segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ciclos nao completamente fechados... sem dor, sem traumas e sem preconceitos...

Quando o Kiyo fez 1 ano, eu ouvia de varias pessoas (normalmente da minha familia, mas algumas estranhas tambem) que ele precisava "largar o peito". Eu fazia a minha cara de paisagem costumeira, ou as vezes contava com a lingua rapida do marido que dizia que Kiyo pararia de mamar quando ele falasse que nao queria mais mamar pois ia pra balada.
Quando ele fez 2 anos, os olhares de reprovacao eram mais numerosos. Nessa epoca eu jah ouvia comentarios do tipo: "Ele nao vai querer parar nunca!" ou "Ele vai ficar dependente!" ou ateh "Eh sem-vergonhice!" "Eh feio!" e "Ele vai crescer com problemas sexuais!" Esses comentarios nao me afetaram... Enchiam o saco, mas nao mudavam minha forma de pensar sobre a amamentacao ou colocavam duvidas em minha cabeca sobre a decisao de continuar prolongadamente.
Kiyo fez 3 anos e ainda continuava firme e forte no mamah noturno. Os comentarios seguiam, e nos contiuavamos firmes na nossa decisao. De vez em quando, ouvia um: "Nossa, que legal! Ele ainda mama!!!" Mas no geral eram comentarios maldosos que em nada acrescentavam e apenas me irritavam.
Ouvia falar do desmame natural, e quando arriscava comentar sobre essa possibilidade com alguem "de fora", era vista como romantica (boba) e ouvia que isso nao existe.
Ao mesmo tempo, ouvia historias de parentes que forcaram a barra para que a crianca largasse do peito e sofriam com problemas de inseguranca e questoes mal-resolvidas. Nao queriamos que o Kiyozinho passasse por essas situacoes. Decidimos que o desmame dele seria no seu tempo, sem forcar, sem proibir, sem reprimir... nao diriamos nada que diminuisse sua auto-estima por mamar. Tratamos tudo normalmente, como deve ser! E naturalmente, esperariamos o momento dele para parar!
Esta semana postei algo que achei que era o momento... mas acho que me adiantei. A coisa fluiu naturalmente naquela noite. Ele dormiu tranquilamente. No entanto, na noite seguinte ele pediu. Eu disse que ele poderia mamar, mas que depois de mamar teriamos que (re) escovar os dentinhos (pois era isso que estava me preocupando). Ele concordou. Mamou. E mesmo dormindo, abriu a boquinha e deixou que eu escovasse os dentinhos. Na noite que seguiu, a mesma coisa aconteceu.
Hoje cheguei a conclusao de que nao estamos mesmo prontos para o desmame noturno completo. Seguimos, sem crises, mamando e escovando os dentinhos. Ele nao parece se incomodar. O sono vem mais rapido com o mamazinho e parece acalmar seus sonhos.
Mais sobre o nosso ciclo em breve!
Beijos
Dani

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ciclos que vao se fechando...



