sábado, 17 de dezembro de 2011

E quando os planos nao saem como a gente imaginava...



Planejamos nossa ida ao Brasil desde o nosso retorno da visita em junho. Tinhamos combinado que iriamos passar o Natal com todos os nossos queridos e amados. Conseguimos as passagens, e iniciamos a contagem regressiva (como sempre faziamos).
Em outubro, minha mae e a Paula vieram aqui para visitar-nos. Isso ajudou a diminuir um pouco a ansiedade com a "contagem regressiva". Faltava pouco...
Novembro chegou, vieram as provas finais na faculdade (tanto pra mim quanto pro Jeff). Kiyo estava feliz da vida, e nos tambem. Compras de natal, presentes para a familia... Era muita alegria mesmo! Apesar do pouco tempo que ficariamos, era muito bom.
Dezembro chegou, final de semestre. Dedeh (meu querido maninho) veio no dia 06. Fomos andar na praia com ele naquela manha mesmo. Fizemos nosso trajeto normal, nada de diferente. Com o vento que tinha, aguas vivas estavam sendo depositadas na beira. Como sempre, iamos pulando as aguas vivas, virando algumas para mostrar ao Kiyo. Andamos na beirinha da agua, chutando agua pra cima e fazendo uma bagunca gostosa. Depois disso, fomos ao chuveirinho e entao andamos para casa, tudo pelo mesmo caminho, sem desvios, atalhos, nada diferente.
Daih na madrugada do dia 06 para o dia 07 de dezembro, Jeff acordou com muita dor no peh direito. Levantou, foi ao banheiro, acendeu a luz e o dedao estava inchando com um ponto tipo espinha no meio. Ele pensou: "puxa, que droga de agua viva!" Passou sei lah o que no dedo para aliviar a coceira e voltou a dormir. Quinta feira o peh dele estava inchado ateh a metade. Ele foi fazer prova, e nem reclamou nada comigo. Continuei fazendo minhas coisas, ajudando o meu mano a comprar as coisas que precisava. Sexta-feira, Kiyo nao foi a escola. Fomos as compras depois do almoco. O peh do Jeff estava incomodando bastante e a "espinha" tinha aumentado. Sugeri que fossemos ao medico. Jeff, como todo homem, se negou a ir alegando estar tudo bem. E o que eu devia fazer? Amarrar um homem de 48 anos no carro e carrega-lo para o medico?
Enfim, sabado eu levei o Deh pro aeroporto para que ele fosse para o Colorado. Fui com o Kiyo para o "Breakfast with Santa". Chegamos em casa e Jeff estava deitado com o peh pra cima. Dor e inchaco. Domingo fomos almocar no Cici's e daih fomos no Target buscar algumas coisas extras para a viagem. Voltamos para casa e Jeff disse estar com muita dor. Insisti em leva-lo ao hospital (pela enesima vez). "Nao precisa. Vou amanha ao medico." Segunda pela manha, Jeff foi ao medico. O medico deu uma boa olhada na situacao do peh dele e o encaminhou direto para a emergencia. Chegando no hospital, ele ficou internado. Aih comecou a nossa saga "pre-Natal" para descobrir o que tinha realmente acontecido com o Jeff. Varias eram as hipoteses. Na segunda a noite, Jeff disse que achava que poderia sair de lah na manha seguinte, e entao nossos planos de viagem e tudo mais ainda estariam em peh. No entanto, eu tinha cada vez menos certeza que isso seria possivel.
Assim, falei com meus pais para ficarem de sobreaviso sobre a possibilidade de cancelarmos o voo. Apesar de tudo, ainda continuei firme fazendo as malas. Sei lah, a esperanca eh a ultima que morre, nao eh?
