quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cama Compartilhada



Antes do Kiyo nascer, eu tinha certo na minha cabeça o seguinte discurso: "Meu filho vai dormir sozinho no berço dele. Ele vai ser independente desde pequeno, e bláblábláblá...". Tinha certeza que assim era a melhor maneira de se criar um filho, pois é assim que todo mundo faz. Porém, não tinha parado para pensar de verdade antes de ficar feito papagaio repetindo as coisas que todo mundo faz porque todo mundo faz.
Assim que ele nasceu, meu instinto era o de mantê-lo sempre comigo. Mas não queria dar o braço a torcer. O Jeff disse o seguinte: "Ah Dani, tá tão frio... não vamos deixar ele tão pequenininho assim dormir sozinho. A gente se esquenta, e quem vai esquentar ele?" Naquele instante abolimos o discurso pró-independência. Passei a ver o quão bom é dormir juntinho do bebê.
No início a gente o colocava no moisés no meio da cama. Ele dormia super bem. E nós conseguíamos saber se ele tivesse qualquer alteração na respiração. Cobríamos todos com o mesmo edredon. Depois que ele cresceu um pouco, passamos a dormir sem o moisés. Ficou ótimo!
Ouvimos que é perigoso por causa da morte súbita. Ouvimos que isso atrapalha a vida do casal, e um monte de coisas...
Nossa vida não é atrapalhada pelo Kiyo. Ele a completa. Agora somos família, e deixamos de ser apenas casal.
Desde que o mundo é mundo, os bebês dormem com seus pais. Nas mais variadas culturas, o bebê é acalentado pelos pais a todo momento, inclusive na hora de dormir. O discurso de que o bebê PRECISA aprender a ser independente é, ao meu ver, furado. Quem disse isso? Quem disse que o bebê será independente apenas se dormir sozinho no seu quarto com as suas cobertas? Quem é o especialista em bebês que disse isso?
O bebê passa nove meses da sua vida quentinho no útero da mãe. Nasce para um mundo frio e ainda tem que ser independente desde a primeira hora de vida? Como que se aprende a ser independente com medo, sozinho?
Independência é algo conquistado quando se está seguro. Segurança se tem quando se está tranquilo.
70% das populações no mundo dorme com seus filhos, praticando cama compartilhada. Cama compartilhada é uma prática que fortalece a ligação entre mãe e filho, pai e filho, pai e mãe. É uma relação de amor incondicional estabelecida à três. É uma relação de cumplicidade entre o casal, pois ambos devem concordar na prática.
Eu sei que existem estudos feitos pró e contra essa prática. Sei também que muitas pessoas, conhecidas e desconhecidas, condenam esta prática. Muitas pessoas acreditam piamente (assim como eu acreditava antes do Kiyo nascer) que dormir juntinho do bebê é algo debilitante, condenável e prejudicial ao bebê e ao casal. Muitos já me questionaram: "Como vai ser pra tirar ele da sua cama?" Eu digo, e tenho o total apoio do maridão nisso: "Eu não quero que ele saia, mas ele vai sair quando ele quiser!"

Eu até sei de dados estatísticos que comprovam minha teoria que cama compartilhada é algo positivo e saudável para a família. Porém, prefiro me deter a minha própria experiência. O Kiyo é tranquilo, sociável, não é medroso, não é desconfiado, dorme bem à noite, não tem problemas de ficar sozinho no escuro, é bastante seguro de si, tem certeza que o papai e a mamãe sempre estarão perto quando ele precisar ou mesmo quando ele simplesmente quiser um colinho...
Assim, eu encerro meu caso com as sábias palavras da minha amada sogrinha: "Amor nunca é demais e não estraga ninguém!"
Beijos a todas e todos...
Dani

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