quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cesarea revisited... analisar eh preciso!


Acho que toda mulher que passou por uma cesarea desnecessaria, seja por falta de informacao, falta de apoio ou falta de respeito dos todos poderosos doutores, acaba em algum momento de sua vida fazendo uma avaliacao mais aprofundada do processo todo. Essa nao eh a primeira vez que eu faco isso. E tenho certeza que nao serah a ultima vez tambem. Na verdade, cada vez que eu escuto/leio algum relato de parto ou sobre as condicoes que levaram alguem a se submeter a cesarea ou ainda tragedias que foram resultado de uma cirurgia desnecessaria (como esse aqui ou ainda aqui), eh inevitavel a minha re-avaliacao sobre meu proprio relato. Nao necessariamente do relato do nascimento do meu filho, mas do que antecedeu e culminou na retirada cirurgica antecipada do Kiyo.
Antes que alguem se sinta ofendida porque escolheu a cesarea como forma de receber o seu bebe,  quero deixar bem claro que este eh o MEU sentimento sobre algo que aconteceu COMIGO. E o que aconteceu comigo foi uma verdadeira ludibriacao da real situacao para garantir a conveniencia de outros.
Quando me disseram que eu teria que passar por uma cesarea, apesar de ter resultados normais nos exames realizados, eu me senti pequena e desamparada. Nao me isento da culpa por nao ter me informado devidamente. Essa talvez seja a maior culpa que eu jah senti na vida.
Minha gestacao foi tranquila. Ateh a semana 32, eu estava tranquilamente preparando o enxoval do meu bebe. Estava ainda em meio a um turbilhao de atividades na faculdade, mas nao era nada que me deixasse exausta. Quando foi a consulta da 32 semana, eis que me deparao com o fantasma da suposta pressao alta que veio me aterrorizar durante as proximas semanas de gestacao. Nessa consulta, a minha obstetra disse que minha pressao estava alta (140X110) e que era preciso me colocar em um comprimido para baixar a pressao. Eu nao entendi muito bem, afinal sempre ouvia que eh normal a pressao subir um pouco (principalmente) no final da gravidez. Eu estava um pouco inchada, mas isso tambem me parecia dentro da normalidade. Nao questionei as razoes da medica, pois "quem sou eu para debater com ela que estudou pra isso". Nas semanas que se sucederam, fiquei alguns dias de repouso por conta da tal pressao. No entanto, eu me sentia super disposta, e aquela precaucao toda nao fazia muito sentido. Em todas as consultas, mediam minha pressao e esta oscilava entre 130X90 e 140X110. Mas a cada consulta, a pressao era medida apenas 1 vez. Como ter certeza que essa medida era realmente a certa? Estudos cientificos indicam medir PELO MENOS 3 vezes EM CADA BRACO para se ter uma medida mais correta. Mas novamente, "quem sou eu pra questionar".
No dia 16 de maio de 2007, tive um dia normal com reunioes do estagio (jah que ainda nao tinha entrado em licenca) e uma visita a maternidade logo apos o almoco. Depois dessa visita, fui caminhando ateh o consultorio da obstetra para mais uma consulta. Ela mediu minha pressao assim que cheguei e disse que (logico - eu tinha andado apenas umas 15 quadras em ritimo acelerado) estava alta (140X110). Solicitou que eu fizesse uma ecografia com contraste para ver como estava o fluxo de sangue para o bebe. Fiz e o medico da ultra disse que estava tudo normal. Ao voltar na medica, ela disse: "estah tudo normal por enquanto, mas vamos precisar tirar o bebe hoje". Eu olhei pra ela e disse: "Hein? Mas nao estah tudo normal?" (primeira vez que eu questionei a medica). E ela respondeu: "Sim. Estah tudo normal com o bebe agora, mas eu prefiro nao arriscar."
Quando alguem fala para uma gestante que "x" pode ser arriscado, ou que "y" nao eh arriscado, ou que o que quer que seja pode significar um risco, a gestante em questao vai fazer exatamente o que lhe foi dito (se nao estiver munida de informacao, logico) para evitar esse tao temido "risco". Mesmo que esse risco nao seja necessariamente ao bebe ou a mae, e sim um risco de estragar os planos da medica/equipe. Entao, quando eu ouvi que ela nao queria arriscar, eu nao questinei mais nada. Apenas pedi que (se possivel) adiassemos a cirurgia para o dia seguinte, pois eu gostaria que o meu marido estevesse comigo quando terminasse. Ela acatou a ideia sem pestanejar. Na hora eu nao pensei muito sobre isso, mas depois das minhas inumeras avaliacoes sobre o evento, fiquei com mais essa pulga atras da orelha: "ok, se pode ter algum risco (imaginando que seja risco ao bebe, nesse caso - pois essa era a ideia que queriam passar pra mim), nao deveria a doutora ter me advertido sobre esperar mais um dia?" Enfim...
Enquanto eu estava na mesa de cirurgia, minha pressao arterial era 120X80 segundo o monitor do hospital. Levantei essa questao a doutora, que deu uma risadinha e disse: "ah sim, isso sempre acontece." - Peraih, o que sempre acontece?
Depois da cirurgia, tive depressao pos-parto e uma grande dificuldade para amamentar. Eu fiquei com a pulga atras da orelha sobre a pressao estar normal na hora do procedimento, mas nao questionei nada ateh que me vi obrigada a encarar de frente a questao da real necessidade da cirurgia no meu caso. Foi entao que eu descobri (ou melhor, confirmei) que pressao alta por si soh nao eh indicativa para cesarea e que muitos dos casos sao realmente desnecessarias. Combati aquelas alegacoes, pois isso colocava em duvida tudo aquilo que eu tinha acreditado ateh entao.
Soh que eu mesma nao tinha tanta certeza assim da real necessidade da cesarea. Foi quando eu iniciei meu processo (ainda em andamento) de "healing" em relacao a cesarea. Passei por todas as etapas que a Nanda do Mamiferas citou em seu post. Hoje, a cada vez que eu me deparo com esses questionamentos sobre a cesarea, aumenta em mim a certeza de que realmente ela foi desnecessaria.
Por mais que eu reveja, compare, analize... nao consigo encontrar uma justificativa plausivel para o que me aconteceu.
Primeiro: minha pressao nunca foi medida mais que uma vez por consulta. Era uma medicao e o diagnostico.
Segundo: esse diagnostico soh veio quando eu jah estava entrando no oitavo mes. Antes disse tudo estava normal.
Terceiro: em momento algum durante a gravidez, eu usei o tal monitor de pressao arterial. Imagino que se a coisa fosse tao horrivel e arriscada assim, nao seria a primeira coisa a ser feita? Antes mesmo de mandar tomar remedio pra pressao?
Quarto: Como a minha pressao estava normal na hora da cirurgia?
Quinto: Kiyo tinha a DDP para 05-07 de junho (se eu chegasse a 40 semanas exatas). Inicio de junho tem o feriadao de Corpus Christi no Brasil... Olha soh que pratico: marca a cesarea para nao arriscar... Agora entendi oque nao queriam arriscar: nao queriam arriscar estragar os planos de feriado...
Ok... Eu nao tenho certeza absoluta, registrada em cartorio com assinatura reconhecida. Mas, eh no minimo estranho, nao eh?
Enfim... agora que sei de mais isso, mais uma etapa do meu "healing process" se completa!
E antes que alguem venha com a conversa: "seu filho nasceu bem e saudavel, voce deveria agradecer por isso!" Sim, eu agradeco todos os dias. Agradeco pelo Kiyo nao ter sofrido nada extremamente serio com o adiantamento do seu nascimento. Ele nasceu com 37 semanas, ou seja nem estava na hora dele. Agradeco imensamente que, apesar de TUDO (negligencia medica e falta de informacao minha), ele nasceu e pode ficar comigo no quarto (mesmo que tenha demorado 4 horas para te-lo em meus bracos). Agradeco pois foi soh por Deus mesmo... pois a historia poderia ter sido bem outra. No entanto, nao ha o que me faca esquecer o olhar de susto do Kiyo, depois que ele veio pro quarto... um olhar profundo, que ficou me observando noite a dentro... como que dissesse: "Mamae, eu ainda nao estava pronto pra sair!" Nao nego que a bencao maior foi te-lo em meus bracos. Mas preferia nao ter que pagar o preco que paguei para isso: o preco de ter meu bebe dopado pela anestesia peridural, o preco de nao ter sido a protagonista do momento mais importante na minha vida...



