domingo, 26 de maio de 2013

E quando as fases se tornam algemas: reflexoes pessoais sobre o desenvolvimento fisico e emocional da crianca.

Quando o Kiyo nasceu, recebemos da maternidade uma caderneta de vacinas com um calendario de vacinas, varias dicas de cuidado com o bebe dadas de forma bastante generalizada e (de certa forma) fora de contexto, e aquilo que TODA mae de primeira viagem ACHA que precisa: uma lista de coisas que o bebe (e depois a crianca) deveria fazer ou saber ao ultrapassar determinadas "fases de desenvolvimento". Lah tambem encontramos uma curva de crescimento de peso e altura. Ali o pediatra anotava o peso e altura do Kiyo a cada mes ateh ele completar 1 ano, e depois a cada consulta exporadica. Kiyo nunca saiu do percentual tido como "normal" para a idade dele. Entao, nunca fui questionada quanto ao desenvolvimento dele. Tanto eu quanto meu marido NUNCA ficamos comparando o desenvolvimento do Kiyo com outros bebes da mesma idade. Isso porque o Jeff, conhecedor da psicologia do desenvolvimento infantil, sempre me alertou para medias e que cada crianca eh um individuo diferente que desenvolve ao seu proprio passo, no seu proprio tempo e do seu proprio jeito. Ajudou tambem que Kiyo tambem sempre "atingiu" os marcos de desenvolvimento estipulados pela caderneta, de acordo com a idade (ou ateh antes). Mas e se ele nao fosse assim?? E se ele fosse considerado "atrasado" em alguns (ou todos) os ditos marcos??? 

Apesar do desenvolvimento visivelmente saudavel do Kiyo, nossos ouvidos nao foram poupados de inumeras "preocupacoes" por ele mamar no peito mesmo depois de 2 anos de idade, e por ele ainda dormir conosco. Fomos "gentilmente" e insistentemente "lembrados" dos possiveis maleficios que tanto a amamentacao prolongada quanto a cama-compartilhada prolongada poderiam acarretar. Ouvimos que ele precisava "ultrapassar" essa fase de "dependencia" e aprender a ser um individuo. No entanto, seguimos firmes na nossa certeza de que ele se desenvolvia de forma respeitosa, normal e natural, sem ser rotulado e sem sentir pressao para agir de acordo com a media. Assim, Kiyo mamou ateh completar 4 anos e 10 meses de vida. Seu desmame completo aconteceu naturalmente, no tempo que ele decidiu e eu respeitei. Foi mais facil para mim mante-lo mamando? Nao. Mas eu sabia instintivamente que era o melhor legado que eu poderia deixar para o meu filho: o do respeito ao seu tempo, sem atropelar nenhum momento porque ele jah tinha "passado daquela fase oral". Ouvimos muito que ele jah era grande e "precisava" dormir sozinho em seu quarto - em sua cama, e que ele teria dificuldades emocionais porque o mantemos "preso" a nossa cama, "sem dar-lhe a chance de crescer". No entanto, ele demonstra independencia que superam qualquer rotulo de "crianca dependente". E o mais importante, ele tem certeza que seus medos, suas insegurancas noturnas e sua (sim) dependencia nao serao atropelados em nome de uma "fase de desenvolvimento" imposta por um calendario. O desenvolvimento do Kiyo eh unico e exclusivo. Nao depende de tabelas, de lista de habilidades conquistadas, de idade. E, com isso em mente, seguimos em frente, respeitando o individuo acima de tudo.

Eh muito comum ouvir de gente "entendida" do assunto que as fases sao importantes e que se prender a uma fase, atrapalha o desenvolvimento total da crianca. Ouve-se inclusive uma certa condenacao vinda de profissionais que trabalham diretamente com criancas (leia-se pediatras, psicologos, psiquiatras e pedagogos) quando os pais abracam uma criacao que nao define o filho em etapas a serem cumpridas ou marcos a serem atingidos, mas como um individuo unico que serah aquilo que ele quiser se lhe for permitido crescer naturalmente. Ouvimos rotulos de "super-protecao" e ateh (pasmem) "egoismo" quando a crianca 3-4-5 anos "ainda" mama. Esse tipo de rotulo e critica gera inseguranca nos pais que buscam sempre o melhor para o filho. 