Como muita gente deve estar careca de saber, Kiyo (com seus 4 anos e 4 meses) mama a noite, antes de dormir. Eh uma das muitas formas que a gente encontrou soh nossa de ficar juntinho. Alias, a hora de dormir eh nossa! Acontece que como tudo na vida, a amamentacao tambem chega num ponto onde nao eh mais necessaria. Quem decide isso? A mae ou a crianca? Quando eh a melhor hora de parar? Este post estah parecendo com algumas materias (bem fraquinhas, por sinal) que se arriscaram a falar sobre o assunto da forma leviana e formatada que conhecemos tao bem na nossa amada televisao brasileira de cada dia...
MAS... (ufa, tem um mas nessa conversa...) nao eh isso nao!
Quem decide quando chega? Ambos. Se a relacao eh de mutua entrega, existe sintonia entre os dois. Existem situacoes em que a mae jah nao se sente mais apta a continuar com a amamentacao. Existem situacoes em que o bebe (ou a crianca jah maiorzinha) decide que deu pra fita. No meu ponto de vista, o melhor relato de desmame que jah ouvi foi o da Kalu (Mamiferas) falando do desmame do Miguel (Desmame Natural Existe). E confesso que essa era para mim a forma idealizada da coisa acontecer. A verdade eh que, assim como qualquer mudanca, essa virada de pagina na relacao mae-filho tambem traz algumas dores (necessarias) que incomodam.
A melhor hora de parar? Quando eu ouvi que nao seria capaz de amamentar meu filho, mesmo querendo muito, e que era melhor eu desistir e parar de sofrer com aquilo, eu me senti a pior mae do planeta. Achava que eu era a unica que teve dificuldades em amamentar e me sentia sozinha mesmo. Quando eu tinha que dar a dita formula pro Kiyo e recebia olhares de reprovacao e ateh comentarios do tipo: "mas ele deveria estar mamando no peito!", eu me sentia incompleta, incapaz... No entanto, eu sabia que eu nao era! Entao a minha volta-por-cima veio quando eu conheci a relactacao, processo que me ajudou imensamente a re-estabelecer minha auto-estima e firmar a minha confianca e certeza de que eu era sim capaz de amamentar meu filho. O que veio depois foram 4 anos de pura alegria ao ver meu filho se deleitando (literalmente) no melhor que eu poderia oferece-lo. Com isso, os mesmos olhares que uma vez me recriminaram por nao amamenta-lo, passaram a me recriminar por te-lo pendurado no seio. E como a gente cria uma casca dura, passei a adotar a famosa "cara de paisagem" ao som de "to nem aih"!
Eis que chegou um dia em que o Kiyo quis saber:
 - "Mamae, does Beckett (amiguinho da escola) go 'mama'?" (O Beckett mama?).
Respondi que eu achava que nao. Ele quis saber porque (afinal, ele tem 4 anos e estah na belissima fase dos porques!). Eu disse que nao sabia, mas achava que era porque o Beckett nao quis mais. Ele perguntou sobre todos os coleguinhas. E a resposta era que eu achava que nao. Daih ele ficou quieto. Parece que ele estava tentando se encaixar no mesmo grupo que os coleguinhas.
Eu percebi sua inquietacao silenciosa, e falei:
- "Kiyo, voce gosta de mamar?" E ele respondeu um timido "Sim".
Eu: "Voce pode mamar o tempo que voce quiser, ok? Nao ha problema algum em voce mamar! E tambem nao ha problema algum se voce nao quiser mais. A mamae vai saber entao que voce nao precisa mais do mama, ok?"
Parece que eu tirei um caminhao de pedras das costas do meu pequeno com aquelas palavras. Ele virou para mim no escuro e pediu:
-"Mamae, I want mama!"
Isso aconteceu jah ha algum tempo. Achei que iamos continuar firmes por algum tempo mais.
Aih veio esta semana. Uma visita ao dentista me deixou com a pulga atras da orelha. Kiyo tem varias caries. Mas como? Nao houve uma condenacao dizendo que o fato dele mamar a noite seria a causa das caries, e eu nunca havia ouvido isso antes. No entanto, achei que talvez esse seria o gancho para tentar iniciar o processo de desmame. Conversei muito com ele aquela noite. Falei que iriamos escovar bem os dentes, passar o fiozinho, iriamos contar uma ou duas historinhas e iriamos dormir. Daih quando jah estavamos deitados, eu disse:
-"Kiyo, hoje a gente vai dormir sem mamar, ok?"
Ele quis saber:
-"Por que, mamae?"
E eu expliquei que a dentista tinha encontrado um monte de "bichinhos" morando dentro dos dentinhos dele. E que como a gente jah havia escovado os dentes, nao era bom comer nada. Disse tambem que se ele quisesse, eu poderia dar um copo d'agua e que ficaria ali juntinho dele, fazendo carinho e segurando sua mao ateh que ele adormecesse.
Ele falou "OK", virou para mim, segurou minha mao, pediu que eu cocasse suas costas e adormeceu. Durante a noite, nao pediu para mamar. Achei que ele iria chorar, pedir por favor... estava esperando esta reacao que indicasse que ainda nao era a hora de parar. No entanto, ele acatou minha explicacao tao naturalmente que eu fiquei surpresa.
Hoje jah fazem dois dias que o Kiyo nao mama. Daih enquanto a gente estava se arrumando para ir para a escola, ele veio cheirar o mama. Eu perguntei se ele queria mamar. Ele disse que sim. Daih eu deixei ele mamar. Ele veio, deu uma bicadinha e logo largou.
-"Nao quer mais, Kiyo?"
-"Nao, mamae!" Deu uma risada e pediu: "Eu quero um sanduiche de pasta de amendoim."
Hoje a noite, veremos como vai ser. Nao ha nada fixo sobre o nosso status. Entao, se hoje ele insistir no mama... ele vai ganhar e depois a gente escova os dentes novamente e pronto.
De qualquer maneira, eu sinto que o nosso ciclo estah sim chegando ao fim. Sinto que fui competente e que tanto o Kiyo quanto eu (quanto a nossa relacao mae-filho) soh teve a ganhar com esse processo. Eu sinalizei um possivel final de ciclo... sem traumas, gostos amargos ou insegurancas.
Beijos a todos e todas,

