quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A escolha foi minha mesmo??? 4 anos e meio depois... a constatacao-relato

Em blogagem coletiva com varias mulheres no mundo... contra a violencia obstetrica com a mulher. Vejam tambem: http://www.mamiferas.com/blog/2011/11/violencia-contra-mulher-parindo-ou-nao-deixar-parir-nao.html
Esse eh o meu relato, a minha constatacao... e a certeza de que eh uma grande luta. Tudo comecou no dia 16 de maio de 2007:
Meu dia comecou corrido. Estava no "ultimo mes" de gestacao e precisava dar conta das minhas pendencias antes que o Kiyo nascesse. Jah havia entrado de licenca maternidade, sendo afastada das aulas na faculdade, mas nao podia deixar o estagio ainda. Tinhamos uma reuniao pela manha com o grupo de discussoes sobre Animais de Estimacao Invasores, para dar continuidade ao projeto que deu cara a minha monografia de graduacao. Depois da reuniao, Jeff (meu maridao que me acompanhou no projeto todo) me levou ateh a sede da TNC, onde eu fazia estagio. Depois do almoco com a chefinha, fui ateh a maternidade para conhecer a estrutura que me daria "suporte" para a chegada do meu filho. Segundo os calculos (meus e da minha medica), eu tinha entrado na trigesima setima (37) semana de gestacao. Minha pressao tinha subido um pouco do normal. Persistia no 13X9 ou 14X10. Para quem sempre teve a pressao normal ou ateh mais baixa, isso eh pressao alta. No entanto, eu nao sentia isso. Alem do inchaco normal de gestante, eu me sentia super bem. Alias, tinha mais energia que o normal. Conseguia correr atras do onibus, subir escadas e andar bastante. 
Nesse dia 16 de maio, apos visitar a maternidade, fui ANDANDO ateh o consultorio da medica para a consulta semanal de final de gestacao. Foram aproximadamente umas 20 quadras que eu percorri a passos rapidos, pois estava meio atrasada. Chegando lah, o trajeto de elevador nao deu conta de diminuir meu pulso. Logo entrei na sala de atendimento, e tive a pressao medida. Meu coracao ainda estava batendo forte da caminhada, peso da barriga e etc... A pressao deu bem alta: 16X10 (ou algo assim). Em momento algum foi cogitada a possibilidade de esperar que eu me acalmasse para medir a pressao novamente. Uma medida e a medica mandou-me para um laboratorio de ultrassonografia, onde fizemos um doppler. TUDO normal, bebe tranquilinho, fluxo de sangue tudo certinho. Na hora pensei: "Ufa! Que bom que tah tudo bem!!!"
Voltei imediatamente no consultorio da medica, pensando que ela diria que estava tudo bem e que ficariamos monitorando a pressao. Que nada! Ela disse no mesmo tom em que leu o resultado do meu doppler: "Entao, deu tudo normal. Mas eu prefiro nao arriscar. Estah tudo bem hoje, mas nao sabemos o que pode acontecer com a sua pressao." (Tah, eu estava fazendo atividade fisica). "Entao, vamos marcar a sua cesarea para hoje!" Eu dei um pulo para tras. "Hoje? Nao! Mas nao estah tudo normal?"  E ela: "Estah, mas nao sabemos depois. Essas coisas podem mudar de uma hora pra outra. Voce estah com a pressao muito alta, e isso eh prejudicial ao bebe (Pre-eclampsia!)." A pressao estava alterada, mas eu nao tinha nada mais. Nao vi nenhuma estrelinha, nao tinha zunido no ouvido, nada mais. Eu relutei, acho que naquele instante minha pressao subiu mais ainda. Entao disse: "Bem, entao prefiro que seja amanha, pois quero que o meu marido esteja comigo depois que o bebe nascer. E ele vai viajar e volta soh amanha final da tarde!" E ela disse: "Ok. Entao amanha as 20:00horas."
Liguei pro Jeff e contei o que aconteceu. Naquela epoca nao tinha ideia de que pre-eclampsia ou mesmo pressao alta por si soh nao sao indicativos para cesarea. Imaginei que estava decidindo o melhor para nosso filho. Nao tinha ideia de que poderia ter questionado a medica. Jamais me disseram que eu poderia. 
Nao dormi nada aquela noite inteira, pensando em como seria ter meu filho nos bracos assim tao de supetao. Jah tinha tudo pronto. 
Dia 17 de maio de 2007:
