascimento. Nossa prioridade única e exclusiva é o bem estar do Kiyo.
Existem algumas pessoas que ousam dizer que os filhos são quem devem adaptar-se ao rítmo de vida dos pais. Eu digo o seguinte: essas pessoas não sabem o que é mater-paternidade... Pode ser que este estado do conhecimento delas seja temporário como o meu foi. E em breve estarão dando graças a Deus pelo presente único e absoluto de ter uma prioridade como a minha!
Beijos...
Dani