terça-feira, 17 de novembro de 2015

O Dia de Ação de Graças e uma conversa entre dois amigos…




Esses dias estávamos almoçando em casa: Kiyo, seu amiguinho (vizinho), Jeff e a vovó. Os meninos estavam conversando sobre assuntos aleatórios quando – ao falarem algo sobre o feriado de Ação de Graças – Kiyo afirma:

“Eu não gosto dos peregrinos”

“Ué?!? Porque não???” – Perguntou o vizinho.

“Porque eles foram salvos pelos índios no inverno, fizeram o ‘Thanksgiving’, mas depois de alguns anos eles mataram o filho do chefe dos índios que ajudou eles quando eles chegaram nas Américas e mandaram o neto desse chefe como escravo pra Cuba. Você já pensou que horror??? Os índios ajudaram eles!” – Respondeu Kiyo, indignado.

O vizinho arregalou os olhos, levantou-se e disse: “Bye! Vou perguntar uma coisa pro meu pai!”

Fiquei esperando uma pergunta dos pais desse menino, mas acredito que já devem nos conhecer um pouco e entender o que se passou…

Mas e como fica a coisa do Peru de Thanksgiving???

Eventos históricos – quando vistos através de livros escolares – tendem a ser vistos por um prisma “cor de rosa”. Normalmente a história é contada a partir do ponto de vista do conquistador, do desbravador, do colonizador. E assim sendo, temos contos incríveis de descobertas das Américas, expedições corajosas que atravessaram o continente todo e tradições passadas de geração à geração sem serem questionadas.

Aqui nos EUA, uma dessas tradições é o famoso Dia de Ação de Graças – que será celebrado no país inteiro semana que vem. Nesse dia inúmeras famílias comemoram a chegada de um grupo de peregrinos europeus aqui nos EUA – que fugiam da perseguição religiosa na Europa.

Diz a história que esses chegaram muito perto do inverno e não tiveram tempo de plantar comida ou de construir abrigos. No entanto, foram salvos pelos nativos da região que os deram comida e abrigo durante o inverno. No ano seguinte, após a primeira colheita, os peregrinos fizeram uma celebração que durou 3 dias. Os nativos que os ajudaram no ano anterior participaram das festividades. E foi “instituído” assim o primeiro Dia de Ação de Graças… E os índios nativos viveram harmoniosamente com os peregrinos, comemorando esse dia ano após ano desde então até os dias de hoje, certo??? Só que não!!!

Ou melhor, só que não exatamente assim. Os peregrinos foram sim ajudados pelos nativos no primeiro inverno. Eles fizeram a festa da colheita no ano seguinte… e podem inclusive ter compartilhado a refeição com os nativos. No entanto, a história não parou nisso. Relatos de grupos nativos confirmam o motivo da indignação do Kiyo. No entanto, esses relatos não são ensinados nas escolas.

Kiyo ficou indignado com a crueldade dos peregrinos que, apenas algumas gerações após serem salvos pelos nativos, cometeram genocídio contra eles. O que fazemos em casa é buscar – na medida do possível – informações que vão além do que consta em livros escolares. Não ensinamos apenas o que está impresso. Buscamos informação por outros pontos de vista (todos os possíveis). E invariavelmente temos uma versão mais abrangente da história. Pelo menos damos voz aos outros protagonistas que muitas vezes foram silenciados.

Então em nossa casa, durante a comemoração do Thanksgiving, lembramos dos nativos que compartilharam seu alimento e abrigo com pessoas estranhas. E é nesse espírito de graça que compartilharemos da nossa família na próxima quinta-feira.


 The Thanksgiving Story

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