sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Histórias de uma mãe... amor incondicional


Outubro de 2006:
EU estava viajando, num Congresso de Mastozoologia (mamíferos) em Gramado-RS. Estava bem, mas por algum motivo sentia meu estômago embrulhar cada vez que sentia o aroma do café recém-passado. Nos últimos dias do evento, eu já não conseguia tomar café ou comer nada muito diferente. Porém, depois de 11 anos de casada eu nem cogitei a possibilidade de estar grávida. Pensei que fosse uma simples indisposição devido ao tumulto da viagem e das palestras. Voltei de viagem no dia do meu aniversário (08/10), e fomos jantar fora para comemorar. Mal consegui comer... Foi então que parei para pensar sobre quando tinha sido a última vez que tinha menstruado. Não lembrava... e resolvi comprar o teste de farmácia por "desencargo de consciência". Para minha surpresa, foi a primeira vez que o teste deu positivo. Fiquei sem fala, sem poder respirar, sem ação ou reação. No dia 16/10 eu fiz o Beta HCG. Positivíssimo. Não poderia estar mais grávida que aquilo. Chorei, dei risada, não sabia para quem contaria primeiro... Liguei pro Jeff.
O Jeff reagiu de uma forma bem indiferente. Na verdade, ele havia ficado muito preocupado devido a nossa situação financeira. Eu, que esperava conforto, fiquei me sentindo desamparada por ele, abandonada de verdade. Ele olhava para mim como se eu tivesse planejado tudo e não tivesse contado nada para ele. Sentiu-se traído! Na verdade, estávamos era nos adaptando a nossa nova realidade.
O primeiro ultrassom foi mágico. Pena que o Jeff não participou do momento, mas não podia forçá-lo a gostar da situação. Ele demorou muito mais do que eu para se adaptar. Para mim, foi instantâneo. O amor fluiu em mim no instante que peguei o resultado do teste. Já sentia algo diferente dentro de mim. No entanto, não foi até o primeiro ultrassom que eu realmente me senti mãe! Lembro com emoção do momento em que o médico colocou o barulho do coraçãozinho do meu bebê para que eu pudesse ouvir. Isso até hoje arrepia. Minha mãe me acompanhou em quase todos os exames. Ela sempre foi meu apoio nesse momento.
Os nove meses passaram muito rápido. Quando me dei conta, já estava com barrigão. Nossa! E eu nem vi a barriga crescer. Não aproveitei cada chute. Eu estava vivendo um momento muito louco. Final de faculdade, final de estágio, final da linha...
16 de maio de 2007:
Pela manhã eu tinha uma reunião de trabalho com um grupo de conscientização que organizei. Almocei com minha coordenadora, e fiquei até umas 14 horas no escritório. Meus planos eram organizar tudo naquela semana para poder ganhar meu bebê tranquilamente. Às 15 horas tinha marcado horário na maternidade para uma visita. Ainda faltavam 3 semanas para a DPP, mas eu queria conhecer o local onde meu filhote ia nascer. Já tínhamos decidido o nome dele, mas não havíamos dito a ninguém. Era um segredo nosso. Nessas alturas o Jeff já estava acostumado com a idéia de paternidade, e estava bem mais participativo. Eu não forcei nada, e quando ele disse que não queria assistir ao parto fiquei tranquila.
Visitei a maternidade e fui caminhando com meu barrigão até o consultório da minha obstetra. Eu me mantive o mais ativa possível durante a gravidez toda. Chegando lá, minha pressão estava alta e muito próxima uma da outra. A Drª pediu um ultrassom com doppler e disse: "Vamos marcar sua cesárea para hoje!" Eu fiquei feliz, nervosa, anciosa, temerosa... Não pensava que seria assim... Queria muito que fosse natural, mas ela me disse que a pressão a preocupava. E que seria melhor fazer a cesárea antes que houvesse alguma complicação maior. Hoje em dia, eu me pergunto se seria mesmo necessário.
Pedi que marcássemos então para o próximo dia após meu marido voltar de uma viagem à trabalho. Ficou então marcada para dia 17 de maio às 20:00 horas.

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