Fui para a maternidade as 18 horas. Jah estava sem comer nada desde as 14, mas acho que o nivel de adrenalina era tao alto no meu sistema, que eu simplesmente nao sentia nada. Fui pra sala de cirurgia, nem senti quando o anestesista aplicou a tao temida peridural. Olhei no relogio, eram quase 20:00. A medica entrou e perguntou como eu me sentia. Falei que estava tudo bem. Olhei no monitor de pressao. A minha pressao tinha se mantido em 12X8 desde que me colocaram presa ali. Senti a pressao da manipulacao da medica na minha barriga. Olhei no relogio: 20:05. Comentei com a medica que minha pressao estava normal. E ela disse: "Ah sim. Isso sempre acontece!" Virou-se para a enfermeira e mudou prontamente de assunto. Comecou a falar sobre a filha dela, atividades na escola e coisas assim. O Kiyo foi retirado de dentro de mim as 20:07, com 37 semanas e 2 dias completos de gestacao. Ouvi o chorinho abafado dele. Meu coracao derreteu naquele instante. O pediatra chegou. Ele eh o nosso grande amigo. Soh entao, depois do que me pareceu uma eternidade, ele me trouxe o Kiyo todo melado, para que eu o visse. Nao sei o que eu senti naquele instante. Confesso que eh tudo meio borrado ainda. Enrolaram o Kiyo numa manta do hospital feito um charutinho. Depois que eu fui devidamente costurada e movida para a maca, as enfermeiras o colocaram em cima das minhas pernas. Eu nao conseguia sentir nada. Soh sabia que meu filho estava ali. Tudo normal. Apgar 9/10. Eu devia estar vibrando. No entanto, eu estava apatica. Chegamos no quarto. Lah estavam meus pais, o Jeff, minha sogra e a tia do Jeff. O Kiyo foi passado de mao em mao enquanto as enfermeiras me transferiam para a cama, ajeitavam o soro (que por favor, o trequinho mais chato!)... Daih elas pegaram o Kiyo ali mesmo no corredor e o levaram para o tal bercinho aquecido. Todos falavam para que eu dormisse, mas quem disse que eu podia? Nao queria dormir. Queria ver o meu filho! Cade ele??? Sei lah que horas, as enfermeiras chamaram o Jeff para acompanhar o banho. Acho que soh lah pela meia-noite foi que eu pude realmente ver o Kiyo, quando finalmente trouxeram o pequeno para tentar mamar. Ainda nao sentia nada da cintura para baixo, apenas um leve formigamento nos dedos dos pes. Lembro ateh hoje dos olhinhos redondinhos do meu filho me olhando, observando cada contorno do meu rosto. Essa eh a primeira lembranca que eu tenho dele apos o nascimento, umas 4 ou 5 horas depois.
Logo apos o nascimento do Kiyo, eu defendia a "escolha" do "parto", dizendo que eu havia feito a escolha conscientemente. Afinal, qual a mae que escolheria fazer mal ao proprio filho? Fui questionada algumas vezes por um grupo de maes, e por conta disso, comecei a me questionar tambem. Fui pesquisar mais informacoes sobre partos, sobre indicacoes para intervencoes cirurgicas, e descobri (para minha tristeza) que nenhum dos meus sintomas por si soh justificavam a cirurgia. Depois da cesarea, tive complicacoes para amamentar. Kiyo saiu da maternidade (aparentemente) com boa pega e tal. Chegou em casa e nao conseguia mamar. Hoje, olhando para tras e sabendo de todo efeito negativo que a anestesia tem no corpo do bebe, imagino que ele estava totalmente drogado, sedado e por isso parecia tudo bem. Eu me sentia inapta para cuidar dele, pois mal conseguia me erguer. Nao conseguia me mover com rapidez por conta do enorme corte. A cesarea nao doi na hora (para muitas), mas a dor que se sente depois dela eh imensuravel. Para suportar essa dor, tinha que tomar remedios que certamente estavam entrando no sistema do Kiyo pelo pouco leite materno que ele tomava por insistencia minha. 
Hoje, quando me perguntam sobre "escolha" de "parto", eu digo que eu nao tive uma. Sinto que fui devidamente ludibriada a acreditar que estava fazendo uma escolha quando esta jah havia sido feita por mim. A decisao pela cesarea foi feita pela medica. Ela as justificou como pode, pos todas as explicacoes em um pacote bem assutador para maes de primeira viagem e me convenceu que era a melhor escolha que eu podia fazer. No entanto, essa escolha eu nao fiz. Como pode se dizer que eu escolhi com a coisa expressa da forma que foi? Quem em total controle de suas habilidades mentais iria conscientemente escolher esperar se isso significasse qualquer possibilidade de dano ao bebe? Foi assim que eu "escolhi". Ela nao me apresentou opcao. A possibilidade de qualquer problema nunca foi uma opcao. Entao, jah que eh ou cesarea ou danos ao meu filho, eu fiquei com a cesarea. Dos males o menor, eu pensei. No entanto, essa possibilidade de problema nao era real. Nao da forma como ela me foi apresentada. Parece que foi um subterfugio medico (muito bem colocado) para nao ficar a merce do bebe. Quando ouvi de um outro gineco que "parto normal eh soh quando nao dah tempo", uma revolta interna tomou conta de mim. 
Depois de 4 anos e meio da retirada do Kiyo de dentro da minha barriga, ainda sinto o corte da cesarea. Minha barriga ainda tem pontos de dormencia, e eu ainda sinto um ardor muito chato. A pior sensacao eh a de saber que a minha escolha real foi tirada de mim sem cerimonia. Afinal, a escolha eh minha ou nao?
Beijos