sábado, 13 de outubro de 2012

WE ARE CRAZY, BUT WE ARE FAMILY!!!


Ha um ditado que diz: "familia a gente nao escolhe". E isso eh bem verdade. Quem escolhe a familia para nos eh Deus. Tenho certeza que mesmo aquelas pessoas que entram em nossa familia de forma agregada (atraves de casamentos, juntamentos e outros mentos...) sao devidamente escolhidas por Deus para esse legado tao importante. 
Nao ha um dia em que eu nao lembre com carinho e imensa saudade dos tempos em que eu brincava no quintal da casa da voh Vera e do vo Juvenal, correndo atras dos meus irmaos e primas. Ou entao quando iamos passar as ferias lah na casa do vo Joaquim e da voh Aurora e eramos disputados para dormir na casa dos primos, da bisa e dos primos do pai. Essas lembrancas, eu posso garantir, sao para a vida toda e moldam como a gente vai ser. 
Morando aqui nos EUA, fico bastante preocupada que o Kiyo possa perder esse contato tao bom e sadio com os primos e parentes no Brasil. Nao deixamos de manter o contato atraves de ligacoes e video-conferencias pelo skype. No entanto o contato fisico, as brincadeiras de final de semana e ateh mesmo as brigas, que fazem parte de qualquer familia saudavel e normal, fazem falta.
Nessa semana que passou tivemos o prazer de receber aqui em nosso lar um pouquinho dessa familia que me transformou em quem eu sou hoje. Meu irmao querido Thiago, sua esposa Michele, seus filhos Thiaguinho e Duda, minha mae e meu pai (de surpresa) vieram para passar comigo meu aniversario. Se para mim foi o melhor presente do mundo, imaginem para o Kiyo... 
Kiyo nao se cabia de tanta alegria em poder pular na piscina com os primos, apostar corrida de bike com o Thiaguinho, leva-los aos parques que mais gosta, desfrutar de uma semana de muita adrenalina (pouco sono) e todo amor do mundo. 


