quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Saudacoes Alienigenas

Eu fico me perguntando onde vai parar o mundo com tantos padroes para se cumprir, tantas normas para se manterem... Esses dias estavamos conversando com o Jeff sobre isso e chegamos a conclusao de que nos sempre fomos ETs em relacao a padroes e normas sociais.
Pensem comigo: nosso casamento foi num sabado as 8:30 da manha. O noivo foi de bota de trilha, bermuda e camisa do Pernalonga. A noiva foi de vestido curto (que tava mais para "roupa de primeira comunhao"). Nao teve festao em restaurante caro e nem se gastou horrores com festa pros outros. Fizemos uns comes e bebes bem estilo "brunch". Daih, a noiva foi sequestrada no meio da festa e soh foi devolvida num posto policial a caminho da lua-de-mel. A propria lua-de-mel foi bem simples: passamos um dia na Ilha do Mel e fomos pra casa de praia da sogra. 
No nosso casamento nao ganhamos muitos presentes. Ganhamos em dinheiro porque estavamos vindo pros EUA. Daih chegando aqui, nao cabiamos em nenhum grupo padrao. Eu nao podia ir nos grupos que o Jeff podia porque era muito nova. ELe nao podia ir nos grupos que eu poderia porque era "muito velho". Nos nao podiamos ir em grupos jovens, porque eramos casados. Grupos de casais sem filhos eram muito chatos e grupos de casais com filhos piorou. Entao... eramos pecas redondas tentando encaixar em um buraco quadrado. 
Quando eu disse que queria casar, todos acharam que tinha que ser porque eu estava gravida. Onde jah se viu uma menina de 18 aninhos decidir que quer casar porque quer... isso nao existe!  Pois entao, mais uma vez fomos fora dos padroes.
Aqui nos EUA, eu nao servia os padroes de recem-casada, que tinha que querer ter filhos. Eu queria estudar, conhecer e aprender muitas coisas. Assim, nas reunioes de amigos da igreja (todos brasileiros) eu ficava sempre de fora e acabava ficando tomando conta das criancas.
Daih tem a questao filhos. Uma vez que eu fiquei gravida, 10 anos depois que casei, choveram padronizacoes para seguirmos. Primeiro eu TINHA que comprar berco, daih eu TINHA que comprar essa ou aquela roupa. Daih eu TINHA que saber o sexo e entao TINHA que escolher logo um nome. Uma vez gravida, eu TINHA que deixar que pessoas estranhas passassem a mao na minha barriga. Eu nao podia andar, nao podia trabalhar... fiquei quase maluca com tantas regras, imposicoes e normas. No cha de fralda, eu TINHA que convidar fulana ou beltrana que nunca nem sequer vieram visitar o meu bebe depois que nasceu. Um monte de obrigacoes furadas e vazias.
O nome do Kiyo foi um segredo, sagrado pra nos. Nao escolhemos o nome do Kiyo ateh 2 semanas antes dele nascer. E nao contamos para ninguem tambem. Seu nome significa PURO. E era assim que queriamos manter a nossa escolha: pura, livre de preconceitos. Isso deixou as pessoas malucas. Onde jah se viu? 
Entao veio a maternacao. Foi entao que passamos a vestir a camisa alienigena por completo. Onde o Kiyo dorme? Com a gente, no meio da nossa cama. Onde jah se viu? Isso estraga a crianca. TODA crianca precisa aprender a ter independencia. Quantas horas por dia ele dorme? Durante o dia quase nada. Nossa! Mas isso nao pode. Bebe pequeno TEM que dormir pelo menos 8 hora no dia. E tem que ser de dia. 
Nao importava que ele dormia todas as horas na noite. "Voce nao tem leite... pra que ficar tentando?" "Todo mundo dah isso pros filhos, porque vai ser diferente com voces?" "TODA festa de aniversario de 1 ano tem brigadeiro, refrigerante e cerveja"... "Onde jah se viu amamentar uma crianca depois de 6 meses?" "Que horror! Esse menino vai ficar dependente!" Onde jah se viu nao mandar a crianca para a escola. Ele jah tem 1 ano e meio. "Pobrezinho do Kiyo... todas as criancas ganham chocolate na Pascoa, menos ele".
E assim foram as normas que "quebramos", as regras que "burlamos" em nome de uma criacao saudavel, unica e propria para nossa familia!
