quarta-feira, 13 de junho de 2012

Escolhas... direito de todos!

Existem muitas decisões que fazemos na vida. Tudo parece ser uma moeda de troca: ou isso ou aquilo, esse é melhor que aquele... Até programas de TV foram feitos onde o telespectador decidia o final. Escolhas, escolhas, escolhas...
Quando crianças, escolhemos os coleguinhas. Na juventude, escolhemos um parceiro (ou parceira) para a vida toda. Escolhemos ser ou não ser pais. E como em tudo que temos que decidir, sempre tem um grupo, uma autoridade, um especialista que nos diga que escolhemos tudo errado. Afirmam do alto dos seus pedestais que existe uma fórmula matemática pela qual todos os seres humanos devem passar a fim de serem bem sucedidos, realizados e felizes. E concluem que fazendo escolhas alternativas às normas, saindo do molde, fugindo da Matrix, estamos nos condenando a uma vida infeliz. Quando um filho (seja ele ainda feto na barriga ou já nascido), a condenação se estende para o pequeno que depende tanto daquilo que nós, pais, escolhemos.
Mas espera um pouco... se escolher é algo tão importante assim, se a escolha pode decidir a vida de alguém (nós mesmos e os filhos), qual a lógica em aceitar piamente aquilo que alguém (que normalmente não tem nada a ver com o peixe) está dizendo? E mais, aceitar como verdade absoluta sem direito de questionamento ou avaliação alguma. Quem que em posse de todas as faculdades mentais pode deixar na mão de um terceiro (ou quarto, ou quinto) a história de sua própria vida? Quem melhor do que nós mesmos para protagonizar nossa própria história?
No domingo, o fantastico apresentou uma matéria sobre o parto domiciliar. No meu ponto de vista, a matéria foi superficial e tendenciosa. Não exatamente condenou o parto em casa, mas "alertou" gestantes e mulheres em geral que parir em casa só serve para quem tem a gestação perfeita. Para a grande maioria dos telespectadores do programa, esse simples alerta afirma (em meias palavras) que pouquíssimas mulheres são realmente capazes de parir. E as chances de que elas não possam ter o parto natural humanizado diminui exponencialmente. Daí, o programa colocou pessoas a favor do PD para falar, mas não lhes deu o tempo necessário para desmistificar a idéia que "parto é um procedimento que a mulher não pode se meter e que quem decide é o doutor". Ao contrário, abriu espaço para que conselhos regionais de medicina se metam exatamente no que não lhes diz respeito: na escolha de parir (e onde parir). E essa intervenção é ainda mais perniciosa. A mulher ainda "pode" (teoricamente) parir em casa, mas não pode ser assistida por um profissional especializado. Isso quer dizer que: "você pode até ter seu filho em casa, mas está sozinha." E isso é o que mais assusta as pessoas. Isso é terrorismo dos mais nojentos. Privar uma pessoa de assistência se esta não estiver no local "tradicional" para atendimento ainda que o local "alternativo" seja muito mais acolhedor e proporcione mais garantias de um parto bem sucedido é fazer terrorismo psicológico com a saúde e os direitos de escolha dos cidadãos.
Nos dias 16 e 17 de junho acontecerão Marchas pelo Parto em Casa por todo Brasil. Esse movimento é em prol do direito de escolha da mulher em parir em casa, no hospital, na casa de parto... e o direito dela receber assistência se assim preferir sem que o profissional seja punido de forma alguma.
Eu, pessoalmente, não poderei participar visto que moro nos EUA. No entanto, eu apoio e convido a todos os que acompanham esse blog a apoiar, não necessariamente o Parto Domiciliar - se isso é muito estranho para você, mas apoiar o Direito de Escolha que todos prezamos e queremos que nos seja garantido.



2 comentários:

Babisenberg disse...

É ridículo né Dani, como será que os nossos antepassados faziam quando ainda nao existiam hospitais e médicos?!! É muita ganância desse povo, eles nao estao nem aí pra ninguém, eles querem é o dinheiro!!

DaniSapoo disse...

É ridículo sim, Babi... Mas eu acho que é também vergonhoso e até certo ponto criminoso quando eles descaradamente mentem às mães só para satisfazer uma conveniência deles mesmos. Pior ainda é que quando esse tipo de abuso causa risco à gestante e bebê, nada acontece e a família ainda sai com a ilusão de que o "dotor" foi um herói.