terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os herois na nossa vida...





















O Kiyo estah naquela fase dos herois. Sao tantos que eu ateh perco a conta do qual super-heroi eh o da vez. Sao supermen, spidermen, Buzz Lightyear, e a lista vai crescendo...
Daih eu fiquei pensando sobre os herois. Aqui nos EUA, o pessoal faz bastante mencao dos herois de guerra - aqueles que pereceram nas guerras mundiais, do Iraque, do petroleo. No Brasil, eu penso nos herois camuflados. Aquelas pessoas que nao apresentam super poderes evidentes, mas que conseguem fazer milagre para dar aos filhos uma educacao adequada e uma vida digna. Esses herois ensinam aos filhos o valor do respeito, a importancia da humildade e a beleza do amor. Esses herois vivem em nossa rua, nossa vizinhanca, nosso bairro, nossa cidade. Esses herois acordam cedo, ainda antes do sol aparecer, e vao preparar o cafe da manha para suas filhas nao irem a escola de barriga vazia. E mesmo depois que estah pronto e a menina jah estah comendo, esses herois ficam ali, sentados na sua frente, calados apenas observando. Esses herois sao pais, sao maes, sao avos, sao tios e tias... esses herois sao professores e professoras que nao cansam de instruir-se para poderem repassar o conhecimento aos seus alunos.
Quando eu penso em herois, eu penso nas pessoas que vencem as maldades do mundo diariamente. Penso nas familias que vivem imersas numa sociedade corrupta (falando ingles ou portugues) e que ainda assim nao sucumbem, nao prostituem suas vidas em troca de uma falsa seguranca.
Herois... quando eu penso em herois, eu olho pro Kiyo. Vejo como ele me observa diariamente. Vejo como ele analisa minhas decisoes, como ele se espelha em minhas atitudes. Talvez para ele eu seja uma super-heroina, com super poderes... talvez para ele eu seja fonte de sabedoria. Espero que isso seja uma constante. Espero que ele nao perca o brilho nos olhos ao me ouvir.
Quando eu penso em herois penso no meu pai, no meu avo, na minha mae, na minha avoh. Penso em como a constancia deles me guiou sempre. E como o amor deles eh solido. E pensando isso, eu peco a Deus que isso se repita para que o Kiyo saiba o que sao verdadeiros herois, para que ele possa contar de verdade com seus herois...
Beijos
Dani

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um ano de EUA...