Nessa semana pude sentar e observar a forma em que o Kiyo se relaciona com a familia. E isso me levou de volta ao tempo em que eu corria com as minha primas ao redor da casa da voh, no tempo em que eu aprendia a andar de bike na rua sem asfalto na frente da casa da minha bisa em Maringa. 
Foi muito gostoso poder ver o Kiyo compartilhando o seu espaco com os primos do Brasil. Foi muito bom ve-los brincando no "espaco dele" e foi melhor ainda ver como essa alegria por estar em familia passa de geracao a geracao. 

Ver o meu pequeno vivendo um pouquinho da alegria de viver em familia nao tem preco! Ve-lo aproveitar ao maximo todo tempo (curto) com os tios, os primos e os avos vale muito a pena mesmo! 
Eh logico que passar o tempo tao "grudado" assim pode gerar alguns atritos. E ateh isso, por incrivel que pareca, foi muito legal. Nossa familia eh meio maluca (ok, bem maluca). Mas nao existe nada melhor nesse mundo que poder rir e se abracar com aquelas pessoas que Deus escolheu para fazer parte de nossas vidas.
O resto realmente... nao tem a menor graca!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"Nao atingiu os padroes de leitura" e outras pressoes do sistema escolar

Apesar de ser filha de bibliotecaria (ok, minha mae eh formada em biblioteconomia) e de ter tido acesso a varios classicos da literatura infantil, enquanto crianca eu via a leitura como algo laborioso ou um "mal necessario". Nao que eu nao lesse. Quando o livro me interessava de verdade, eu lia de cabo a rabo em pouco tempo e relia varias vezes. O que realmente me fez perder o gosto pela leitura foi a "maldita leitura obrigatoria na escola".
Quem nao lembra de ter uma lista de livros para ler e depois ter uma prova para "provar que voce realmente leu a porcaria do livro"? Aquilo para mim era o oh! Eu odiava nao o LER, mas o TER QUE ler. 
Quando eu me interessava pelo livro, tipo Polyanna, a Ilha Perdida e o Cachorrinho Samba (colecao quase inteira), eu devorava as paginas. Quando eu era obrigada a ler, ficava enrolando e nao saia do primeiro capitulo. Assim foi ateh depois do vestibular. Os 10 livros obrigatorios para o meu primeiro vestibular nao foram nem tocados, embora tivessem sido devidamente providenciados. Apenas depois que eu casei foi que passei a "pegar gosto pela leitura".
Agora com o Kiyo, temos uma pequena biblioteca para ele. E cada vez que posso, compro mais um livrinho. Vamos a biblioteca, e escolhemos juntos os livros que serao lidos antes da hora de dormir.
E entao nosso mundo "tao legal", onde ele eh estimulado e nao forcado, entra em choque com um sistema educacional ingessado e (diga-se de passagem) bem contra-produtivo.
Nao me entendam mal, a escola eh bem equipada, com uma infra-estrutura bem boa. As turmas sao pequenas, as salas coloridas, as mesas e cadeiras de acordo com o tamanho da criancada. A professora eh bem querida, carinhosas e dedicada. Entao voces devem pensar: mas tah reclamando de que?
Eu critico (nao reclamo apenas) o sistema. Esse sistema que resolve padronizar todos os alunos baseados em resultados de testes estaduais ou nacionais. O sistema que faz com que professores se tornem escravas de funcoes irrelevantes que nao acrescentam nada ao ensino. Ao inves dos professores usarem o tempo deles em sala de aula para ensinar, estao perdendo tempo preenchendo formularios do tamanho de listas telefonicas com avaliacoes que no final das contas nao diz nada.
Na nossa primeira reuniao com a professora do Kiyo, fomos apresentados a tamanha burrocracia que reina no sistema educacional. A professora, muito bem intencionada e dedicada, nos mostrou que o Kiyo (que tem 5 anos recem completos) deverah estar lendo no nivel E ao termino do ano letivo. Nivel oque? Como se definem niveis de leitura no jardim de infancia? E quando recebemos o primeiro "progress report" do Kiyo, estava indicado que ele nao atingiu os padroes de leitura. Hein?
Bem, como jah foi decidido aqui em casa, nosso "metodo" eh o estimulo. Ele serah estimulado ler, assim como ele eh estimulado a escrever, desenhar, pintar, correr, andar de bike, nadar, cantar, dancar e tudo mais. Nao usamos a forca.
Mas que esse sistema quadrado me revolta, ah se revolta!
Ainda nao podemos iniciar o Homeschooling, mas iremos assim que for possivel!
Kiyo o contador de historias (vejam esse video)