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Kiyo e a Biologia...




Kiyo estava conversando com o papai dele sobre habitos alimentares de diferentes tipos de animais. Ele sempre gostou desse tipo de conversa, bem como outros tipos de informacoes sobre animais, insetos e qualquer tipo de organismo vivo (para orgulho da mamae biologa).
Jeff resolve perguntar:
- Entao Kiyo. Se o animal come planta, eh porque ele... (esperando que o Kiyo completasse a frase).
E o Kiyo sem pestanejar respondeu todo cheio de si:
- Estah com fome!
Sabe tudo esse menino...

sábado, 17 de setembro de 2011

O que eu aprendi com meu filho:



Quando eu era pequena, acreditava piamente que nao tinha nada a ensinar para meus pais. Foi apenas depois que me tornei mae que percebi que estava redondamente enganada. Passei a acreditar piamente que pessoas que pensam que nao vao aprender nada na vida com seus filhos nao sabem o que estao dizendo, nunca tiveram filhos ou nunca estiveram intimamente ligadas a eles.
Desde que o Kiyo nasceu, eu aprendi que:
- realmente nao existem perguntas idiotas;
- a capacidade de interpretar choro de crianca eh um gene unico de maes que eh ativado na hora do parto;
- beijo de mae tem poderes de cura;
- amamentar eh a forma mais completa de nutricao fisica e emocional;
- nao importa quantos pneus eu tenha, serei sempre linda para o meu filho;
- nao importa quantas pessoas discordem de mim, a mae sou eu...
- a unica vez em que fiz algo prejudical ao meu filho foi quando dei muito ouvido a palpites que iam contra o meu instinto materno;
- o que eu falo importa;
- como eu sinto importa;
- tomar banho de banheira, brincando de dinossauros eh mais relaxante que banho de espuma;
- ser mae aumenta minha capacidade criativa, pensativa, reflexos e dotes culinarios;
- ler rotulos, ingredientes e datas de fabricacao sao partes importantes da ida ao mercado;
- eh importante falar sobre Deus;
- nao adianta falar uma coisa e fazer outra;
- minha forma de agir em casa serah projetada na maneira que meu filho agirah em publico;
- respeito nao eh algo imposto, mas sim adquirido atraves de merito;
- bons habitos sao aprendidos por exemplo e nao por teoria;
- independencia tambem eh algo que se constroi, requer tempo;
- ninguem fica mal-acostumado ou "estragado" por ter recebido amor e respeito;
- regras devem ser cumpridas por aqueles que as estabelecem a fim de que sejam eficazes;
- cheiro de mae eh muito bom;
- dinheiro e bens materiais facilitam a vida, mas nao me fazem mais feliz ou melhor;
- eu sou a melhor mae que meu filho precisa, indiferente dos recursos que eu tenha;
- pedir desculpas ao meu filho nao vai me fazer ter menos respeito;
- nao existe problema algum em dizer que eu nao sei algo, o problema estah em inventar resposta soh para ter o que dizer;
- nem todo mal-estar, febre ou "dodoi" se cura com remedio;
- dormir bem nem sempre quer dizer dormir a noite toda;
- o que funciona pra mim pode nao funcionar para mais ninguem.

