sábado, 31 de dezembro de 2011

Licoes de Final de Ano...

Uma das coisas que minha mae sempre me disse eh que nao podemos mudar as acoes de outras pessoas, mas podemos decidir como serao as nossas em relacao a isso. Eh por isso que eu sempre tento ver o lado positivo nas situacoes e tento fazer de situacoes desagradaveis como essa um pouco menos chatas.
Claro que para isso eh preciso encontrar dentro de mim mesma a forca contraria ao tsunami de emocoes negativas que fazem parte desses momentos desagradaveis. A vontade inicial eh ficar me fazendo de vitima. No entanto, poucas coisas no mundo realmente merecem o titulo de desgraca. Entao, por pior que a situacao seja, ha como encontrar um lado positivo (ou pelo menos um lado menos dark).
Depois que o Jeff saiu do hospital, ele precisou receber atendimento domiciliar, antibiotico intravenoso e ficar literalmente de pernas "pro ar". Achamos que iriamos passar o Natal isolados aqui. No entanto, conseguimos ir ateh Saint Augustine passar um tempinho gostoso (apesar de corrido) com as amadas tias, tio, primas e voh postica do Kiyozinho.

Kiyo nem se cabia de alegria ao chegar na casa da tia Elo e do tio Jimmy. Acabamos ficando em um hotelzinho perto da casa, pois a mesma estah em reformas e ficaria tudo muito tumultuado. Mas passavamos a maior parte do dia com eles.
Kiyo andou de bike, jogou bola, correu com as "primas" (uma moca linda de 23 anos e uma vovozinha de quatro patas). Ele tambem ajudou na decoracao da arvore de Natal (que ainda estava guardada devido a reforma), ajudou a fazer cookies para o Papai Noel, brincou mais um pouco com os tios, e arrumou os cookies e leite para o "velhinho" que deveria passar por lah na noite do dia 24 de dezembro.













De noite, no hotel, ele nem queria dormir tamanha era a ansiedade de esperar a manha do dia seguinte para ver se o "velhinho" Nicolau tinha lembrado de passar na casa da tia Elo para lhe deixar presentes debaixo da arvore que decoramos tao bem na vespera. Chegamos logo pela manha na casa da tia Elo e do tio Jimmy e foi lindo de ver os olhinhos redondinhos do Kiyo (meus olhinhos de jabuticaba) brilhando por antecipacao para ver se o papai noel tinha passado por lah, comido os biscoitos e bebido o leite. Tomamos o cafeh da manha e fomos destribuir os presentes. Kiyo ficava deslumbrado a cada pacote aberto. Ele ganhou varios presentes. Sei que isso eh incentivo ao consumismo da epoca, mas ao contrario de muita gente, ele vibrava com TODOS os pacotes: os dele, os dos outros, os brinquedos, as roupas... tudo era recebido com um WOW bem sincero e unico.