domingo, 20 de novembro de 2011

Kiyo - o contador de historias...



Todas as noites antes de dormir, Kiyo pede que eu leia uma historia. Cada vez eh uma historia diferente. Ele escolhe o livrinho, arruma seus bichinhos de pelucia todos sentadinhos na cama, senta junto de mim e escuta atentamente enquanto eu "tento" dar voz aos dialogos engracados das historias infantis.
Esses dias, ele resolveu contar a historinha... escolheu o livro, sentou, arrumou os bichinhos e comecou... Vejam aih que lindo ele fazendo vozes diferentes para cada personagem...
E a mamae continua babando muito!!!!



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

E no Congresso tudo termina em pizza!!! Em qualquer lugar do mundo!!!


Gente,
Estava eu ontem na cozinha preparando o jantar. Kiyo estava calmamente brincando com seus bichinhos, carrinhos, dinossauros na banheira. Eu, tentando me virar em 3 ou 4 pessoas ao mesmo tempo, colocava a agua no arroz e corria para ver o que ele estava fazendo. Nosso cardapio era simples, mas tudo feito com bastante carinho e cuidado. Tudo comecou com um bolo de cenoura que parecia estar encantado... Kiyo ficou empolgado com o bolo, mas sabia claramente que soh comeria a guloseima se jantasse primeiro. Entao, apos decidir com ele o cardapio: filezinho de peixe a milanesa, arroz, feijao, brocolis refogado e saladinha de alface e tomates, nao fiquei surpresa que ele devorou tudo, repetiu umas duas vezes, comeu todos os pedacinhos de brocolis dizendo "Yummy in my tummy".
Essa eh a nossa realidade aqui em casa desde sempre. Kiyo sempre foi uma crianca que come bem e de tudo. No entanto, nos sempre cuidamos de dar aquilo que entendemos saudavel, nutritivo e balanceado para ele. Doces nao sao liberados, refrigerantes passam longe lah de casa (habito que eu tenho que cortar fora dela tambem), as porcarias (pizza, hamburger e outras coisinhas) sao vistas como um "treat" (algo que a gente faz de vez em quando). Quando vamos em restaurantes almocar ou jantar, Kiyo sabe que tem que comer primeiro o vegetal antes de ganhar a tao esperada sobremesa. Nos nao o forcamos a comer. Nunca fizemos isso. Acho que ficar forcando uma crianca que nao quer comer soh gera estresse e faz da hora da comida uma hora ruim, indigesta. Entao, se ele nao quer mais comer, ok afinal ele normalmente come bem. Mas tambem nao come a sobremesa.
Entao ontem, enquanto eu preparava o nosso jantar caseirinho, ouvi uma noticia que me deixou de cabelo em peh! O Congresso dos Estados Unidos aprovou um adendo que inclui a pizza e batata frita (isso mesmo voce leu certo PIZZA e BATATA FRITA) como porcoes de vegetais a serem consumidos por alunos de escolas publicas. A merenda (almoco) dos alunos eh fornecida pelas escolas. E as escolas tem obrigacao de fornecer uma porcao de vegetais pros alunos no cardapio diario. Entao o Congresso teve a brilhante ideia de ir contra as definicoes biologicas do que eh um vegetal e colocou a pizza e as batatas fritas (famosas french fries) como opcao na categoria. Isso porque batata frita eh batata e a pizza tem molho de tomate!
Isso vai na mao totalmente contraria ao que a Primeira Dama Michelle Obama estah tentando fazer com programas de alimentacao saudavel nas escolas, atividades fisicas e tal para diminuir o problema (bem grande) de obesidade infantil no pais.
Pra quem quiser ver mais, eis o documentario: http://www.ibtimes.com/articles/252197/20111118/congress-protects-pizza-vegetable.htm
Bem, parece que nao eh soh no Congresso Brasileiro que tudo termina em pizza... isso eh generalizado para os outros congressos do mundo.
Beijao