Nao somos uma familia padrao. O Kiyo dorme com a gente e mama para dormir. Nao temos pressa alguma de mudar isso enquanto estah saudavel e prazeroso para nos 3. Hoje, aos 3 anos e meio, Kiyo vai pra escola. Mas foi porque ele escolheu ir. Hoje ele come bolo de chocolate e toma sorvete, mas eh de vez em quando e nao eh porque todo mundo estah fazendo. Refrigerante: nem pensar! Seus 3 aniversarios foram regados a sucos naturais, frutas e inumeras coisas gostosas. 
Daih, depois da maternidade, algumas pessoas me dizem que "estou me anulando" por amamentar o Kiyo tanto tempo. Ou dizem que "estou desleixada comigo mesma". Apesar disso nao ser verdade, essas acusacoes me machucam principalmente porque vem de gente proxima. Nao sao verdades e quem estah falando isso ou nao me acha capaz de decidir as coisas por mim (me julgando pau-mandado dos outros) ou nao estah resolvida com suas proprias escolhas (oque eu prefiro acreditar). Padroes de beleza que sao passados pela midia sao ao meu ver padroes vazios, futeis e descartaveis. A beleza nao depende (ou pelo menos nao deveria ) exclusivamente de padroes esteticos. Ela pode sim ser externalizada em nossos habitos diarios, como a forma em que vivemos. No entanto, ela nao pode ser comparada ao padrao estetico e estatico, plastificado e rigido onde o bonito eh ter esse ou aquele corte de cabelo, ter esse ou aquele sapato, usar essa ou aquela marca de jeans, ter as unhas impecaveis para todos os dias da semana... A beleza de uma pessoa nao pode ser minimizada a esses padroes. Cheguei a conclusao de que muita gente se prende a esses padroes. Seus motivos para tal eu desconheco. Nao compreendo e nao invejo quem acha que coisas vao trazer a felicidade. Nao invejo quem acredita que para estar bonito eh preciso ter o que quer que seja. Engracado que eu sempre fui assim. Eu sempre fui desligada de marcas e valor monetario das coisas. Se eu ganhasse um presente simples de um namorado, ficaria tao feliz quanto se o presente fosse carissimo. No entanto, algumas pessoas insistem em afirmar que eu fiquei assim. E por isso, estou me anulando, e portanto nao sou vaidosa. Nao sou! Nao quero ser! Ser vaidoso nao eh virtude, eh prisao. Viver em funcao de uma aparencia plastica nao eh saudavel. 
"Tudo É Vaidade", de C. Allan Gilbert, nos lembrando que a beleza é tão apenas transitória à luz da nossa própria mortalidade
Uma coisa eh se gostar, se achar belo e como consequencia disso sentir prazer em se produzir. Outra eh ser escravo do espelho, achando que precisa manter uma aparencia externa. No meu ver, isso indica o vazio interno e a necessidade de aceitacao. Quem estah de bem consigo mesma nao tem essa necessidade. E assim, nao tem razao alguma de conformar as normas e padroes. A pessoa que sabe que eh bela nao precisa usar artificios externos para estar bela. Afinal, ela nao estah bonita. Ela eh bonita! Os adornos, as unhas pintadas, as roupas novas e o cabelo pintado sao acessorios que por si soh sao vazios. 
Essas diferencas em pensar, esse achar que o segredo da beleza nao pode ser comprado em farmacia ou manipulado em laboratorio, e as escolhas "fora da casinha" que fizemos sao produto de muito questionamento. Questionamos tudo antes de adotarmos ou nao como escolha. E muita gente nao faz isso. Muitas pessoas estao programadas a aceitar as modas, padroes e regras como verdade absoluta. Engolem tudo com farinha!
Nossas escolhas sao fora do padrao. Nossos gostos sao fora da norma. Somos alienigenas em nosso proprio meio. E somos felizes da forma exata em que vivemos.
Desta forma deixamos nossa marca unica na vida de muitas pessoas.



Beijos a todos...


2 comentários:

jacques disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
DaniSapoo disse...

Comentarios fora do contexto do texto serao deletados.