Depois de abrir os presentes, Kiyo foi brincar lah fora com o titio Jimmy (seu padrinho) de bola. Ainda depois fomos passear no Alligator Farm, presente das tias. Kiyo aproveitou para andar de bike, correr pra cima e pra baixo, comeu bastante coisas gostosas, riu com as tias, brincou com a prima, correu atras da "outra" prima, cuidou do papai, fez bagunca com o tio Jimmy, levou a Bilu passear com a voh Lillian...
Sei que foi realmente uma bencao esse tempinho que passamos com eles. O Kiyo pode fortalecer seus lacos com os parentes, fazer planos e convidar as tias para virem visita-lo em sua casa.
E o cartao de Natal que recebemos do tio Jimmy e da tia Elo resumiu bem o nosso final de ano: "Fiquei feliz em ver que voces conseguem fazer limonadas dos limoes que a vida lhes dah." E realmente foi isso... no final de tudo, agora no ultimo dia do ano, podemos fazer o balanco: tivemos um ano abencoado em varios aspectos. Eu estou no mestrado, com planos para o doutorado. Jeff deu uma guinada na vida e voltou a estudar, com planos para continuar ateh mestrado - doutorado. Kiyo estah a cada dia com mais jeito de menino-grande. Sinto que meu "baby" jah nao eh mais baby ha tempos. Nesse ano foram varias conquistas: mudamos de casa, fomos ao Brasil, recebemos inumeras visitas, Kiyo aprendeu a escrever seu proprio nome, seus desenhos tomam formas mais concretas, sua fala tambem. Seu temperamento continua docil e amoroso. Ele diariamente demonstra seu amor por nos atraves de gestos, abracos e palavras de carinho. Ele tambem demonstra sua independencia social ao declarar que vai passear com a Voh Lillian e indo (sem papai ou mamae). Nesse ano tambem ele naturalmente desmamou, depois de 4 anos e meio, sem traumas. Fico feliz ao constatar que ainda somos seus melhores amigos, seus melhores parceiros de brincadeira e seu porto-seguro. Espero que no ano de 2012, possamos continuar fazendo varias limonadas maravilhosas (quanto as que fizemos nesse final de ano) e que o Kiyo possa aprender a manter o foco nas coisas importantes da vida: familia, amigos e principalmente AMOR, afinal de todos os dons que podemos ter, esse eh o melhor!


QUE TODOS TENHAM UM ANO NOVO CHEIO DE LIMONADAS REFRESCANTES PARA CELEBRAR!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desmame... natural e sem traumas de verdade!!!

Jah faz algum tempo que o Kiyo parou de mamar durante o dia. Acho que faz mais de um ano. Ele continuava firme na mamada antes de dormir, pedindo toda noite logo apos a historinha. Depois da mamada, ele apagava ateh o dia seguinte.
Quando ele fez 4 anos, essa "mamada" noturna comecou a me incomodar um pouco. Comecei a pensar: "E se os outros estiverem certos e ele nao quiser mais parar de mamar?"; "E se eu fiz tudo errado em deixa-lo mamar por tanto tempo?"; "Serah que eu deveria ter tirado o peito a forca como tanta gente me recomendou?". Tantos "E se"s que eu jah nao tinha mais certeza da real razao pela qual eu tinha persistido na mamada do Kiyo. Serah que ele ficaria mesmo dependente de mim pro resto da vida?
Perguntava ao Kiyo quando ele iria parar de mamar. E ele respondia sem cerimonia: "Semana que vem, mamae!" ou entao "Quinta-feira que vem!"... E assim as semanas passaram, os meses passaram, e o Kiyo continuava lah pedindo toda santa noite pelo seu abencoado mamazinho para dormir. Mamava de estalar a boquinha. Na hora que ele pegava para mamar, eu me sentia a pior pessoa do mundo por perguntar a ele tal coisa. Ele sempre questionava sobre ser um "Big Boy".
A coisa mais ofensiva para ele eh ser chamado de baby! Ele se ofende mesmo. Nao eh baby e por isso nao eh "cute". Talvez essa fosse a sua "briga interna" em relacao ao mamah. No entanto, o mamah sempre prevalecia.
Com o tempo, a sua mamada noturna foi ficando mais curta. Tinha vezes em que ele nao pedia para mamar e acabava dormindo antes de sono. No entanto, na semana do dia 12 de dezembro de 2011, Kiyo decidiu por si soh parar de mamar. Decretou a sua independencia completa do mamah. Nao sei se a mamae aqui, que nessa semana estava atucanada com os acontecimentos (papai no hospital), acabou esquecendo de pergunta-lo ou se ele esqueceu de pedir. Soh sei que foi gradual e naturalmente. Sem traumas mesmo... sem gosto amargo na boca ou na alma. Kiyo nao deu tchau pro mamah. Hoje, por exemplo, ele deu um cheiro no mamah. Mas nao quis mamar como antigamente. Ele simplesmente decidiu que jah era hora.
Quando o Jeff voltou do hospital no sabado, Kiyo contou todo feliz e orgulhoso a nova conquista. Ele agora era oficialmente um "big boy". E melhor de tudo: ele nao precisou passar por traumas de peito negado, carinho ausente e mae nao-disponivel. Ele teve a seguranca de saber que o mamah dele estaria ali na noite, confortando o seu medo e pesadelo por tempo suficiente. Tanto que se sentiu confidente e seguro para decidir quando era a hora de parar. Sem traumas ou "hang-ups".
Beijos a todos,
Dani