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tudo sob controle...

Parece que cada dia que passa o Kiyo desafia os "padroes" daqueles palpiteiros que teimavam em dizer que dormir junto com ele o deixaria dependente, que amamentar por tanto tempo faria dele uma crianca mimada que nao pode fazer nada sozinho. 
Sim... ele continua dormindo no meio da gente. Ele continua dando suas mamadas noturnas. E ele continua nao sendo excluido das atividades da familia. Ele continua sendo tambem nossa  prioridade maxima. Nosso mundo, apesar de nao orbitar totalmente ao redor dele, gira em sintonia com ele. 
Entao ultimamente Kiyo tem dado seus "gritos de independencia". Quando estamos andando num estacionamento, ele jah nao gosta de pegar na mao. Na hora de calcar os sapatos, ele briga que vai faze-lo sozinho. Ele jah coloca suas roupas e vai ao banheiro "quase que" sem ajuda alguma. 
Ontem percebi mais um desses gritos de independencia. Foi assim:
Fomos (Kiyo e eu) andando de bicicleta ateh o parque (com algumas arvores e duas balancas) na beira da praia. Chegando lah, Kiyo tem todo um protocolo seu a ser seguido: primeiro ele sobe em uma arvore, depois na outra, daih ele vai a balanca, e depois volta as arvores. Enquanto ele subia em uma das "suas" arvores, eu estava cah embaixo (morrendo de medo) cuidando para que ele nao caisse e tentando manter o meu "cool". Quando eu fui segurar seu bracinho para que ele pudesse se equilibrar melhor, ele virou para mim e disse (em tom de constatacao): "Mamae, it's ok! I have everything under control!" (traduzindo: "Mamae, tudo bem! Eu tenho tudo sob controle!" E assim, lah se foi o meu MacaKiyo feliz subindo a arvore ateh onde eu nao mais alcancava. 
Foi entao que conclui: eis a minha certeza de que a independencia real chega apenas quando eh a hora certa. Forca-la causa apenas dor, tristeza, frustracao e a perda da confianca que a crianca depositou incondicionalmente no pai e na mae. Isso jamais!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seguranca que transforma...






