sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Amamentação



Antes do Kiyo nascer, eu ouvia muitas pessoas (mães experientes) que me assustavam um pouco sobre a amamentação. Apesar disso, eu sabia (meio que instintivamente) que isso era muito importante para ele. Então, fiz tudo como manda o figurino no pré-nascimento.
O Kiyozinho nasceu de cesárea 3 semanas antes do previsto. Isso por conta da minha dita pressão (que normalmente não incomoda), mas que no último mês resolveu dar o ar da graça de forma bem inconveniente. Tive (acho) ameaço de eclâmpsia.
No hospital, eu dava o peito e ele chupava. Dormia, e eu o acordava para ele não perder a mamada e ficar chupeitando. Doía para burro, mas vamos lá... é importante! As enfermeiras me orientaram para colocar o bico inteiro na boca do bebê, o que em si era uma briga. De qualquer maneira, saí do hospital achando que estava tudo beleza. Na primeira noite em casa, tive minha surpresa. De repente, a maternidade não era aquele mar de rosas que eu experimentei até então... Conheci então o lado lacrimoso de ser mãe...
O mais triste e dolorido para uma mãe é ver seu filho chorar desesperadamente e não saber o que fazer. A primeira noite em casa com o Kiyo foi para mim o pior martírio... eu não sabia o que fazer, meu marido precisava dormir para trabalhar no dia seguinte (ele é autônomo, e não tem licença), e de quebra ficava ouvindo a velha ladaínha do "você não tem leite!". Eu chorei a noite inteira, e tive que ouvir me dizerem que o Kiyo chorava de fome, e que sua barriguinha roncava de fome. Pensei: "que tipo de mãe que eu sou? Não posso deixar meu bebezinho tão pequeno passando fome." Tentei tirar leite na bomba, e acho que devido ao stress e tudo mais, não saiu nem 1ml. Acho que esse choro do bebê doeu muito mais que os pontos da cesárea.
Eu estava desesperada (e acredito que foi ali que entrei em depressão). O meu marido disse que não deixaria o bebê chorando de fome mais tempo, e que se eu não resolvesse com o pediatra o tipo de leite a ser dado (leite artificial), ele sairia e compraria na farmácia o que tivesse lá. Consegui falar com o pediatra, e ele recomendou Isomil. Jamais dê o NAN, disse o pediatra. Ele disse outra coisa: o bebê tem reservas para 7 dias, mas já que você está desesperada vou recomendar esse. Assim o Kiyo começou, no seu 4º dia de vida, a tomar Isomil como complemento. A cada mamadeira que ele tomava de goladas, eu me sentia mais deprimida.
Ouvia algumas pessoas comentando que eu deveria dar o peito, outras que não devia deixar ele chorar tanto ao tentar dar o peito, e assim cada comentário ia me frustrando cada vez mais.

Minha mãe (graças a Deus) e meu pai (silenciosamente) foram meu apoio nessa hora. Algumas amigas também me ajudaram, relatando suas experiências. O pediatra me receitou um calmantezinho, e disse para eu relaxar. Eu passei a contar os dias como + 1 dia que eu havia conseguido amamentar um pouco. Ficava feliz quando o Kiyo mamava mais do que duas vezes no peito. Eu me sentia como aquelas pessoas que participam do AA, e que dizem que vão ficar +1 dia sem beber. Eu pensava que ia ficar apenas mais um dia tentando. Que aquilo tudo era demais para mim, e que eu não teria forças para suportar. Eu passei até a me forçar a pensar que deveria ser bom que o Kiyo estava mamando na mamadeira. Porém, incrivelmente e milagrosamente, a cada dia eu juntava mais forças! E os dias foram passando...
Quando o Kiyo fez 2 meses, fui com minha mãe e meu pai na Livraria da Gestante por recomendação de um amigo dela cuja filha estava passando pela mesma situação que eu. Saí de lá com a determinação de lutar com todas as minhas forças para vencer a batalha da amamentação. Conheci a relactação, e apesar de usar leite artificial no processo, me sentia melhor com tudo. O leite passou a fluir mais, e as mamadeiras ficaram cada dia mais espassadas. De repente, uma latinha que durava 4 dias passou a durar 5, 6, 7, 10... Porém, a realização maior foi quando, na minha formatura, consegui deixar uma mamadeira das grandes de leite materno (purinho). Tudo bem que isso foi resultado de alguns dias de ordenha. Aliás, essa palavra me fazia sentir muito mais mamífera... hahaha...
Hoje o Kiyo está com 1 ano e 3 meses (quase 1 ano e 4 meses). Ele mama muito. Ele pede para mamar, senta no meu colo e vai se aninhando apontando para o peito. É fofo demais!!! Eu me orgulho disso!!!
Não conseguimos a amamentação exclusiva até os 6 meses, mas no que depender da gente vamos conseguir prolongar até pelo menos os 2 anos. Existem pessoas que torcem o nariz para isso. Eu não ligo!!! Aprendi com amigas que a gente pode fazer cara de paisagem (não é mesmo pessoal da Bestbaby?), e eu já até tenho algumas respostinhas prontas do tipo: O Kiyo vai mamar até o dia em que ele disser que não quer mais e que tá indo pra balada!
Mãe é mãe... nem menos, nem mais... apenas mãe!
Beijos a todos...

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