sábado, 17 de dezembro de 2011

E quando os planos nao saem como a gente imaginava...



Planejamos nossa ida ao Brasil desde o nosso retorno da visita em junho. Tinhamos combinado que iriamos passar o Natal com todos os nossos queridos e amados. Conseguimos as passagens, e iniciamos a contagem regressiva (como sempre faziamos).
Em outubro, minha mae e a Paula vieram aqui para visitar-nos. Isso ajudou a diminuir um pouco a ansiedade com a "contagem regressiva". Faltava pouco...
Novembro chegou, vieram as provas finais na faculdade (tanto pra mim quanto pro Jeff). Kiyo estava feliz da vida, e nos tambem. Compras de natal, presentes para a familia... Era muita alegria mesmo! Apesar do pouco tempo que ficariamos, era muito bom.
Dezembro chegou, final de semestre. Dedeh (meu querido maninho) veio no dia 06. Fomos andar na praia com ele naquela manha mesmo. Fizemos nosso trajeto normal, nada de diferente. Com o vento que tinha, aguas vivas estavam sendo depositadas na beira. Como sempre, iamos pulando as aguas vivas, virando algumas para mostrar ao Kiyo. Andamos na beirinha da agua, chutando agua pra cima e fazendo uma bagunca gostosa. Depois disso, fomos ao chuveirinho e entao andamos para casa, tudo pelo mesmo caminho, sem desvios, atalhos, nada diferente.
Daih na madrugada do dia 06 para o dia 07 de dezembro, Jeff acordou com muita dor no peh direito. Levantou, foi ao banheiro, acendeu a luz e o dedao estava inchando com um ponto tipo espinha no meio. Ele pensou: "puxa, que droga de agua viva!" Passou sei lah o que no dedo para aliviar a coceira e voltou a dormir. Quinta feira o peh dele estava inchado ateh a metade. Ele foi fazer prova, e nem reclamou nada comigo. Continuei fazendo minhas coisas, ajudando o meu mano a comprar as coisas que precisava. Sexta-feira, Kiyo nao foi a escola. Fomos as compras depois do almoco. O peh do Jeff estava incomodando bastante e a "espinha" tinha aumentado. Sugeri que fossemos ao medico. Jeff, como todo homem, se negou a ir alegando estar tudo bem. E o que eu devia fazer? Amarrar um homem de 48 anos no carro e carrega-lo para o medico?
Enfim, sabado eu levei o Deh pro aeroporto para que ele fosse para o Colorado. Fui com o Kiyo para o "Breakfast with Santa". Chegamos em casa e Jeff estava deitado com o peh pra cima. Dor e inchaco. Domingo fomos almocar no Cici's e daih fomos no Target buscar algumas coisas extras para a viagem. Voltamos para casa e Jeff disse estar com muita dor. Insisti em leva-lo ao hospital (pela enesima vez). "Nao precisa. Vou amanha ao medico." Segunda pela manha, Jeff foi ao medico. O medico deu uma boa olhada na situacao do peh dele e o encaminhou direto para a emergencia. Chegando no hospital, ele ficou internado. Aih comecou a nossa saga "pre-Natal" para descobrir o que tinha realmente acontecido com o Jeff. Varias eram as hipoteses. Na segunda a noite, Jeff disse que achava que poderia sair de lah na manha seguinte, e entao nossos planos de viagem e tudo mais ainda estariam em peh. No entanto, eu tinha cada vez menos certeza que isso seria possivel.
Assim, falei com meus pais para ficarem de sobreaviso sobre a possibilidade de cancelarmos o voo. Apesar de tudo, ainda continuei firme fazendo as malas. Sei lah, a esperanca eh a ultima que morre, nao eh?
