sábado, 23 de julho de 2011

Vozinho Joaquim - Terki Kioshima

Hoje, enquanto meus familiares queridos estao se despedindo do nosso querido vozinho, eu fico aqui ha milhares de kilometros de distancia lembrando de todo tempo que passamos com ele. Eh muito triste pensar que nao o veremos mais. Entao, nosso maior consolo e conforto eh saber que passamos momentos muito felizes junto dele.
O vo Joaquim sempre foi aquele vo quietao, que nao falava muito e ria muito menos ainda. No entanto, lembro de ve-lo orgulhosamente contemplando os netos a brincar em seu quintal. Lembro dos meses de ferias que passavamos com eles, e das vezes em que ajudavamos no bar. Alias, como nao lembrar do vo Joaquim, seu Joaquim sem lembrar do bar? Eram dois em um. Lembro tambem das historias que me contavam sobre quando eu era bem pequena. Coisas que eu nao lembro, mas que a lembranca de outras pessoas se fizeram vivas em minha memoria do vo. Diziam meus pais que quando eu era ainda bem pequena, meu avo todo faceiro me colocava sentada na vitrine de doces bem na frente de seu bar-lanchonete, no centro de Maringa. Lah eu ficava "experimentando" de tudo um pouco... ateh que (como todo bebe) eu fazia um xixi monumental de precisar tomar banho. O vo, pacientemente, me tirava de lah, trocava todos os doces e me colocava lah novamente. Sua alegria era ver as criancas todas lambuzadas, felizes e totalmente acucaradas, correndo pelo salao. Quando a gente andava de carro, ele sentava-se no banco do passageiro e a criancada ia atras, brincando com suas orelhas que lembravam as do proprio Buda. Ele no entanto nao ligava. Acho que ele gostava desse carinho que todos os netos sem excessao fizeram.
Quando o Kiyozinho nasceu, ele ficou todo feliz (eu bem sei). Todas as vezes que iamos na sua casa, ele nos recebia na porta com um sorriso de satisfacao. Gostava de oferecer lanche da tarde regado de tubaina e sanduiche de queijo e mortadela. Comiamos bacias e mais bacias de jabuticabas tiradas na hora do peh na frente da casa.
Nos ultimos tempos, o brilho de seus olhos foram se perdendo, mas ainda assim ele conversava com o Kiyo no mesmo tom alegre que eu lembro de crianca. Ele falava orgulhosamente de como o Kiyo lembrava o meu pai quando crianca. Ele tinha prazer em mostrar as fotos na estante da sala.
Entao, na nossa visita ao Brasil (maio-junho/2011), fomos estar com o vo e a voh. Meu coracao ficou pequeno ao ve-lo tao debilitado. Isso nao quer dizer que estivesse mal cuidado, muito pelo contrario. Ele estava com os melhores cuidados possiveis. Soh que as tristezas da vida (perdas de irmaos, a venda do bar e a diabetes que o tirava o prazer de comer doces) o deixaram mais triste. Ainda assim, na hora que nos despedimos ele segurou firme na minha mao e na do Kiyo. Eu disse que voltariamos em dezembro. E ele soh concordou, soltou minha mao e fechou os olhos.
Ontem, dia 22 de julho, pouco mais do que 1 mes apos nosso ultimo encontro, meu vozinho partiu. Meu coracao estah pequeno. Enfim... eh assim que acontece quando temos que nos despedir de alguem que eh tao importante para nos.
Vo... te amo muito e vou sentir tua falta.
Obrigada!
Beijos eternos...
Dani

Um comentário:

Julia disse...

Prima amada...
Meu coração também ficou pequeno com a notícia. QUeria dar um abraço em todos vocês...
Minha lembrança também vem do açucarado bar, lembro quando íamos com o passat do seu pai para Maringá, era gostoso.Aquela criançada fazendo contagem regressiva, após longas horas de estrada...
Que os anjos estejam com ele e acalme o coração de todos

Amo vcs
Beijos
Ju, Du e Cae