domingo, 8 de julho de 2012

Independência adquirida sem atropelar etapas




Quando o Kiyo nasceu, eu ouvi inúmeras vezes que era preciso deixá-lo dormir sozinho e que não era bom ficar pegando no colo a cada vez que ele resmungasse. "Ele precisa aprender a ser independente", diziam algumas pessoas. "Ele vai ficar manhoso e você vai sofrer depois", outras palpitavam. No início, esses "conselhos" oferecidos sem cerimônia me deixavam confusa. Eu, mãe de primeira viagem, tinha uma série de pré-conceitos próprios sobre a maternidade e o que era apropriado fazer ou não com o bebê. "Deus me livre ficar refém de um pequeno ditador", ouvia várias vezes ecoando no meu sub-consciente.
Com o tempo, aprendi a ouvir meus instintos e principalmente a respeitar a relação que estava criando com o Kiyo. Aprendi a ouvir suas necessidades e entender que elas não eram artimanhas que ele mirabolava para "conseguir o que queria". Elas eram reais e legítimas. Aprendi o valor de uma "cara de paisagem" quando pela enésima vez me via obrigada a explicar minhas razões e decisões. Aprendi a ser incisiva nas minhas decisões em como agir com o Kiyo.
E assim, nesses cinco anos de vida, o Kiyo teve muito colo, muito carinho, muito mamá no peito, muita cama compartilhada, muito respeito. Ele também teve suas frustrações respeitadas e suas indagações respondidas (na medida do meu possível). Ele pôde ficar em casa com o papai e mamãe, sem pressa de iniciar sua vida "escolar". Ele pode usar fraldas até que ele estivesse pronto para o desfralde. O desmame foi natural e no tempo dele. E a hora de dormir ainda é compartilhada.
Há os que cismem em dizer que ele é muito grudado na gente (principalmente comigo). Há os que olhem nossa dinâmica e achem o Kiyo "dependente demais". Olhando o Kiyo hoje, empolgadíssimo em me ajudar a lavar a louça e fazer uma forma de Brownies, não consigo concordar com esses comentários.

Eu não consigo entender que pressa é essa em ter os filhos independentes, atropelando etapas tão importantes na vida deles. E afinal, o que é ser independente? É não precisar dos pais NUNCA e PRA NADA? Então qual é a função dos pais nesse caso?
Não posso falar da vida de ninguém, nem tampouco da forma como cada um decide criar os filhos que Deus lhes deu. Só posso falar por mim, e não troco a relação que eu e o Kiyo temos por noite de sono alguma. Ele tem apenas 5 anos, e sua independência (ou dependência) condiz com a sua idade. Ele pode desbravar o seu mundo (real ou imaginário) e voltar correndo para se aninhar no meu colo à noite antes de dormir. Todas as vezes que isso acontecer, estarei aqui com o colo pronto para recebê-lo.


5 comentários:

Julia disse...

Aprendi que essa questão é realmente engraçada... Vivemos empurrando crianças para uma "independência" cujos resultados futuros serão apenas de insegurança, de medo e de ansiedade. Realmente válida sua pergunta "o que é ser independente?". Eu mesma assumo que sou depende de uma série de coisas. Fico feliz que os pequenos são dependentes de nós, de quem mais seria? Quem pode conduzir-lhes nesse mundo? Grata pela postagem, feliz que busca compartilhar esses momentos com a gente, eu ao menos aprendo muitooo!
Beijos

Genis disse...

Filho pertinho da gente, com muito dengo e amor!
Adoro e crio assim!

Bjus, Genis
http://mamaegenis.blogspot.com.br/
http://blogdagenis.blogspot.com.br/

*Te conheci lá no Minha mãe que disse.

DaniSapoo disse...

Então Ju...
Eu sou dependente também. A segurança que eles sentem enquanto crianças os acompanhará pela vida toda. É assim que eu vejo. E deixar que os filhos adquiram esta independência no tempo deles é o que me parece natural. O resto é forçar a barra. Já tentou tirar o bolo do forno antes da hora?

DaniSapoo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DaniSapoo disse...

Genis...
Obrigada pela visita. Apareça mais vezes e comente também. Beijos...