Kiyo estava todo triste que papai ficou no hospital. Ficou muito apreensivo com isso tudo. Lembrou de quando ele ficou no hospital. Com isso, ficou ansioso, nervoso e amedontrado com essa nova realidade. Ele comecou teve febre e muita tosse (resfriado que jah vinha mostrando sinais nos dias anteriores). Quando fui dar o anti-termico a ele, voltou tudo. Foi uma cena de filme de terror. Eu, sozinha com o Kiyo vomitando tudo pelo quarto e banheiro. Nao sei de onde tirei forcas para limpar tudo e continuar fazendo as malas depois que ele dormiu.
Terca-feira, dia de nossa suposta viagem, ligo para o hospital logo cedo e Jeff me comunica que nao serah possivel mesmo sair de lah. Os medicos nao sabem exatamente a extensao da infeccao e temem ser MRSA. Por isso, medidas de precaucao foram tomadas e Jeff jah estava em um "pre-tratamento" antibiotico para atacar qualquer infeccao secundaria. Eu estava tentando catar meus pedacinhos para continuar dando o apoio que ele precisava naquela hora, mas estava dificil. Falei com minha mae e contei que realmente nao teria como irmos. A outra opcao inicialmente era de eu ir com o Kiyo antes, e ele ir depois, quando a coisa tivesse passado. No entanto, a situacao do Jeff nao era tao simples quanto imaginavamos, e que se fosse mesmo a tal MRSA, ele poderia inclusive perder o peh. Se ele escolhesse ir ao Brasil assim mesmo, teria que ficar internado lah. Essa decisao nunca foi uma consideracao, pois nao poderia eu pedir isso dele. Nao teria como tira-lo de um lugar onde ele tinha o atendimento certo e leva-lo para um lugar onde o atendimento era incerto. Entao, com meu coracao partindo a cada vez que o Kiyo dizia: "Mamae, nos temos que ir pro Brasil. A voh Ana e o Dudu estao nos esperando lah!", decidi ficar tambem.
Uma vez feita essa decisao, nossa atencao toda voltou-se para a recuperacao total e absoluta do Jeff. Entao ele lembrou que na terca feira (a mesma terca em que fomos a praia com o Andreh), ele foi a noite a faculdade. Na volta passou por umas folhas secas que teimaram em "grudar" no seu dedao do peh direito. Numa tentativa instintiva de retirar as folhas, ele esfregou o outro peh em cima. Acreditamos que nessa ele esmagou uma aranha marrom (aqui conhecida como Brown Recluse Spider), muito comum em jardins e parques aqui no sul dos EUA.
Na quarta a noite, Jeff foi submetido a uma pequena cirurgia para drenar o dedo e retirar toda a infeccao. Foram quase 3 horas de cirurgia com direito a anestesia geral e 8 medicos participando. Ou seja, nao foi coisa pouca de forma alguma. Quinta-feira veio e foi numa cansativa espera por noticias.
Em casa, nossa vida estava de pernas pro ar. Ainda nao tinha tido coragem de desfazer as malas que estavam alinhadas na porta da sala. Kiyo continuava com uma tosse bem feia, mas apos leva-lo ao medico, confirmei que era apenas um resfriado. Depois disso, ele milagrosamente nao teve mais nenhum episodio de febre. Foi bom ouvir do medico que febre nao eh ruim, mas sinal de que o corpo estah combatendo alguma coisa (bacteria ou virus). Entao, nao preciso mesmo ficar medicando a cada sinalzinho de febre. Coisa que eu jah sabia, mas eh sempre bom ouvir isso de alguem "com autoridade".


