domingo, 23 de setembro de 2012

Para o Kiyo: conselhos que soh uma mae pode dar...


Pouco antes do Kiyo fazer 5 anos, eu escrevi esse texto (em ingles) para ele. Hoje senti a necessidade de traduzi-lo e coloca-lo aqui. Como pais, a gente sempre deseja o melhor para nossos filhos. Eu acho importante que os ensinemos valores que vao carregar para a vida toda. E que nunca esquecam que, por maiores que sejam, e por mais independente que tenham se desenvolvido, ainda serao sempre nossos bebes. Eis os meus conselhos para o Kiyo...

Oi meu amor,
Voce estah com quase 5 anos. Jah vai para a escola e jah consegue escrever seu proprio nome. Viu soh como as coisas acontecem rapido? Algumas vezes nao consigo acreditar quao grande voce estah. Toda noite, quando olho para voce, ainda vejo o bebe que insistia em me olhar (mesmo no escuro) no hospital, na noite em que voce nasceu. Ainda consigo reconhecer em seus olhos o mesmo brilho que me olhava curiosamente, como se tentasse me reconhecer.
Agora que voce jah eh um menino grande, gostaria de compartilhar contigo algumas coisas que eu acho que voce deveria saber para a sua vida inteira. Agora pode ser que voce nao compreenda inteiramente o que eu falo, mas um dia certamente entendera.
1. BRINQUE! Brinque o maximo que puder e enquanto tiver energia para brincar.  Nunca, nem por um minuto, pense que voce eh muito velho para brincar. Veja seu papai. Ele sempre serah um bom exemplo de como a brincadeira eh saudavel e faz bem pra voce.
2. Nunca tenha medo de tentar coisas novas. Eu sei que o "desconhecido" pode ser assustador. Mas se voce nao experimentar, nunca saberah como eh realmente.
3. Lembre-se que, nao importa a distancia que estivermos fisicamente, eu sempre estarei com voce em seu coracao.
4. O medo paraliza. Entao, nao deixe que o medo paralize sua vida. Se voce estiver com medo de alguma coisa ou alguma situacao, tente encontrar meios para que isso nao seja tao assustador. Se isso significar chamar o PAPAI ou a MAMAE, tudo bem. Voce pode sempre contar conosco. E nao eh vergonha alguma admitir que tem medo de algo.
5. Quando estiver com alguma duvida, pergunte! Nunca tente adivinhar!
6. Se voce achar que nao pode perguntar, pergunte assim mesmo. Nao existem perguntas bobas! Ha, no entanto, pessoas cuja resposta faca parecer boba. E nesse caso, nao eh sua culpa por perguntar, mas da pessoa por nao saber responder.
7. Saiba uma lingua diferente (ou varias). Voce jah sabe duas. Mas nao esqueca dessa lingua. Eh muito importante poder falar com as pessoas em suas linguas nativas. Isso demonstra respeito.
8. Sorria! Seu sorriso eh o mais bonito do mundo! Sempre use-o para seu beneficio!!!
9. Respeite as pessoas apesar de suas diferencas. A pior coisa do mundo eh maltratar ou desrespeitar alguem apenas porque ele (ou ela) nao se encaixa no padrao. Sempre lembre-se que voce pode ser o diferente em algum ponto de sua vida.
10. Respeito o meio ambiente!!! Voce precisarah viver nesse mundo, entao faca dele um lugar agradavel para se viver. E nao desanime porque os outros nao fazem como voce. Algumas pessoas nao conseguem entender essa importancia.
11. A sua vovoh Ana sempre diz que as pessoas soh podem dar aquilo que elas mesmas tem dentro delas. Entao, tenha certeza de que voce terah coisas boas para dar aos outros, mesmo que eles nao retribuam. E nunca esqueca que nos demos a voce tudo aquilo que tinhamos de melhor.
12. Estude! Aprenda! E Questione! Ninguem sabe tudo, mas isso nao eh desculpa para nao procurar saber mais. O seu conhecimento eh talvez umas das unicas coisas que ninguem pode roubar. Use-o para fazer o bem.
13. Ame a Deus. Tenha certeza de que Ele cuida da gente. Busque a sua propria relacao com Ele, pois nao podemos viver a feh dos outros. O relacionamento com Deus eh pessoal e unico. Eu nao posso dizer para voce como deve ser, apenas posso contar como eh comigo.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Kiyo "Stinky" Romais