Gente boa,
Agora em novembro (dia 03 para ser mais exata) fez 1 ano que chegamos de mala e cuia nos EUA. Muita coisa aconteceu desde entao. Muitas coisas boas, algumas menos interessantes, mas no geral crescemos e amadurecemos.
Esta foi sem duvida a vinda mais doida de todas. Esta foi a vez em que eu sabia que nao veria algumas pessoas novamente. Esta vinda foi uma metamorfose completa da nossa familia. Deixamos o "conforto" de termos a familia por perto para uma realidade onde soh nos eramos por nos mesmos. Nao que nao pudessemos mais contar com os nossos amados na nossa amada terra Brasilis. Sabemos que podemos contar, e contamos com todos. Soh nao poderiamos mais nos acomodar com almocos na casa dos meus pais aos domingos. O Kiyo teria que aprender a viver sem as pessoas que fizeram parte de sua vida desde que veio ao mundo.
Saibam todos que ainda doi. Ainda eh dificil essa mudanca toda. Nos conforta o fato de saber que Deus cuida de nos.
Ha um ano atras muitas coisas eram incognitas. Nao sabiamos onde iriamos morar, nao sabiamos se nossos planos se concretizariam. Enfim, viemos com a cara e a coragem.
Apesar de sentir muita falta de todos e apesar de ainda sofrer com a distancia, tenho certeza de que foi a melhor escolha que podiamos fazer. Nossa vida estava de ponta cabeca. Foi um tombo atras do outro, uma decepcao atras da outra. Jah nao sentiamos que estavamos seguros onde estavamos. Nossa vida nao transmitia seguranca para nos (adultos) que dirah para um menino de apenas 2 anos e meio. Nao podiamos impor no Kiyo as nossas insegurancas. Nao podiamos permitir que ele crescesse com medo de sair de casa. Muita gente pode dizer que nao eh bem assim, mas eh sim. Quando a violencia chega na esquina da sua casa, na porta do seu vizinho, a coisa deixa de ser sensacionalismo barato do Jornal Nacional e passa a ter nome, endereco, RG e CPF.
Alem da sensacao (cada vez mais real) de inseguranca fisica, sentiamos que nao havia para onde ir profissionalmente. Nossa empresa estava no buraco, minhas chances de ingressar num programa de mestrado eram cada vez mais infimas. Mesmo que conseguisse, nao significava que eu teria algo garantido no futuro. Em termos de educacao para o Kiyo, nos estavamos num barco sem saida, a nao ser que fossemos sucumbir ao sistema e nos deixar levar. Isso nos nao podiamos fazer. Nossa unica saida naquele momento era apertar o "reset", colocar a viola no saco e dar um rumo para nossa vida. Gracas a Deus nos tinhamos a opcao (nossa ultima carta na manga) de vir para os EUA. Abracamos a minuscula chance de negocio aqui e viemos.
Depois de 1 ano, eis as bencaos que pudemos contar:
1. Moramos em um lugar tranquilo. Eu nao sinto medo de andar pelas ruas a noite, nao sinto medo em minha propria casa. Nao precisamos de cercas eletricas, muros altos e grades nas janelas. Podemos dormir com as janelas abertas, sem panico.
2. Com um pouco de trabalho conseguimos pagar todas as nossas contas basicas e ainda sobra um pouco para um extra.
3. Meu curriculo de graduacao no Brasil foi totalmente reconhecido aqui. Eu consegui ingressar no Programa de Mestrado em Ciencias Ambientais na FAU com bolsa integral + ajuda de custo. Na universidade meus esforcos sao reconhecidos e meus meritos sao meus. Nao preciso viver a sombra de algum professor doutor. Nao preciso me submeter a concursos absurdos que soh visam o lucro. Se eu fui escolhida foi pelo meu merito e nao porque sou peixinho de alguem.
4. Kiyo entrou na escola depois de quase 1 ano aqui, quando vimos que realmente ele queria isso. No entanto, se quisermos educa-lo de formas mais "alternativas" e fazer o chamado "homeschooling", nao seremos considerados criminosos. O sistema educacional aqui tambem eh falho, mas ha opcoes para quem quiser (e puder).
5. Em um ano aqui, posso ver um futuro no final do tunel. Posso ver que nossos planos nao tem limitacoes (alem das nossas proprias).
Voces devem estar pensando que sou desamorosa e antipatriota. Nada disso! Eu amo o Brasil. Eh o meu pais, eh onde estao algumas das pessoas que mais amo nesse mundo. Porem, nao posso ver o Brasil com oculos cor-de-rosa. O sistema politico, capitalista daqui tambem eh corrupto. Tambem existe muita discriminacao contra imigrantes (legais ou ilegais). Nem tudo funciona aqui. Ha desemprego (ainda mais agora). No entanto, se quiser trabalhar duro, terah trabalho e o dinheiro vem. Existem ainda oportunidades para estudo (se quiser). A "crise" do americano eh o nosso momento bom pro brasileiro.
Aqui eu nao concordo com tudo, nem acho tudo perfeito. Mas eu sei que posso andar na rua com o meu filho sem ser vitima de bala perdida.
Parece tragico? Pode ateh ser, mas eu preciso sim lembrar (e bem) os motivos que me fizeram vir pra cah. Nao vou jamais esquecer de onde eu vim. Nao vou jamais desamar o meu pais. Mas nao posso ama-lo se eu nao reconhece-lo pelo que ele eh: um lugar cheio de disparidades, diferencas, corrupcao e violencia onde o povo mais lindo do mundo vive de forma milagrosa cada dia que passa. O nosso povo brasileiro nao eh malandro, eh magico! Faz milagre com o nada. Faz das tripas coracao e ainda alimenta (como pode) uma multidao.
Em um ano de EUA, eu sinto falta do meu Brasil. Sinto falta das pessoas, dos lugares, dos amigos e dos familiares. Porem sinto tambem muita alegria de poder viver sem medo. Eh muito bom poder sonhar de novo, acreditando que o ceu eh o meu limite. Eh isso que eu quero pro Kiyo. E eu sei que ele poderah tambem chegar aonde quiser.
Beijos saudosos a todos meus compatriotas verde-amarelo!

sábado, 20 de novembro de 2010

A resposta da lata de leite a Fernanda Young...




















Este texto foi escrito em resposta a Carta para a Lata de Leite que Fernanda Young publicou na revista Claudia.