No dia 03 de novembro fizeram 2 anos que voltamos a morar nos EUA. Nesses 2 anos muita coisa aconteceu. Kiyo ainda nem falava direito quando chegamos aqui. Ele tambem usava fraldas e mamava direto. Nao ia a escola (nem nunca havia ido ateh entao). O mundinho dele era aquilo que ele conhecia de dentro da seguranca do nosso lar. Ele conhecia o fundo do quintal onde brincava com as cadelas. Conhecia a rua onde moravamos e as pessoas que o cumprimentavam todos os dias. Ele sabia que nos entendiamos suas necessidades mesmo que ele nao soubesse como verbaliza-las de forma compreensivel. 
De repente, entramos num aviao grande, ele dormiu e quando acordou tudo era diferente. Ok, a lingua era familiar jah que papai falava com ele em ingles desde o nascimento. Mas o mundo era outro. Os cheiros, os gostos e as cores eram diferentes. Nesse novo mundo tinha praia, tinha areia, tinham parquinhos... mas nao tinham mais aquelas coisas que para ele eram familiares: nao tinha mais Rotti ou Dogui, nao tinha mais vovo e vovoh, nao tinham mais amiguinhos para brincar. Tudo era novidade. 
Nao sei dizer o quanto ele sentiu essa mudanca. Nao sei dizer, pois ele nao mostrou sinal algum de estresse. Acho que isso foi pois ainda tinha a seguranca do papai e da mamae sempre com ele. Um pedacinho do que era familiar tinha vindo junto com ele. E acredito que isso o manteve seguro. De alguma forma, ele sabia que nos estariamos ali com ele para o que desse e viesse. Em momento algum na sua vida ele passou por uma situacao em que tivesse essa certeza abalada. Sempre estivemos ali. Sempre consolamos sua tristeza. Sempre acalantamos seus sonhos. Sempre contavamos a respiracao durante a noite. Mesmo dormindo, estavamos alertas a qualquer mudanca, qualquer parada, qualquer fungada mais profunda. Se durante a noite ele tinha algum sonho assustador, era soh esticar os bracos para lembrar-se que estava seguro entre o papai e a mamae. Encostava as maozinhas uma em cada rosto e voltava a dormir tranquilamente.
Nunca precisou ser consolado por chupeta ou mamadeira, pois a mamae sempre se pos disponivel. Nao precisou ser independente para deixar papai e mamae "a vontade", afinal ainda eh uma crianca que depende sim de seus pais para varias coisas. Ele nunca precisou segurar o choro ao cair ou se machucar durante uma brincadeira, pois ele sabia que estariamos ali para consola-lo. Com isso, ele raramente chora porque caiu ou se machucou. Sempre validamos seus sentimentos, por mais que os motivos nos parecam tolos. Nada eh besteira! E homem chora sim!
Ele obtem sua independencia de forma natural, uma coisa de cada vez, um passo na hora certa, da forma que tem que ser. Cada etapa eh vivida intensamente e nao temos pressa alguma que ele passe de uma para a outra. Queremos ter certeza que ele se transformou no menino que eh sem ser apressado, sem ser forcado a largar esse ou aquele comportamento "infantil". 
Kiyo foi pra escola quando ele pediu insistentemente e assim percebemos que ele estava pronto para essa etapa. Kiyo parou de mamar em livre demanda quando nao mais sentia essa necessidade. Por enquanto ainda sente necessidade de mamar um pouquinho antes de dormir. Conversamos sobre o assunto e ele diz que quer parar, mas que nao eh hoje. Ele fala: "vou parar de mamar na quinta que vem." E eu entendo que ele ainda nao se sente pronto para dar esse passo, e respeito a sua escolha. 
Kiyo desfraldou por completo esse ano, naturalmente, sem impor nada ou ameacar. Ele jah demonstrou interesse em ter a propria cama, mas em momento algum ele indicou interesse em dormir sozinho. Da unica vez que ele falou em dormir sem a gente (por conta dos primos), agimos de forma bem natural. Ele pegou o travesseiro e foi feliz para o quarto do primo. Enquanto eu tomava banho, ele ficou lah e o Jeff no outro quarto. Quando eu sai do banho, vi seus olhinhos arregalados me olhando (e lembrei dos mesmos olhinhos me olhando na maternidade). Perguntei se ele queria dormir ali ou se queria ir dormir comigo, e ele respondeu num salto, agarrou o travesseiro e veio feliz. 
Ele precisou ficar internado no inicio desse ano, por conta de um "desmaio" que acabou nao sendo nada serio. O susto foi grande, mas mesmo nessa hora de apreensao, ele se mostrou seguro. Mamae passou a noite ali ao seu lado, velando seu sono. Papai segurou sua mao na hora em que a enfermeira veio colocar o soro em sua maozinha. Papai e mamae estavam de prontidao aguardando exames, resultados e diagnosticos. Da experiencia, Kiyo lembra da tala que tinha na mao e de como ele brincava que aquilo era o laser do Buzz.
Nao entendo como as pessoas acham que devem "forcar" as criancas a serem independentes quando sao apenas criancas. Ou entao que devem forca-las a largar o peito, porque senao vao ficar "mal acostumadas". Nesses casos, causam mais traumas que beneficios. 
Assim, eu prefiro continuar agindo pelo meu instinto. Prefiro que meu Kiyo tenha sua independencia de forma organica, natural e na hora em que estiver preparado emocionalmente e fisicamente para te-la. 
Continuo acreditando que bebe recem-nascido nao tem que aprender a dormir sozinho, a mamar a cada 3 ou 4 horas, a se acalmar no berco sem o calor do colo da mae. Acredito que filhos precisam de maes e maes precisam de filhos. E por isso eu continuo dando asas ao Kiyo quando ele precisa voar e dando colo quando ele precisa se aninhar.
Em tempo: hoje Kiyo fala pelos cotovelos, compreende tanto ingles quanto portugues (apesar de escolher falar em ingles), corre, anda de bicicleta, desenha, escreve, vai para a escola... faz tudo aquilo que um menino saudavel e seguro de 4 anos e meio faz. E o faz sob os olhos protetores e admirados do papai e da mamae (que babam e se orgulham a cada passo de desenvolvimento que ele dah).

