sexta-feira, 29 de maio de 2009

Escolhas...

Eu sempre me considerei uma pessoa de sorte por ter tudo que tive. Meus pais não podiam cuidar de mim quando era pequena, pois tinham que trabalhar para me dar conforto. No entanto, eu tinha meus avós que me enchiam de amor. O esforço de meus pais e os cuidados de meus avós me moldaram para ser uma pessoa que busca o equilíbrio das coisas na vida.
Quando casei, aos 18 anos, queria conhecer o mundo. Bom, cheguei até os EUA. Moramos lá por 7 anos e voltamos ao Brasil. Foi uma experiência muito válida e boa que me ensinou a não ser absoluta nas minhas escolhas. Voltamos ao Brasil, conclui uma faculdade e obtive um título. Tive a honra de me tornar mãe aos 29 anos. Esse momento foi para mim uma transformação, uma metamorfose. Não pensava que tivesse nascido para ser mãe, nem que a maternidade fosse algo inato da mulher. Eu pensava em ter filhos, mas não pensava necessariamente em parí-los. Daí o Kiyo surgiu na nossa vida. Depois de 11 anos de um relacionamento a dois, passamos a ser três. O Kiyo veio sem pedir licença e chegou para ficar, aninhando-se confortavelmente no nosso coração.
Nossas escolhas então mudaram. Nossas decisões passaram a ser por nós três, enquanto família. Nossos desejos não eram individuais, mas sim familiares. Não digo que minha vida é melhor agora que sou mãe, nem me arrisco em achar que a maternidade me tornou uma pessoa melhor. Estou certa de que a maternidade me tornou diferente. Minhas percepções mudaram, minhas vontades mudaram, e eu mudei totalmente como ser humano. Não posso dizer que é melhor agora, pois eu não tinha o que tenho agora. E o que eu tenho hoje não era parte do meu viver antes.
Posso dizer que amadureci muito depois de sentir que alguém depende de mim. Sei que sou capaz de fazer muita coisa. Sinto-me muito poderosa em áreas que desconhecia, e ao mesmo tempo estou muito mais fragilizada em outras áreas que antes não me afetavam tanto.
Escolhi ser mãe integralmente, escolhi ser esposa até que a morte nos separe, escolhi amamentar até que o Kiyo queira, escolhi ser ativamente presente na vida dele. Escolhi oferecer aquilo que eu acredito ser mais saudável e melhor para meu filho. Espero que depois ele possa ser um ser humano consciente e tenha pulso para fazer suas próprias escolhas. Eu o amarei sempre, independente de quais sejam essas escolhas.
Essas escolhas não diminuem minha sensação de conquista feminina. Não sinto a necessidade de "lutar" constantemente por meus direitos de mulher. Eu sei quais eles são.
Não dependo do meu filho e marido para ser feliz, mas sou feliz tendo eles em minha vida. Amo de forma incondicional, e me entrego por completo sem esperar recompensas. Tudo que eu faço é por escolha própria, e ninguém além de mim é responsável por essas escolhas.

2 comentários:

Monica disse...

Olá! Conheci seu blog hoje e me encantei com este texto! Me identifiquei muito com a sua forma de pensar a vida e, principalmente, a maternidade. Posso dizer que, desde que fiquei grávida, senti (sinto) essa avalanche de mudanças que, no fim, nada mais são do que escolhas que nós mesmas fazemos. Mesmo com certezas e incertezas vivendo juntas dentro de nós, é maravilhoso saber que teremos sempre a possibilidade de escolher... E que só depende de nós... Um beijo grande, Monica.

DaniSapoo disse...

Monica... obrigada pelo comentario. Eh sempre importante saber que nossas escolhas tem impacto direto nos pequenos, nao eh? Assim podemos faze-las de forma consciente.
bjos...