Prezada Sra. Young,
Gostaria de agradecer a sua carta enderecada a mim. Nao eh sempre que recebo correspondencias tao cheias de elogios assim. Sabe como eh, os chefoes da multinacional que me fabrica nao permite muito contato alem do estritamente comercial. Entao, fiquei deveras surpresa em receber sua carta. Acho que passou despercebida pela seguranca.
Ao iniciar a leitura de sua carta, Sra Young, percebo que se dirigiu a mim como um ente querido, familiar e pessoal. No entanto, digo-lhe que minha natureza de produto comercial de uma multinacional nao me permite tal intimidade com os clientes. Nao que eu nao queira ou nao goste de ser tida como item basico nas casas ou nas mesas de cafe da manha, mas nao sou permitida isso para que nao crie vinculo ou (como os advogados da multinacional a qual pertenco dizem) nao tenha conflito de interesses. Sou na verdade um produto comercial criado por pessoas que visam um unico objetivo: o de fazer dinheiro as custas dos consumidores e nao com o "bem-estar" dos consumidores.
Ao ler em sua carta o seu descontentamento com o mais novo rotulo que apareceu nas minhas embalagens, fiquei surpresa ainda mais. Pensei comigo: como pode uma pessoa tao culta preferir ser enganada pelas propagandas cor de rosa de uma empresa que visa em primeiro lugar (se nao unico lugar) o lucro, em lugar de ter em suas maos as ferramentas necessarias para tomar uma decisao embasada em fatos e estudos cientificos? Fiquei confusa.
Eu, na verdade, imaginei que o rotulo obrigatorio pelo Ministerio da Saude que diz que meu produto nao eh proprio para consumo de criancas menores que 2 anos fosse colocar um basta na mentira que eh dita a meu respeito por tanto tempo. Veja bem, eu tenho em minha formulacao varios ingredientes que sao bons e necessarios. No entanto, nao para um bebe tao pequeno que precisa de imunidade contra tantas doencas que existem. Essa imunidade soh pode ser adquirida pelo leite materno, e nao pode ser formulada em laboratorio.
Outra coisa que me deixou confusa em sua carta foi que a senhora disse me conhecer em sua mesa de cafe da manha. Bem, nisso eu sou usada ateh hoje e eh para esse fim exatamente que eu sirvo. Eu sou complemento para criancas acima de 2 anos e adultos. Sou muitas vezes confundida com outro produto (que tambem nao substitui o leite materno), a formula criada pela mesma empresa lah por 1860. Essa formula foi criada para auxiliar maes que nao podiam amamentar por alguma razao. Historicamente, existiam algumas maes nao podiam amamentar por deficiencia em suas dietas que impediam a producao de leite. A primeira formula lactea para bebes foi criada em 1869 na Suica. Ela consistia de bicarbonato de potassio, farinha de trigo e cevada. Deveria ser misturada ao leite de vaca. Nao nego que o uso desse complemento garantiu que muitos bebes nao morressem ou fossem vitimas de mal-nutricao durante os primeiros anos de vida.
No entanto, as empresas que nos criaram (tanto a mim quanto a formula) viram nisso um grande mercado. Entao passaram a fazer propagandas enganosas, dizendo a maes perfeitamente saudaveis que elas nao tinham leite para alimentar seus filhos, ou ateh que elas nao precisavam se sacrificar tanto. Uma falsa ideia de que o leite da latinha (ou seja o meu leite) era melhor que o leite materno foi brilhantemente incutida na cabeca das maes por geracoes a fio. As maes saiam das maternidades com suas latinhas reluzindo ao sol enquanto seus organismos lutavam contra o que seria o natural. Elas davam mamadeiras cheias de formulas sinteticamente produzidas em laboratorio enquanto seus seios endureciam, empedravam e secavam.
Entao, Sra. Young, quando meus criadores nas multinacionais foram obrigados a relatar em meu rotulo minha real composicao e o grupo a que sou destinada, eu fiquei muito feliz. Enfim nao vou ser mais usada como subterfugio de marketing para enriquecer apenas alguns em detrimento de tantas maes e bebes nesse mundo. Enfim, vou ser comprada pelo que sou.
Nao conheco as criancas de 2 anos a que se refere em sua carta, e sinceramente imagino que elas nem existam em realidade. Conheco apenas aqueles bebezinhos tao frageis e indefesos que fazem propaganda sobre mim. Esses bebezinhos aparecem gordinhos, mas se voce for tocar na sua pele, ela nao tem a mesma firmeza que se espera. Esses bebes ficam doentes com maior frequencia porque nao receberam enquanto bebes a dose necessaria do agente imunologico mais potente do mundo: o leite materno. As criancas de 2 ou 3 anos a que se refere jah podem, se assim quiserem, tomar um copo do meu leite. No entanto, se elas preferirem o leitinho da mamae delas, eu nao fico ofendida. Elas terao a vida toda para me experimentar. Sei que vao gostar do meu gosto, mas prefiro que seja na hora certa.
Atenciosamente,
Lata de Leite em Po.

O texto que originou essa resposta encontra-se abaixo:

Cara Lata de Leite,

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mais textos de Fernanda Young

Desculpe a intimidade de escrever uma carta assim, tão sincera, mas sinto como se fôssemos parentes. Minha mãe é Leite, e meu nome de solteira é Fernanda Maria Leite Young. Além disso, convivo com você há mais tempo do que com qualquer outra coisa, vendo-a todo dia, desde pequena, sempre igual, em minha mesa de café-da-manhã. Ajo, portanto, movida pelo coração. Temendo, por isso mesmo, ser mal compreendida.