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bullying - enfrentando esse fantasma de frente

Desde que o Kiyo nasceu, minha maior preocupacao era quando ele fosse para a escolinha. Primeiro, no Brasil, nos sempre pensamos muito no fato de terceirizar a educacao do Kiyo, deixando nas maos de terceiros (desconhecidos ateh) a responsabilidade que Deus nos deu de orientar e nutrir o Kiyo da melhor forma possivel. No entanto, o meu maior medo sem sombra de duvidas era a possibilidade do Kiyo ser vitima de "Bullying" (abuso fisico-emocional por colegas da escola, alunos mais velhos, outras criancas...). Confesso que isso se tornou muito mais forte em mim depois que Kiyo foi para a escola. No primeiro ano, tudo tranquilo (aparentemente). Ele nunca demonstrou nenhum tipo de sinal que indicassem qualquer tipo de abuso.
Nesse ano, porem, junto com os 4 aninhos, vieram algumas caracteristicas muito interessante: ele estah muito mais alerta ao que os outros pensam dele, ele sente necessidade de se ver inserido em um grupo social, ele passou a se "envergonhar" com muito mais facilidade.
Como a gente sempre pergunta tudo para o Kiyo, pouca coisa passa desapercebida. Notei que ha algum tempo Kiyo estava relutante para vestir determinadas roupas (inclusive cuequinhas) pois "todos" iriam rir dele.  No inicio, eu nao fiquei alarmada, achando que era apenas uma desculpa para nao vestir as roupas. Percebi que esses comentarios se tornaram diarios e tambem passei a notar que ele comentava de um ou outro coleguinha que ria dele. Nao ficaria preocupada se nao tivesse notado que esse comentario estava deixando o Kiyo deveras transtornado pela manha e a escolha da roupa para ir a escola estava se tornando um estresse puro para ele (e pra nos tambem).
Conversando com ele, descobrimos que um dos coleguinhas estava rindo deles todos os dias, "debochando" de sua roupa. Decidimos conversar na escola, uma vez que isso claramente nao estava certo se deixava o Kiyo tao incomodado assim. Chegando na escola, conversei com a professora, sem citar o nome do tal menino. Ela entao se abaixou, olhou nos olhos do Kiyo e perguntou a ele quem era. Ele entao disse o nome do menino. A professora disse para ele que nao se preocupasse com o que o menino falava, que a roupa dele era linda pois a mamae e o papai compraram com todo amor para ele. Ela disse tambem que sempre que alguem risse dele, e ele nao gostasse era para contar para ela. A professora tambem me garantiu que iria tratar desse assunto na sala, com todas as criancas. Eu me senti mais amparada nesse sentido, sabendo que tenho uma aliada para olhar o Kiyo nessas 4 horas que ele fica na escola.
Descobri que nao vou poder evitar que o Kiyo seja alvo de chacota ou outros tipos de abusos por parte dos coleguinhas, mas posso evitar que ele se torne uma vitima indefesa. Ele sabe que pode contar conosco, e que estaremos sempre prontos para defende-lo com unhas e dentes.
Em tempo: as escolas aqui na Florida sao legalmente responsaveis em situacoes de bullying se for comprovado que nao houve intervencao para evitar que a vitima sofresse tais abusos. Isso tambem nos dah um pouco mais de tranquilidade.
Beijos
Dani
*Imagem de http://www.neighborhoodlink.com/article/Community/Bullying_Prevention_Program