Ha alguns dias atras, Kiyo e eu estavamos nos preparando para ir ateh a piscina. Ele, com sua bike, esperava do lado de fora do portao. Eu, com as maos cheias, tentava fechar a porta sem deixar a toalha, os brinquedos e a chave da piscina cairem no chao.
Quando olho para o Kiyo, percebo que o chao (embaixo dele) estah molhado. Ele, mais que depressa, me disse: "Mamae, eu nao fiz xixi." E eu perguntei: "O que aconteceu entao Kiyo?" E ele, com cara de gatinho que foi pego com o passarinho na boca, respondeu: "Eh mamae, eu fiz xixi." Daih eu falei: "Mas Kiyo, porque voce nao pediu pra ir ao banheiro?" E ele: "Nao tem problema mamae, vai secar!" Daih eu tentei racionalizar: "Seca, mas vai ficar fedido." E ele: "Nao tem problema, mamae. 'Fedido' eh meu nome do meio." (Stinky is my middle name!).
Como argumentar com isso????


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Permitindo-lhe crescer, um passo por vez e no tempo dele...

Kiyo sempre foi decidido. Desde que nasceu (ou talvez muito antes disso), se ele decidia fazer algo, ia ateh o fim. Foi assim com a amamentacao (que nos dois conseguimos juntos), foi assim com ir pra escola, andar de bike, nadar, mergulhar... Ele praticamente "decidia" que podia fazer algo, ia sem piscar e o resultado era sempre um papai e uma mamae totalmente atonitos e surpresos.
Nos tentamos estimular (da maneira que achamos melhor) essa vontade de fazer as coisas, de testar seus limites e de decidir por si proprio algumas coisas que dizem respeito a sua vida (logico que dentro das devidas proporcoes de seguranca e adequacao para a idade). A cada dia percebemos que ele tem esticado os limites de sua "autonomia". Por vezes, ele tem que lidar com a frustracao de nao conseguir completar o desafio. Isso tambem faz parte do seu crescimento emocional. Como mae-leoa, eu tenho que muitas vezes fazer um esforco alem das minhas forcas para permiti-lo aprender tambem com essas pequenas frustracoes.
Kiyo nao tinha completado 1 ano de vida quando se deparou com a grade da porta da frente da casa em que moravamos no Brasil. Como era "calor", o vidro estava aberto. Sem piscar, ele se agarrou na grade, erguendo-se do chao e comecou a subir. Escalou a grade toda ateh chegar lah no alto da porta. O papai, todo cuidadoso, estava logo atras, sem tirar do pequeno o extase que a adrenalina promoveu ao perceber que estava no alto.
Isso o permitiu continuar a escalar, a subir no alto e de lah observar o mundo que lhe cerca. A seguranca de que o papai estava ali, mas o permitiu explorar, fez com que o nosso pequeno e decidido menino nao tivesse medo de subir em arvores ou entao nos brinquedos desafiadores do parquinho.
 