Kiyo estava todo triste que papai ficou no hospital. Ficou muito apreensivo com isso tudo. Lembrou de quando ele ficou no hospital. Com isso, ficou ansioso, nervoso e amedontrado com essa nova realidade. Ele comecou teve febre e muita tosse (resfriado que jah vinha mostrando sinais nos dias anteriores). Quando fui dar o anti-termico a ele, voltou tudo. Foi uma cena de filme de terror. Eu, sozinha com o Kiyo vomitando tudo pelo quarto e banheiro. Nao sei de onde tirei forcas para limpar tudo e continuar fazendo as malas depois que ele dormiu.
Terca-feira, dia de nossa suposta viagem, ligo para o hospital logo cedo e Jeff me comunica que nao serah possivel mesmo sair de lah. Os medicos nao sabem exatamente a extensao da infeccao e temem ser MRSA. Por isso, medidas de precaucao foram tomadas e Jeff jah estava em um "pre-tratamento" antibiotico para atacar qualquer infeccao secundaria. Eu estava tentando catar meus pedacinhos para continuar dando o apoio que ele precisava naquela hora, mas estava dificil. Falei com minha mae e contei que realmente nao teria como irmos. A outra opcao inicialmente era de eu ir com o Kiyo antes, e ele ir depois, quando a coisa tivesse passado. No entanto, a situacao do Jeff nao era tao simples quanto imaginavamos, e que se fosse mesmo a tal MRSA, ele poderia inclusive perder o peh. Se ele escolhesse ir ao Brasil assim mesmo, teria que ficar internado lah. Essa decisao nunca foi uma consideracao, pois nao poderia eu pedir isso dele. Nao teria como tira-lo de um lugar onde ele tinha o atendimento certo e leva-lo para um lugar onde o atendimento era incerto. Entao, com meu coracao partindo a cada vez que o Kiyo dizia: "Mamae, nos temos que ir pro Brasil. A voh Ana e o Dudu estao nos esperando lah!", decidi ficar tambem.
Uma vez feita essa decisao, nossa atencao toda voltou-se para a recuperacao total e absoluta do Jeff. Entao ele lembrou que na terca feira (a mesma terca em que fomos a praia com o Andreh), ele foi a noite a faculdade. Na volta passou por umas folhas secas que teimaram em "grudar" no seu dedao do peh direito. Numa tentativa instintiva de retirar as folhas, ele esfregou o outro peh em cima. Acreditamos que nessa ele esmagou uma aranha marrom (aqui conhecida como Brown Recluse Spider), muito comum em jardins e parques aqui no sul dos EUA.
Na quarta a noite, Jeff foi submetido a uma pequena cirurgia para drenar o dedo e retirar toda a infeccao. Foram quase 3 horas de cirurgia com direito a anestesia geral e 8 medicos participando. Ou seja, nao foi coisa pouca de forma alguma. Quinta-feira veio e foi numa cansativa espera por noticias.
Em casa, nossa vida estava de pernas pro ar. Ainda nao tinha tido coragem de desfazer as malas que estavam alinhadas na porta da sala. Kiyo continuava com uma tosse bem feia, mas apos leva-lo ao medico, confirmei que era apenas um resfriado. Depois disso, ele milagrosamente nao teve mais nenhum episodio de febre. Foi bom ouvir do medico que febre nao eh ruim, mas sinal de que o corpo estah combatendo alguma coisa (bacteria ou virus). Entao, nao preciso mesmo ficar medicando a cada sinalzinho de febre. Coisa que eu jah sabia, mas eh sempre bom ouvir isso de alguem "com autoridade".