Um dos comentarios mais comuns nas rodas de discussao sobre a maternidade eh: "meu filho jah tem 6 meses e nao aceita a papinha, e agora?" ou entao "meu filho jah tem X anos e nao faz Y ainda, e agora?". Na verdade, sofremos uma influencia muito grande do "todo poderoso calendario" que determina precisamente quando nossos filhos devem comer papinhas, deixar as fraldas, ir para a escola, desmamar e sair da cama dos pais. O que esquecemos muitas vezes eh que esse calendario eh baseado em medias, e que medias sao simplesmente isso: UMA MEDIA e isso nao leva em consideracao o individuo e sua realidade. 

As fases de desenvolvimento infantil foram determinadas por varios estudiosos da psicologia, dentre eles Piaget, Vygotsky, Freud sao alguns dos grandes nomes associados a estudos sobre o desenvolvimento humano, e tambem (mais especificamente) da crianca. A nocao de que criancas evoluem em estagios inciou-se com o suico Jean Piaget por volta de 1930. Apesar de cada um ter dado um viez particular, todos colocam as tais fases como etapas relativamente bem definidas. Essas etapas se encaixam dentro de um intervalo de tempo (da idade X ateh a idade Y). A fase oral do Freud coincide com a fase sensorio-motora do Piaget e assim por diante (entre 0 e 2 anos). Nas teorias se entende que essas fases sao fluidas e que variam de acordo com a crianca, mas na realidade quando uma crianca de 3 anos apresenta comportamentos caracteristicos da fase oral, essa crianca eh vista como "atrasada" ou "retida". Ha quem diga inclusive que a mae eh quem a mantem refem, nao permitindo que a crianca ultrapasse a etapa oral de sua vida. 

Criancas nao tem prazo de validade assim como nenhum ser vivo tem. Viver dependente de fases, de calendarios para guiar como nossos filhos devem agir a cada ano previne (atrapalha) que  eles tenham pleno crescimento e desenvolvimento, pois a eles nao foi permitido experimentar cada momento de suas vidas intensamente. Os pais ficam estressados com os obstaculos a vencer como se os filhos (assim como todas as outras criancas) precisassem mudar comportamentos no relogio. 

Na verdade, essas etapas da vida - os ciclos da natureza (nascer, crescer, envelhecer e morrer) acontecem de forma fluida/organica. Sao na verdade um continuo de eventos que nao necessariamente seguem uma tabela e nao se baseiam em um calendario. Nenhuma crianca precisa obrigatoriamente desmamar simplesmente porque "jah passou da fase oral" ao completar 3 anos. Assim como a crianca pode sim desmamar sozinha aos 18 meses, 24 meses, 36 meses. Quando esse processo eh natural e respeitoso, no tempo da crianca (sem forcar a barra ou dar um "empurraozinho"), a crianca pode verdadeiramente desenvolver-se e tornar-se um individuo independente. Eh dessa forma, e nao se agarrando a estagios pre-estabelecidos, que se promove a evolucao do individuo que naturalmente irah crescer de forma saudavel.






4 comentários:

Déia mamãe do Lucas e Bella disse...

Maravilhoso Dani!
Sensibilidade, respeito, ciência e amor, tudo junto, só pode dar nesse exemplo maravilhoso de maternidade e de criação que Kiyo tem a sorte de receber.
Beijos orgulhosos,
Déia

Dani Kattah disse...

Penso assim também. Ainda bem que não sou um ET!

Dani Kattah disse...

Penso assim também. Ainda bem que não sou um ET!

Maria disse...

Amei a forma sobre respeito c nossos filhos..Devemos sim faze-los desenvolve-los mais nunca desrespeitando ele como ser único...Agora recentemente levei meu filho filho ao médico pq estava c febre e fui bombardeada pela Médica onde falou sem tato algum q não estava respeitando a fase oral e disse de forma ríspida q não estava preparada p ser mãe...Eu falei p ela q estava com meu filho p ver a febre e não fui ao psicólogo e q ela tinha q ter mais respeito pq se quer dar uma ajuda q saiba como falar.... Enfim somos mães e filhos e não robôs...Tudo c equilíbrio e amor é sempre a melhor forma de viver....Ame seus filhos dêem o melhor q puder e não deixem q lhe digam como ser mãe... Leia sempre é pondere por vc mesma o q eh melhor p seu filho ...Ajudando a se tornar um adulto equilibrado...Por vc e principalmente por ele..
Beijos p todas mães q não são volúveis e que tem discernimento e sabedoria...