Logo que nos mudamos para os EUA, Kiyo ganhou da voh Wilda uma mascara e tubo de snorkel. Ao mesmo tempo compramos para ele uma piscininha inflavel para que pudessmos aproveitar um pouco o calorzao da Florida. Toda vez que ele brincava na piscininha, mascara e tubo iam junto. Ele colocava toda aquela parafernalia e sentava na piscina, com agua na cintura... no entanto, ele tinha certeza absoluta que estava mergulhando. Tentamos fazer com que ele usasse a mascara algumas vezes na praia. Ele colocava a mascara e o tubo, e se divertia por horas sentado na areia molhada. Ateh que um dia ele decidiu experimentar. E desde entao, quando vamos a praia, Kiyo passa horas debaixo d'agua contando os peixinhos.
Morando na praia, eh muito importante que o pequeno saiba nadar. Pensando assim, matriculamos o Kiyo na natacao durante os meses de verao. No primeiro ano, ele foi bem. No segundo, ele simplesmente nao queria saber. Mais uma vez, lembramos de todo o resto... e vendo como ele lidou com tantas outras decisoes e escolhas, achamos que seria prudente dar ao Kiyo todo tempo necessario para que ele proprio se sentisse pronto para mais esse salto. E hoje ele pula, nada, vira cambalhotas debaixo d'agua feito um peixinho... sem medo e sem obrigacoes.
Sua ida para a escola tambem nao foi diferente. Decidimos que nao iriamos impor sobre ele o "quando ir pra escola". Deixariamos que ele proprio demonstrasse vontade de ir. E aos 3 anos e 5 meses, nosso menino decidiu por si mesmo que queria dar mais esse passo em seu desenvolvimento emocional/social. E lah foi ele todo feliz e sorridente no primeiro dia de aula, segurando a lancheira em uma mao e um sorriso inconfundivel de alegria e realizacao estampado no rosto. Eu confesso que fiquei apreensiva. Nunca havia deixado o Kiyo com gente estranha. Mas ele marchou sala a dentro com toda determinacao e seguranca que tentamos passar para ele desde que nasceu.
Esse ano ele ingressou no Kindergarten (ou o Pre no Brasil). Mudou de escola, e deixou tudo aquilo que lhe era familiar e transmitia seguranca. Abracamos com ele essa nova aventura, e como sempre, um passo de cada vez. Deixamos que ele ditasse o ritmo dessa nova aventura. No inicio, a empolgacao deu lugar a apreensao. Tudo novo, escola grande e novas regras a serem seguidas. Para nossa surpresa (e orgulho), Kiyo embarcou de cabeca nessa nova etapa em sua vida. A nova experiencia inclui o decidir por si soh o que vai comer na hora do almoco (lunch) que eh na escola. E, se ele quiser, pode tambem decidir o que vai comer no cafe-da-manha, caso queira te-lo tambem na escola.
Nos primeiros dias, Kiyo chegava de forma timida ateh a porta da escola. Buscava em nosso olhar a certeza de que tudo estaria bem. No entanto, ele entedeu bem as regras da escola. Papai e mamae nao poderiam leva-lo ateh a porta da sala de aula. Jamais em tom demoralizador ou usando palavras que o facam sentir inseguro, aguardamos com ele o momento de entrar. Uma vez em meio as outras criancas, ele entra porta a dentro. Olha para tras, para garantir que estamos ali. E sempre ficamos ateh que ele desapareca no final do corredor.
Deixamos que ele escolha tambem aquilo que quer comer dentro do que eh oferecido no lanche. Nesse instante, ele pode exercer sua "liberdade" de menino grande. Ficamos um tanto apreensivos no inicio, pensando se ele faria escolhas saudaveis. Nos primeiros dias, devido a empolgacao da novidade, ele comeu hot dogs e pizzas, tomou leite com chocolate. Sim, ele continua escolhendo algumas "porcarias". No entanto, ele tambem optou por saladas e frutas, cereais integrais ao inves dos acucarados. No final das contas, acho que o saldo eh positivo. Ele sente que o damos o credito por escolher sua propria comida (sem ter que levar de casa).
Desde o inicio das aulas, perguntamos sobre amiguinhos novos que ele fez na turma, com quem brincou no dia e tal. Normalmente a resposta eh bem reticente. Mas eu, como mae-leoa que sou, sempre cutuco, pergunto cem mil vezes a mesma coisa, e ele acaba se abrindo.
Ontem ao chegar na escola (ele disse que nao queria ir cedo para tomar o cafe da manha na escola), Kiyo encontrou um amiguinho da turma. Cumprimentaram-se na porta, Kiyo se despediu da gente rapidamente e foi matraqueando porta a dentro com o coleguinha. Em casa, numa de nossas conversas sobre o seu dia na escola, Kiyo me mostrou novamente que eh capaz de decidir por si soh.
Chegamos na escola pela manha com tempo suficiente para que ele pudesse andar da porta de entrada ateh sua sala (7:45, quando o sinal bate apenas as 8). Kiyo me disse que a professora falou que ele estava atrasado ao entrar na sala. Eu fiquei confusa. "Como assim atrasado? Voce chegou na escola antes do sinal bater." Depois de futucar um pouco, entendi.
Vejam bem: ele supostamente nao iria tomar o cafe da manha na escola, certo? Soh que quando ele encontrou seu amiguinho, os dois meninos decidiram que queriam tomar o cafe da manha. E lah foram os dois tranquilamente ateh a cafeteria (cantina) solicitar sua merenda. E assim, ambos se atrasaram para entrar na sala.
Quando ele me contou isso, eu primeiro falei que nao era para ele tomar o cafe da manha na escola. Daih, pensando melhor pude ver a maravilha da coisa. Ele se sente seguro o suficiente para decidir sozinho o que vai fazer. E assim, hoje fomos mais cedo para que o pequeno pudesse enfim desfrutar do cafe da manha em companhia do amiguinho.