Sexta-feira, e nada do Jeff receber alta. Fui com o Kiyo a sua escolinha para ver o Santa Claus. Kiyo, como era de se esperar, ficou bem grudado em mim. Eu nao podia me mexer que ele se grudava na minha perna. Fiquei com ele, fazendo atividades de artesanato na escola ateh que ele relaxou. Fomos ver o Papai Noel, e tiramos muitas fotos. Foi bem gostoso ver o Kiyo se divertindo com seus amiguinhos. Eu jah tinha conversado com ele que precisaria ir ateh o hospital para conversar com o medico do "papai" e que ele nao poderia ir comigo, pois nao queria que ele ficasse doente com o bicho que pegou o papai. Ele estava tao euforico com a ideia do papai noel e os coleguinhas, que nem percebeu quando eu dei tchau para me ausentar momentaneamente e ir ateh o hospital.

Chegando lah, Jeff tinha sido mudado de quarto. Confirmaram a tal MRSA, e isso significava 2 semanas de antibiotico intra-venoso + atendimento de enfermaria especializada em casa.
Voltei correndo pra escolinha do Kiyo. Seus olhinhos brilharam quando me avistou na porta da sala com seu prato. Sentei e comi com ele. Ficamos ali por um tempo e depois fomos ateh o parquinho. Kiyo se esbaldou de brincar com varias criancas desconhecidas. Demos uma voltinha no shopping e logo voltamos pra casa. Banho, janta e cama. Mas com tantas coisas acontecendo, Kiyo custou a dormir novamente. Jeff nao teria alta naquela noite.
Sabado pela manha, Jeff me liga dizendo que estao apenas aguardando o OK dos enfermeiros que virao em casa. Kiyo e eu passamos o dia em casa. Eu, limpando e lavando roupas; Kiyo, assistindo seus filmes, pulando na cama elastica e correndo atras de mim. Confesso que com tudo isso, minha paciencia tem estado meio curta e acabei estourando com ele algumas vezes. Aquela coisa de que a crianca sente exatamente como estamos nos sentindo me caiu como uma luva essa semana. Quanto mais estressada eu estava, mais o Kiyo me desafiava. Por algumas vezes eu realmente tive que segurar o impeto de dar-lhe umas palmadas.

Certamente que seriam "justificadas" socialmente, mas de forma alguma estariam justificadas na tristeza estampada nos olhos dele. Durante essa semana toda, eu o abracei bastante. No meio disso tudo, ele tinha eu e eu tinha ele. E essa convivencia tao intensa gera alguns estresses, mas eh muito muito muito boa.

Jeff voltou pra casa hoje (sabado, dia 17/12) as 18 horas. Kiyo tava que nem se cabia de felicidade de ver o papai dele voltando pra casa. Essa noite, apesar de ainda ser tarde, o ritmo dele parece que voltou a entrar nos eixos. Ele pode dar boa noite ao papai, como faz toda noite. Pudemos ler uma historia antes dele dormir.
Nessa semana tambem, ele assumiu a sua identidade de "big boy" e parou de pedir para mamar antes de dormir. Quando o Jeff chegou em casa, ele contou todo orgulhoso a nova vitoria. "Papai, eu nao preciso mais mamar, pois eu sou um Big Boy!".
E assim foi a nossa semana. Totalmente PUNK-ROCK, muito intensa e em certo ponto transformadora. Nao pudemos ir ao Brasil, e isso me deixa muito triste ainda. Mas sei que "vao-se os Natais e ficam-se os dedos!" (literalmente). Nossos planos nao se concretizaram como imaginavamos. Nao poderemos viajar para lugar algum por algumas semanas, pois Jeff precisa desse atendimento diario especializado. Mas dou gracas a Deus por nao nos ter permitido viajar na terca que passou com o Jeff na situacao em que se encontrava. E tendo em vista os outros inumeros Natais que poderemos passar junto com a familia, esse foi apenas um obstaculo frustrante para nos fortificar ainda mais enquanto familia.
Obrigada a todos que se prontificaram a nos ajudar, a todos que oraram pela recuperacao do Jeff, e a todos que me aguentaram durante essa semana. Amo todos voces!!!
Beijos

3 comentários:

Ana Carolina disse...

Queridos!
Agora que o pior já passou, aproveitem a semana para descansar e curtir uns aos outros. Foi bem frustrante também para nós mas, a gente é adulto, entende e aceita os desapontamentos.
O que realmente fica, é o amor que sentimos dentro de nós, que faz com que estejamos todos unidos, como se realmente não existisse nem mesmo a distância física que nos separa por um momento.
Em breve, estaremos todos juntos novamente (pessoalmente), e tenho certeza que aproveitaremos bem esse tempo. Beijos milhões a vocês, que souberam ultrapassar com muita coragem esse problema: o Jeff, pela paciência em ficar por praticamente uma semana, imóvel, num leito de hospital. À Dani, pela coragem e amor sem limites. Ao Kiyo, pela percepção de que também já é um Big BOY. Fiquei muito orgulhosa de vocês.....

Julia disse...

Meus amados

Estou muito orgulhosa de vocês também. Essas coisas só aparecem para nos fortificar e vocês superaram isso muito bem!
Tenham a certeza que estamos orando por vocês e que estaremos juntos sempreee (e com dedos lindos,kkk)
Amamos vocês muitoooooo

Ju, Du e CAe

As peripécias do José Guilherme disse...

Puxa Dani, coloca Punk nessa história! Que bom que tudo deu certo e aproveitem esse tempinho de molho para ficarem ainda mais juntinhos!!
Um ótimo natal para vocês!!!!