O motivo desta carta é que notei, outro dia, algo diferente em você. Um retângulo. Com um texto em que o Ministério da Saúde adverte que você não é boa para crianças. E que as mães devem amamentar seus filhos até os 2 anos de idade, no mínimo, se possível até mais. Confesso, fiquei confusa. Sei que você deve ter sido obrigada a concordar em colocar aquilo ali, mas por acaso você conhece as crianças de 2 anos de hoje em dia? São bastante diferentes daquelas do nosso tempo, querida Lata. Boa parte delas já está freqüentando colégios. Algumas, com 3 anos, fazem cursos de inglês, natação, balé e até computação. Claro, estou falando das crianças de famílias da classe média urbana. Mas é para essas famílias que vocês, latas de leite, são destinadas, correto? Então, imagine comigo: o garotinho chega do curso de computação, joga um pouco de videogame; aí a mãe volta do trabalho e ele vai chupar os peitos dela. Ou: a garotinha chega do balé e telefona para uma amiga marcando de ir ver um filme na casa dela assim que acabar de mamar na mãe.

Será que isso é realmente melhor para a saúde dessas crianças? Será que ter uma mente sã não é tão importante quanto ter um corpo são? Será que as deficiências do leite em pó com relação ao leite materno não seriam menos perigosas que os riscos de trauma psicológico? Não sei responder. Mas sei que amamentei minhas filhas até os 3 meses e me senti um traste quando parei. Porque todos me diziam que era melhor continuar - apesar de eu estar exaurida, com os peitos estuporados e a mente desnorteada pelas transformações trazidas pela maternidade. Todos, menos o meu marido, que me apoiou na decisão dizendo que achava muito mais importante, para as meninas, ter uma mãe segura e feliz do que qualquer benefício que o aleitamento pudesse trazer.

Sei que muita gente me execraria pelo conteúdo desta carta, por isso mando-a só para você, amiga Lata, contando com a sua discrição. Tenho certeza de que você entenderá o que estou tentando dizer. Que não estou fazendo campanha contra o leite materno nem a favor das multinacionais. Que estou apenas tentando propor uma nova visão sobre uma antiga verdade. Para que outras mães não venham a sofrer com tanta culpa. E para que outras crianças não venham a sofrer com tantas mães que, depois de passarem 20 ou 30 anos de sua vida consumindo porcarias, são levadas a crer que seus seios são fontes de pureza.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"Thank you, Jesus..."














Antes do Kiyo nascer, e antes mesmo de imaginarmos ele em nossas vidas, nos passamos por uma desilusao tremenda com pessoas na igreja da qual participavamos. Por conta disso, deixamos de participar da igreja. Isso em momento algum diminuiu a nossa feh.
Quando o Kiyo nasceu, decidimos que iriamos batiza-lo, porem nossa relacao com a igreja local estava (e ainda estah) deveras estremecida. Entao, decidimos que o pastor que fez nosso casamento (grande amigo nosso) faria o batizado. Tudo deu certo.
Enquanto estavamos no Brasil, nao sentiamos necessidade alguma em participar de igreja. Iamos vez que outra num culto, mas sem assumir compromisso. Gato escaldado tem medo ateh de agua de coco.
Apesar de nao participarmos de uma instituicao religiosa, sempre estivemos certos onde nossa feh estava. Nunca tivemos duvida alguma sobre o que ensinar ao Kiyo em relacao a isso. Entao, sempre antes de dormir eu fazia uma oracao silenciosa com ele, enquanto ele mamava tranquilamente. Eu fazia isso sempre, desde que ele nasceu.
A medida que ele foi crescendo, comecou a falar e prestar mais atencao nas nossas atitudes, eu passei a fazer essas oracoes em voz alta. Mais recentemente, passei a pedir que ele interagisse comigo, repetindo o que eu dizia. Fizemos isso umas 3 vezes (eu falando e ele repetindo), sendo que a iniciativa era minha.
Daih numa noite, na hora de dormir, ele deitou na cama ao meu lado, colocou as maozinhas juntas e comecou por si mesmo a falar: "Thank you , Jesus for today. Thank you for the light, for the door, for the other door, for the window and the other window, thank you for school, for Mrs Marilyn, for friends, for mamae, papai, vovo, Vo Ana, Dudu, and everybody. Amen!" Ele fez isso sem ninguem falar que ele "tinha" que fazer, partiu dele expontaneamente.
Conclusao: Ir para a igreja (instituicao) nao quer dizer nada, assim como nao ir tambem.
Eu estou feliz em saber que meu pequeno nao precisa "ir pra igreja" para ser abencoado. Gracas a Deus por isso!