Ver o Kiyo tomar suas decisoes, escolher o que quer e o que nao quer (e explicar porque tomou esse ou aquele caminho) eh muito gratificante. Percebemos muitas criancas (na mesma escola que o Kiyo vai) que simplesmente paralisam e nao sabem como agir sem a mao dos pais para conduzir seus passos. Percebemos tambem criancas tendo que conformar com os demais, mesmo que elas nao se sintam seguras ou confortaveis com isso. Vemos pais passando por cima dos sentimentos de inseguranca e medo dos filhos para nao "passar vergonha em publico". E assim criancas crescem sem saber o real potencial que podem atingir.
Nos nao fazemos tudo certo com o Kiyo. Jah disse aqui que estamos longe da perfeicao. No entanto, o Kiyo sabe que suas insegurancas serao reconhecidas por nos. E que seus medos serao respeitados. Ele sabe que ao olhar para tras, enquanto entra na escola grande e nova, ele vai nos encontrar ali do lado de fora. E quantas vezes forem preciso, iremos abraca-lo e beija-lo ateh que ele se sinta tranquilo suficiente para escolher como serah o seu dia.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Enquanto isso, na escola dominical...


Depois que tivemos serios conflitos na instituicao religiosa da qual participavamos no Brasil, tanto eu quanto o Jeff resolvemos nos afastar. Isso em momento algum abalou a nossa feh, pois nossa feh eh em Deus e nao nas pessoas que frequentam essa ou aquela denominacao religiosa.
Kiyo nasceu, e apesar de nao irmos a nenhuma denominacao, buscamos sempre ensina-lo sobre feh, Deus e tudo que acreditamos. Explicamos da melhor forma que sabemos quando ele indaga sobre a criacao do mundo e onde estamos inseridos nisso tudo. Conversamos sobre questoes de feh simples e pura, e deixamos claro que nao somos os portadores de "toda sabedoria" e nao temos todas as respostas. No que diz respeito aos porques: "porque acreditamos", "porque agimos dessa e nao daquela forma"... apresentamos a ele nossa experiencia propria de vida com Deus (ou seja, como nos pessoalmente e como familia nos relacionamos com Deus).