Com certeza que vou aprender muito mais coisas...
Beijos
Dani do Kiyo da Dani

sábado, 10 de setembro de 2011

Healthy junky??



As tercas e quintas eu pego o Kiyo na escola. Esses sao os dias em que eu e ele podemos fazer o que quisermos. Entao, terca feira passada (06/09) resolvi leva-lo a uma lanchonete que tem um playground bem legalzinho. A lanchonete eh bem no estilo Mc Donalds, soh que oferecem apenas frango e os lanches das criancas vem com uns brinquedos mais "educativos" e menos consumistas (se eh que isso eh possivel). Chegamos lah e ele pediu: Chicken strips (que por incrivel que pareca sao pedacos de frango mesmo), suco de maca... Daih a pergunta: ele tem direito a uma porcao de batata frita ou uma porcao de salada de frutas. Eu perguntei soh pra cumprir o meu papel, mas na minha cabeca jah tinha certeza que ele ia querer as batatas fritas. Ele simplesmente ama batatas fritas...
Qual nao foi a minha surpresa quando ele pediu a salada de frutas, e maior foi a minha surpresa ainda quando ele pediu pra comer a salada de frutas.
Conclusao: realmente, o que a gente ensina pra ele tem surtido efeito. Ele nem olha pras opcoes de refrigerantes, e escolheu a opcao menos "junk" do menu. Fiquei super feliz, orgulhosa e muito tranquila...
Junk food? A gente come sim. Kiyo tambem experimenta algumas porcarias vez ou outra. No entanto, percebemos que o seu paladar estah se formando solidamente em coisas saudaveis. Opcoes que nos fizemos por ele inicialmente, agora ele poderah fazer sozinho tambem.

domingo, 4 de setembro de 2011

Saude e filhos...

Kiyo em janeiro/2011, sua primeira vez no hospital
Gente...
Quem tem filhos sabe o quanto eh dificil ver os nossos pequenos cabisbaixos, com febre, doentes. Decidir a melhor forma de lidar com essas situacoes tambem nao eh nada facil. Ouvimos varias opinioes, varias escolhas, varias maneiras de fazer nossos filhotes se sentirem melhor. Mas no final das contas, se fosse possivel, nos queriamos mesmo era sentir todo mal-estar no lugar deles.
Lembro da primeira vez em que o Kiyozinho caiu com febre. Nosso primeiro passo eh observar. Se ele estah bem, e a febre eh baixa, a gente espera. Dah um banho, muito liquido. Amenizamos a sensacao incomodativa da melhor forma que podemos. Nao recorremos imediatamente ao anti-termico. Se a febre nao passa, ou se ele fica muito cabisbaixo, a gente medica com uma dosagem de anti-termico propria para a idade dele.
No inicio desse ano, Kiyo teve um "piripaque" e o resultado foi um passeio de ambulancia e uma noite no hospital. No final, nada de serio. Mas nao poderia ficar sossegada se nao descobrisse o que ele teve. O mesmo vale para as vacinas. Pesquisamos, nos informamos e escolhemos manter as vacinas em dia.
O fato eh que nao importa a idade, quando o Kiyo fica febril ou quando ele se machuca, meu coracao parece que para. Indiferente do que seja, a melhor forma de lidar com questoes de saude eh muito informacao antes de se tomar uma decisao. E uma vez que a decisao foi tomada, nao vejo razao para ficar tentando justifica-la para ninguem. Afinal quem sabe onde aperta o nosso sapato somos nos mesmos!
Beijos,
Dani do Kiyo - febril, mas brincando!