sábado, 4 de fevereiro de 2012

Medos e cuidados e culpas...



Durante os 4 anos e 8 meses do Kiyo, eu posso dizer que estou ainda aprendendo a lidar com esse tsunami emocional que toma conta de mim quando o Kiyo se machuca, fica doente, ou simplesmente estah tristinho sem motivo aparente. Depois do episodio que nos levou para o hospital (esse aqui), eu achei que estava dando conta desses sustos maternos. Teve um dia que o Kiyo caiu e bateu a cabeca, e eu dei conta do recado de forma bem legal e tranquila. Teve outra vez que (quando o Jeff foi parar no hospital) o Kiyo passou mal e vomitou jatos. Eu estava sozinha e consegui dar conta tambem. Logico que fiquei com medo, assustada e preocupadissima, mas na pratica eu dei conta do recado. Tudo ia muito bem quando de repente...
Ha uns 15 dias atras estavamos todos em casa. Era feriado do Martin Luther King Jr, mas Jeff e eu estavamos finalizando algumas atividades academicas. Kiyo, como sempre, correndo pra cima e pra baixo, falando sem parar... Ele escutou a vizinha do andar de cima saindo de casa e disse: "Mamae, eu vou dar oi pra Joanna". Eu disse que tudo bem, mas que era para ele voltar logo e nao ficar andando pra cima e pra baixo. *Nos nao somos aqueles pais super protetores que nao deixam o filho dar um passo sozinho. Kiyo aprendeu desde cedo que nao pode ir na rua sozinho e nao pode sair de perto da gente em locais publicos. Fora alguns episodios de se "perder" em lojas (porque estah brincando e se distrai), nunca tivemos problemas quanto a isso. Se ele queria andar de bike, nao viamos mal algum em deixa-lo andar na varanda do predio enquanto eu fazia janta. Ou se ele pedia para conversar com uma vizinha, nao viamos problema em deixa-lo a vontade.*
Ele foi ateh a porta do apartamento dela e ficou um tempinho conversando com a vizinha. De repente escutamos um barulho horrivel que tremeu o predio todo. A vizinha deu um grito. Jeff saiu correndo e eu senti aquele buraco no meu coracao se abrindo. Corri pra fora. O Kiyo estava bem. Nao tinha sido nada com ele. A outra vizinha havia torcido o peh e caiu de cara no pavimento. Depois que tudo passou, fiquei me sentindo horrivel pela cara de alivio que devo ter feito ao constatar que nao era o Kiyo que havia despencado da escada ou (pior) do segundo andar. Fiquei tremendo por um bom tempo. Pensei, e se o Kiyo tivesse caido? O que a gente faria??? Gracas a Deus que nao foi e que a vizinha que caiu nao se machucou muito seriamente.
Depois de 15 dias, quando eu me lembro daquele barulho horrivel, abre em meu coracao aquele buraco novamente. Uma angustia tsunamica me domina e eu soh consigo abracar o Kiyo e dizer que o amo. Nao preciso nem dizer que depois dessa nao deixamos o Kiyo ir na varanda sem estar monitorado. Nao viamos mal algum antes, mas percebemos que o perigo eh maior do que a gente imaginava. Ele eh um menino aventureiro e cheio de energia. Ele adora subir nas coisas, pular e tal. Ainda nao tem discernimento para diferenciar um lugar perigoso de outro que nao seja. Os vizinhos aqui sao muito legais. Talvez por isso que eramos tao tranquilos com deixar o Kiyo brincar na varanda e ficar apenas com os ouvidos atentos. No entanto, percebemos que eh importante manter os olhos atentos quando se tem um menininho serelepe por volta.
Nao sei porque o buraco insiste em se alojar dentro de mim cada vez que lembro do incidente com a vizinha. Nada aconteceu com o Kiyo. Ele estah lah inteirinho dormindo no quarto com o Jeff, e meu coracao (soh de lembrar disso) jah estah miudo. Acho que esse buraco tem a ver com a sensacao de culpa que me abateu na hora que ouvi o tombo da vizinha. Se tivesse sido o Kiyo, a culpa seria toda minha e do Jeff por nao estar com ele, cuidando para que nao houvessem perigos eminentes. Logico que a nossa presenca nao diminui em nada as chances dele se machucar mais seriamente. Afinal de contas, criancas sao criancas.
A mim, como mae, resta apenas cuidar. Cuidar para nao me paralizar pelo medo. Preciso cuidar para que situacoes como essa nao diminuam a minha certeza de ser a melhor mae que o Kiyo poderia ter. E cuidar principalmente para nao permitir que o meu medo e sentimento de culpa sejam agentes podadores da liberdade e autenticidade do Kiyo.
E quando esse buraco aparecer novamente ardendo dentro do meu peito, que eu consiga transforma-lo em forca para dissipar o medo daquilo que nem aconteceu.

 

3 comentários:

Stheffany disse...

Nossa, Dani, que texto intenso!
De repente me parece que ser mãe é tão difícil!!!
Eu até começo a ficar com um medinho...
Que Deus nos abençoe pra que consigamos mesmo ser as melhores mães que pudermos ser e que a culpa fique do lado de fora!

Beijos!

DaniSapoo disse...

Stheffy,
Tenho certeza de que somos. E a culpa faz parte do pacote (eu acho). O negocio eh saber lidar com ela.
De noite, depois do ocorrido com a vizinha, eu fiquei abracando e beijando o Kiyo sem parar e ele (tadinho) nao entendeu foi nada!
Beijao

Karine Helmer disse...

A vontade que dá é de deixa-los grudadinhos conosco protengendo-os para que nada de ruim aconteça. Pena que não somos oniscientes!