No entanto, sentiamos que havia uma necessidade de apresentarmos o fator "comunidade" nessa experiencia. Conhecer outras pessoas que compartilham da nossa feh, e conviver com elas de forma mais pessoal (nao ficar pulando de galho em galho). Entao passamos a buscar um grupo do qual participar, uma comunidade de convivio... Nao acreditamos que Kiyo estivesse mais (ou menos) seguro se inserido em um desses grupos, mas achamos que seria saudavel de um modo geral.
Ele proprio passou a pedir para participar e ir a igreja aos domingos. Entao, mais motivo para que procurassemos um lugar. E fomos em 1, 2, 3, 4,... N igrejas. Fomos acolhidos em algumas, nem tanto em outras. Estavamos nos sentindo verdadeiros peixes fora d'agua em praticamente todas. Mas seguimos buscando e orando.

Eis que nos mudamos de casa (e de cidade). E nessa mudanca, encontramos um grupo que nos pareceu a primeira instancia bem acolhedor. Ha um grupo de brasileiros nessa comunidade, entao nos encaixamos rapidinho. Kiyo gostou das atividades para as criancas e voltava para casa contando a historinha que ouviu e a atividade que fizeram. A coordenadora do programa infantil entrou em contato conosco para saber nossa opiniao. Parecia tudo muito agradavel e de um modo geral tranquilo. A mensagem no culto normalmente era ok. Nao era excepcional, mas nao era totalmente absurda. Cabia dentro do contexto da comunidade. Estavamos esperando que os grupos pequenos comecassem para termos uma melhor ideia sobre isso.
Domingo passado (09/02) fui com o Kiyo ao culto. Ele ficou na escola dominical e eu fui assistir ao culto. A mensagem desta vez foi boa. Tocou em varios pontos importantes, falando sobre injustica e como devemos lutar contra a injustica. Pela primeira vez senti-me compelida a preencher os formularios de visitante e passar a nossa informacao adiante. Tudo ia muito bem... ateh que...

Ao pegar o Kiyo na saida do culto, percebi que ele estava meio cabisbaixo. Atribui isso a canseira das atividade e ao calor. Chegando em casa, Kiyo soltou um comentario que nos deixou deveras tristes. Ao perguntarmos (pela enesima vez) o que ele aprendeu na escola dominical, ele respondeu: "Only kids who have Bibles get candy!" Nossa reacao foi conjunta: "O que????" Eu perguntei quem havia dito aquilo e ele disse que foi a professora. E assim um misto de revolta e culpa tomou conta de mim. Revolta porque fizeram isso com o Kiyo (ele nao tinha a Biblia e consequentemente nao ganhou o doce). Culpa porque eu permiti que fizessem isso, mesmo que involuntariamente.

Afinal, o que estao ensinando as escolas dominicais de hoje? Com que direito pessoas que se dizem "seguidoras de Cristo" falam algo que essencialmente exclui uma crianca de apenas 5 anos? E se a intencao foi outra, como pessoas que deveriam ser exemplo, nao pensam nas consequencias de suas palavras? Pensando sobre isso, eu e meu esposo escrevemos uma carta a lideranca dessa igreja fazendo esses questionamentos. Alem disso, recompensar qualquer coisa que seja com porcarias???? O bom senso mandou dizer que estah na esquina e nao vai voltar tao cedo, hein?

Nossa preocupacao nao se deu porque o Kiyo nao ganhou o doce. O problema nao foi o doce. O problema foi a frase usada. A frase exclui. E como para um bom entendedor meia palavra basta, e o Kiyo nao eh tolinho, foi o suficiente para que ele percebesse: "OOPS, eu nao trouxe a Biblia. Entao eu nao vou ganhar a recompensa."

Kiyo nao levou a Biblia a igreja, pois nao ha necessidade pratica para ele carregar uma Biblia embaixo do braco. Ele nao le ainda. No entanto, ele compreendeu bem o que lhe foi dito, e nao somente as palavras que foram ditas abertamente, mas a mensagem subliminar: a igreja exclui pessoas que nao se vestem de acordo para parecerem (externamente) como seguidores de Cristo. E pior, se voce nao sabe ler, nao serah recompensado.