Sexta-feira, e nada do Jeff receber alta. Fui com o Kiyo a sua escolinha para ver o Santa Claus. Kiyo, como era de se esperar, ficou bem grudado em mim. Eu nao podia me mexer que ele se grudava na minha perna. Fiquei com ele, fazendo atividades de artesanato na escola ateh que ele relaxou. Fomos ver o Papai Noel, e tiramos muitas fotos. Foi bem gostoso ver o Kiyo se divertindo com seus amiguinhos. Eu jah tinha conversado com ele que precisaria ir ateh o hospital para conversar com o medico do "papai" e que ele nao poderia ir comigo, pois nao queria que ele ficasse doente com o bicho que pegou o papai. Ele estava tao euforico com a ideia do papai noel e os coleguinhas, que nem percebeu quando eu dei tchau para me ausentar momentaneamente e ir ateh o hospital.

Chegando lah, Jeff tinha sido mudado de quarto. Confirmaram a tal MRSA, e isso significava 2 semanas de antibiotico intra-venoso + atendimento de enfermaria especializada em casa.
Voltei correndo pra escolinha do Kiyo. Seus olhinhos brilharam quando me avistou na porta da sala com seu prato. Sentei e comi com ele. Ficamos ali por um tempo e depois fomos ateh o parquinho. Kiyo se esbaldou de brincar com varias criancas desconhecidas. Demos uma voltinha no shopping e logo voltamos pra casa. Banho, janta e cama. Mas com tantas coisas acontecendo, Kiyo custou a dormir novamente. Jeff nao teria alta naquela noite.
Sabado pela manha, Jeff me liga dizendo que estao apenas aguardando o OK dos enfermeiros que virao em casa. Kiyo e eu passamos o dia em casa. Eu, limpando e lavando roupas; Kiyo, assistindo seus filmes, pulando na cama elastica e correndo atras de mim. Confesso que com tudo isso, minha paciencia tem estado meio curta e acabei estourando com ele algumas vezes. Aquela coisa de que a crianca sente exatamente como estamos nos sentindo me caiu como uma luva essa semana. Quanto mais estressada eu estava, mais o Kiyo me desafiava. Por algumas vezes eu realmente tive que segurar o impeto de dar-lhe umas palmadas.

Certamente que seriam "justificadas" socialmente, mas de forma alguma estariam justificadas na tristeza estampada nos olhos dele. Durante essa semana toda, eu o abracei bastante. No meio disso tudo, ele tinha eu e eu tinha ele. E essa convivencia tao intensa gera alguns estresses, mas eh muito muito muito boa.

Jeff voltou pra casa hoje (sabado, dia 17/12) as 18 horas. Kiyo tava que nem se cabia de felicidade de ver o papai dele voltando pra casa. Essa noite, apesar de ainda ser tarde, o ritmo dele parece que voltou a entrar nos eixos. Ele pode dar boa noite ao papai, como faz toda noite. Pudemos ler uma historia antes dele dormir.
Nessa semana tambem, ele assumiu a sua identidade de "big boy" e parou de pedir para mamar antes de dormir. Quando o Jeff chegou em casa, ele contou todo orgulhoso a nova vitoria. "Papai, eu nao preciso mais mamar, pois eu sou um Big Boy!".
E assim foi a nossa semana. Totalmente PUNK-ROCK, muito intensa e em certo ponto transformadora. Nao pudemos ir ao Brasil, e isso me deixa muito triste ainda. Mas sei que "vao-se os Natais e ficam-se os dedos!" (literalmente). Nossos planos nao se concretizaram como imaginavamos. Nao poderemos viajar para lugar algum por algumas semanas, pois Jeff precisa desse atendimento diario especializado. Mas dou gracas a Deus por nao nos ter permitido viajar na terca que passou com o Jeff na situacao em que se encontrava. E tendo em vista os outros inumeros Natais que poderemos passar junto com a familia, esse foi apenas um obstaculo frustrante para nos fortificar ainda mais enquanto familia.
Obrigada a todos que se prontificaram a nos ajudar, a todos que oraram pela recuperacao do Jeff, e a todos que me aguentaram durante essa semana. Amo todos voces!!!
Beijos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A idade da imaginacao e o aparecimento dos medos: como lidar com isso???


