sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seguranca que transforma...






No dia 03 de novembro fizeram 2 anos que voltamos a morar nos EUA. Nesses 2 anos muita coisa aconteceu. Kiyo ainda nem falava direito quando chegamos aqui. Ele tambem usava fraldas e mamava direto. Nao ia a escola (nem nunca havia ido ateh entao). O mundinho dele era aquilo que ele conhecia de dentro da seguranca do nosso lar. Ele conhecia o fundo do quintal onde brincava com as cadelas. Conhecia a rua onde moravamos e as pessoas que o cumprimentavam todos os dias. Ele sabia que nos entendiamos suas necessidades mesmo que ele nao soubesse como verbaliza-las de forma compreensivel. 
De repente, entramos num aviao grande, ele dormiu e quando acordou tudo era diferente. Ok, a lingua era familiar jah que papai falava com ele em ingles desde o nascimento. Mas o mundo era outro. Os cheiros, os gostos e as cores eram diferentes. Nesse novo mundo tinha praia, tinha areia, tinham parquinhos... mas nao tinham mais aquelas coisas que para ele eram familiares: nao tinha mais Rotti ou Dogui, nao tinha mais vovo e vovoh, nao tinham mais amiguinhos para brincar. Tudo era novidade. 
Nao sei dizer o quanto ele sentiu essa mudanca. Nao sei dizer, pois ele nao mostrou sinal algum de estresse. Acho que isso foi pois ainda tinha a seguranca do papai e da mamae sempre com ele. Um pedacinho do que era familiar tinha vindo junto com ele. E acredito que isso o manteve seguro. De alguma forma, ele sabia que nos estariamos ali com ele para o que desse e viesse. Em momento algum na sua vida ele passou por uma situacao em que tivesse essa certeza abalada. Sempre estivemos ali. Sempre consolamos sua tristeza. Sempre acalantamos seus sonhos. Sempre contavamos a respiracao durante a noite. Mesmo dormindo, estavamos alertas a qualquer mudanca, qualquer parada, qualquer fungada mais profunda. Se durante a noite ele tinha algum sonho assustador, era soh esticar os bracos para lembrar-se que estava seguro entre o papai e a mamae. Encostava as maozinhas uma em cada rosto e voltava a dormir tranquilamente.
Nunca precisou ser consolado por chupeta ou mamadeira, pois a mamae sempre se pos disponivel. Nao precisou ser independente para deixar papai e mamae "a vontade", afinal ainda eh uma crianca que depende sim de seus pais para varias coisas. Ele nunca precisou segurar o choro ao cair ou se machucar durante uma brincadeira, pois ele sabia que estariamos ali para consola-lo. Com isso, ele raramente chora porque caiu ou se machucou. Sempre validamos seus sentimentos, por mais que os motivos nos parecam tolos. Nada eh besteira! E homem chora sim!
Ele obtem sua independencia de forma natural, uma coisa de cada vez, um passo na hora certa, da forma que tem que ser. Cada etapa eh vivida intensamente e nao temos pressa alguma que ele passe de uma para a outra. Queremos ter certeza que ele se transformou no menino que eh sem ser apressado, sem ser forcado a largar esse ou aquele comportamento "infantil". 
Kiyo foi pra escola quando ele pediu insistentemente e assim percebemos que ele estava pronto para essa etapa. Kiyo parou de mamar em livre demanda quando nao mais sentia essa necessidade. Por enquanto ainda sente necessidade de mamar um pouquinho antes de dormir. Conversamos sobre o assunto e ele diz que quer parar, mas que nao eh hoje. Ele fala: "vou parar de mamar na quinta que vem." E eu entendo que ele ainda nao se sente pronto para dar esse passo, e respeito a sua escolha. 
Kiyo desfraldou por completo esse ano, naturalmente, sem impor nada ou ameacar. Ele jah demonstrou interesse em ter a propria cama, mas em momento algum ele indicou interesse em dormir sozinho. Da unica vez que ele falou em dormir sem a gente (por conta dos primos), agimos de forma bem natural. Ele pegou o travesseiro e foi feliz para o quarto do primo. Enquanto eu tomava banho, ele ficou lah e o Jeff no outro quarto. Quando eu sai do banho, vi seus olhinhos arregalados me olhando (e lembrei dos mesmos olhinhos me olhando na maternidade). Perguntei se ele queria dormir ali ou se queria ir dormir comigo, e ele respondeu num salto, agarrou o travesseiro e veio feliz. 
Ele precisou ficar internado no inicio desse ano, por conta de um "desmaio" que acabou nao sendo nada serio. O susto foi grande, mas mesmo nessa hora de apreensao, ele se mostrou seguro. Mamae passou a noite ali ao seu lado, velando seu sono. Papai segurou sua mao na hora em que a enfermeira veio colocar o soro em sua maozinha. Papai e mamae estavam de prontidao aguardando exames, resultados e diagnosticos. Da experiencia, Kiyo lembra da tala que tinha na mao e de como ele brincava que aquilo era o laser do Buzz.
Nao entendo como as pessoas acham que devem "forcar" as criancas a serem independentes quando sao apenas criancas. Ou entao que devem forca-las a largar o peito, porque senao vao ficar "mal acostumadas". Nesses casos, causam mais traumas que beneficios. 
Assim, eu prefiro continuar agindo pelo meu instinto. Prefiro que meu Kiyo tenha sua independencia de forma organica, natural e na hora em que estiver preparado emocionalmente e fisicamente para te-la. 
Continuo acreditando que bebe recem-nascido nao tem que aprender a dormir sozinho, a mamar a cada 3 ou 4 horas, a se acalmar no berco sem o calor do colo da mae. Acredito que filhos precisam de maes e maes precisam de filhos. E por isso eu continuo dando asas ao Kiyo quando ele precisa voar e dando colo quando ele precisa se aninhar.
Em tempo: hoje Kiyo fala pelos cotovelos, compreende tanto ingles quanto portugues (apesar de escolher falar em ingles), corre, anda de bicicleta, desenha, escreve, vai para a escola... faz tudo aquilo que um menino saudavel e seguro de 4 anos e meio faz. E o faz sob os olhos protetores e admirados do papai e da mamae (que babam e se orgulham a cada passo de desenvolvimento que ele dah).

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