Nos nao levamos a Biblia para a igreja, pois nao ha necessidade tambem. Nao nos vestimos "de acordo com a moda Gospel" para que os outros saibam que somos Cristaos. Alias, de onde vem essa ideia que eh preciso um marcador exterior (uma forma de vestir, falar ou comer) para indicar a feh de alguem? Escolhemos nao nos excluir. Escolhemos nao nos diferenciar a nao ser pelas nossas proprias acoes. Preferimos que as pessoas conhecam o Cristo que habita em nossos coracoes atraves do nosso carater, atraves do nosso testemunho de vida, e nao porque andamos carregando uma Biblia aos domingos.

Infelizmente (ou felizlmente) fomos mais uma vez confrontados com o farisaismo inerentes das instituicoes religiosas, mascarados de acoes bem-intencionadas. Assim, continuaremos a ser Igreja de Cristo a nossa moda. E o Kiyo, gracas a Deus, vai saber que nao eh preciso falar diferente ou se vestir diferente para ser reconhecido por Deus.

P.S: Em tempo, recebi hoje uma ligacao da coordenadora do programa explicando como eles conduzem as atividades das criancas e o porque eles iniciaram o programa de "recompensas". Ela disse que eh uma forma de fazer com que as criancas criem o habito de abrir e ler a Biblia. Ela explicou que nunca foi a intencao deles (ou da igreja) de fazer com que nos sentissemos excluidos. Convidou-nos para que participassemos do grupo das criancas, voluntariando, para que tivessemos confianca e certeza sobre como tudo eh conduzido. Vou dizer que fiquei um tanto aliviada pela tentativa da coordenadora de arrumar essa experiencia. Ao conversar com o Kiyo hoje, depois da aula, se ele gostava da igreja e se gostaria de voltar lah. Ele disse que sim sem pensar duas vezes.
Eh possivel que a gente tivesse lido demais nas entrelinhas. Eh possivel que tivessemos exagerado na dose da resposta que enviamos atraves de um email para a lideranca da igreja. No entanto, no que diz respeito ao Kiyo, eu nao vou medir palavras e nem ao menos esforco para descobrir exatamente o que aconteceu e porque aconteceu. Acho que esse zelo eh o que chamam de AMOR DE MAE (E DE PAI).


domingo, 2 de setembro de 2012

Meu pequeno eco"friend"....

Que o Kiyo gosta de bichinhos, todo mundo sabe. Que ele tem o seu lado "ecologo-cientista", tambem nao eh novidade. Hoje pudemos confirmar mais uma vez esse lado totalmente "verde" e "ecologico" do Kiyo.
Estavamos na piscina hoje a tarde e, como sempre, ele pulava na agua, nadava e dava cambalhotas em meio a muita risada. Sempre que estamos na piscina, invariavelmente algum besourinho resolve tentar a sorte e acaba caindo naquela agua azul. Kiyo corre (ou melhor nada) para o resgate, tira o inseto da agua, coloca-o na beirada e fica observando para ver se o besourinho vai sobreviver a experiencia.
Hoje, enquanto a gente brincava na piscina, uma familia com 3 criancas (2 menores que o Kiyo e 1 maior) chegaram na piscina. Tudo ia bem, e o Kiyo fazia todas as suas macaquices para chamar a atencao do menino maior, quando de repente a menininha comeca a gritar e a apontar para a beira da piscina (justamente onde o besouro resgatado se encontrava). Os outros irmaos e os pais correm para ver o que eh.   E a menina fala toda esbaforida: "eh um besouro! Vamos mata-lo!" A menina correu pra perto da mae, pegou um copo, encheu de agua e correu para jogar no besouro.
Quando o Kiyo ouviu aquilo, ele correu (nadou) para fora da piscina e se colocou entre a menina e o besouro. Quando a menina chegou perto dele com o copo de agua, ele virou e "rugiu" para ela. Quando perguntamos porque ele fez aquilo, ele se defendeu: "eles iam matar o besouro!"