segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Volta a Escola: depois de 2 anos!


Kiyo voltou pra escola. Depois de 2 anos em processo de ensino domiciliar, resolvemos matriculá-lo na escola novamente. Resolvemos que seria uma boa hora de reinserí-lo em ensino escolar junto com a nossa mudança de estado, de casa, de realidade... Tudo novo!
Muito antes de mudarmos para a California, fizemos uma busca bem séria por escolas que se adequavam ao nosso modo de pensar a educação do Kiyo. Encontramos em Sacramento uma escola que prometia fazer aquilo que nós gostaríamos de fazer: permitir que a criança desenvolvesse suas habilidades acadê
micas de forma individual e personalizada. Entramos em contato com a diretora pelo menos 1 ano antes de termos nossa data de partida da Florida. Os depoimentos que ouvimos de pais e alunos, e a forma “easy-going” com que a diretora respondeu nossas dúvidas nos deixou muito esperançosos. E, pra completar: a escola tinha uma permissão para subir em árvores!

Visitamos Sacramento pela primeira vez no início de Agosto, um mês depois de mudarmos para California. Marcamos uma reunião com a diretora. Apesar de estarem em férias de verão, a escola estava oferecendo “colônia de férias”, então pudemos conhecer a escola na qual tínhamos tantas expectativas.
Chegamos na escola, e eu fiquei meio desapontada. Não era exatamente o que eu esperava encontrar: entre duas auto-estradas e dentro de um complexo de escritórios não me pareceu muito convidativo para uma escola. No entanto minha reação inicial se dissolveu rapidamente ao encontrarmos com a diretora da escola: Mrs. B.
Uma pessoa pequena em estatura, mas enorme de espírito e garra. Dava pra ver pela forma como ela apresentava a escola pra gente. “Essa escola é pequena, mas é super!” foi oque ela disse, explicando a razão pela qual o número de alunos na escola era tão baixo: 15 alunos na escola inteira! Menos que isso, só homeschooling mesmo! Ficamos impressionados com a proposta da escola e a forma como ela coordenava tudo: currículo praticamente personalizado e estímulo para seguir em frente. A escola é “oficialmente” para alunos de sexta-série ao terceiro ano do ensino médio (6-12). No entanto, a proposta de ensino personalizado/individualizado permite alunos que – mesmo mais novos de idade – se encontram avançados academicamente participem. Na escola, o foco não é “em que série a criança está”, mas “se ela tem domínio do conteúdo antes de avançar”. Tudo isso casou bem com os nossos objetivos para o Kiyo.
Mudamos pra Sacramento em meados de Setembro. Confirmamos com a escola que Kiyo iniciaria em Outubro. Fizemos uma permuta de aulas/serviços por mensalidade, acertamos o que precisava ser acertado. E em Outubro, Kiyo iniciou seu retorno a escola. Entrou na sexta-série aos 9 anos e meio. Era o “baby” da turma! E assumiu seu papel de “aluno mascote” desde o primeiro instante.


No início, tivemos que nos adaptar a nova rotina de lição e atividades. Uma das coisas que me deixa tranquila em relação a esta escola é a abertura que temos como pais de participar do ensino do Kiyo. Nunca fomos vetados, barrados, desencorajados de ter integral controle sobre oque ele aprendia. Sempre fomos ouvidos em nossas dúvidas e sugestoes. Nossa opinião não só é valorizada como exigida pela equipe de professores.

A escola, por ser pequena – agora com 21 alunos (mais ou menos), nos dá a sensação de ensino tribal/familiar, onde os pais se conhecem por nome e conhecem todos os alunos por nome também. Assim, quando algo acontece com um dos alunos, todas as famílias se unem para ajudar a resolver. Como da vez em que nosso carro teve o vidro traseiro quebrado por uma pedra e vimos na hora em que estávamos saindo para levar o Kiyo a escola. Eu fiquei desesperada, pois além de tudo somos responsáveis por abrir a escola pela manhã. Naquela situação, não poderíamos levar o Kiyo e tampouco abrir a escola. A diretora acionou as famílias, e uma das mães se colocou a disposição para buscar o Kiyo afim de que ele não perdesse a aula. Ou quando seus colegas (de 17 e 15 anos) o convidam para passear no parque aquático durante as férias de verão só porque gostam da companhia dele e estavam com saudades! Quando se fala em precisar de uma vila para se criar um filho, eu nunca imaginei que fosse encontrar uma vila tão eclética e tão única quanto a vila da Capital Innovations Academy.



Kiyo despontou academicamente, demonstrando habilidades que nem eu sabia que ele tinha. Iniciou o ano escrevendo textos curtos e simples. E terminou o ano com honras, escrevendo scripts de teatro de múltiplas páginas. Começou o ano conhecendo apenas alguns fatos históricos, e terminou sabendo não apenas narrar fatos importantes, mas sabendo analisar documentos históricos. Começou o ano sem saber como agir numa peça de teatro, e terminou o ano atuando em uma. Fez apresentações de grupo, participou de discussões de fatos atuais politicos. Tudo isso, com nosso apoio, mas sem que fizessemos por ele. Ao final de seu primeiro ano letivo pós-homeschooling, Kiyo se transformou em sua própria pessoa.





Recebemos seu boletim do segundo bimestre deste novo ano letivo (seu segundo nessa escola). Ele conquistou seu lugar no Gold Honor Roll (Honra ao Mérito nível ouro). E ao ler seus objetivos para a vida, não pude deixar de constar que estamos no caminho certo! No boletim, todos tem uma página de avaliação própria – um tipo de profile do aluno a partir do olhar do próprio aluno. Na porção onde ele deveria descrever seus objetivos para o ano, ele colocou um ponto de interrogação. E em seguida, onde ele deveria descrever seus objetivos para depois de sua formatura do “high school”, ele apenas colocou: “Eu te digo quando chegar lá, OK?”

Comemorar a Vida nao eh pecado!

Conversa entre amigos enquanto eu decorava a frente do apartamento para o Halloween:

Amigo: “Na minha casa a gente não comemora o Halloween.”

Kiyo: “Ué??? E porque não?”

Amigo: “Porque jeová não gosta que a gente comemore.”

Kiyo (sem pestanejar): “Mas quem é esse jeová??? Que cara mais mala! Porque não deixa???”

Amigo: “Porque é pecado!”

Kiyo: “Que pecado que nada!!! É apenas um dia que a gente sai fantasiado e pede doces nas casas. É divertido! Não tem nada de pecado! Eu hein!! Esse jeová não tá com nada! Muito ruim ele…”


FIM!