Kiyo sempre foi um menino corajoso. Ele nao tinha medo de escuro, nao tinha medo de barulhos de chuva ou trovao, nunca ficou apavorado com o "homem do saco" ou a "cuca", o "saci"... Isso, muito provavelmente, porque nunca o assustamos com esses personagens. Ele sempre demonstrou muita seguranca ao chegar na casa dos outros. Quando ele foi pela primeira vez na escola, ele nos deu tchau, pegou a mao da professora e foi para dentro, sem nem olhar para tras. Ateh hoje ele sobe em arvores sem qualquer pavor. Pega insetos no chao. Anda de bicicleta melhor que a mamae...
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No entanto, de uns tempos para cah ele tem demonstrado um certo receio de ir ao banheiro sozinho e mesmo durante o dia, ele pede para que o acompanhemos ateh lah. Ele fala de monstros e homens maus. E seus "medos" calharam com o desenvolvimento (exponencial) de sua imaginacao. Ele estah na fase de inventar historias para a hora de dormir. Ele conta historias interminaveis de monstros e herois e meninos. Ele conta suas historias misturando a sua realidade (os coleguinhas e a professora) com a sua imaginacao (o Superman, o Spiderman, os Kratt Brothers...). Com tanta imaginacao, ele tem se impressionado muito com filminhos que antes pareciam inoquos. De repente Nemo virou coisa assustadora por conta da primeira cena em que a barracuda "come a mae dele". E com tanta imaginacao tambem, ele estah associando essas coisas conosco. Tem medo de se perder da gente, da gente morrer, e de algo muito horrivel acontecer. O Jeff assistiu com ele um programa da Nature, onde a onca-mae foi capturada e "tirada" de seus filhotes. Resultado: alguns dias de Kiyo grudado em mim, com um medo irracional de me perder de vista. Depois disso, pegamos um filme que (a principio) me parecia tranquilo. "Mars needs Mom" (Marte precisa de Maes) da Disney. Nem tinha me passado pela cabeca que no filme a mae do menino eh abduzida por alienigenas. E aih, bora lah tudo de novo. Tah, eu sei... o erro foi nosso. Deveriamos prestar mais atencao ao que ele assiste. Mesmo assistindo a coisa com ele, e afirmando que aquilo eh soh um filme e que isso nao vai acontecer comigo, nao adianta. A cena jah estah gravada no seu sub-consciente. Resultado: cena de choro e medo de separacao na escola por uma semana inteira, coisa que ele nunca (NUNCA MESMO) fez. Eu sai da escola com o coracao partido (bem feito pra mim, quem mandou pegar o filme) e o Kiyo em 5 minutos jah brincava tranquilamente.

Meu dilema: como lidar com isso? Agora que aprendemos a licao, nao vamos deixa-lo assistir a nada novo sem antes assistir e analisar o conteudo. Mas ateh onde isso eh somente relacionado ao que ele assiste? Como amenizar esse stress de separacao que ele demonstra. Nao quero reforcar o comportamento, mas nao quero diminuir o sentimento dele. Nao quero, nem por um segundo, que ele pense que o que ele sente eh insignificante ou besteira. E assim, nao sei o que fazer.

Enfim... dilemas, dilemas! O que vamos fazer? Nao sei. Por enquanto, o que estou fazendo eh recitar o famoso "mantra materno": "Vai passar!

Beijos a todas,
Dani