
Até mais ou menos um mês atrás o Kiyo nunca tinha ido à escola. No Brasil, o Kiyo tinha a Ana Carla, que cuidava de brincar com ele. Ela levava o Kiyo no parquinho ou na casa de amiguinhos para brincar. Apesar disso, muitas pessoas nos olhavam torto quando falávamos que ele não ia para a escola. Comentários do tipo: “ele vai ficar muito dependente”, “ele não vai saber fazer amizades” ou a pior de todas (e mais cruel) “ele vai virar anti-social porque não tem contato com outras crianças.”
Essas mesmas pessoas, curiosamente, comentavam admiradas quando viam o Kiyo brincando tranqüilo e feliz rodeado de crianças.
O Kiyo agora vai para a escola, e obviamente que está rodeado de crianças por lá. Porém ele sempre teve contato com crianças e sempre brincou bem desde muito cedo.

Um dia na praia, conhecemos um casal brasileiro com um menino de 5 anos. O Kiyo começou a brincar com o menino logo de cara. A partir de então, começamos uma amizade com a família.
Na escola, o Kiyo diz oi para todas as crianças da turma e também diz tchau. E a diretora da escola disse que ele sempre fica orbitando pelos grupinhos diferentes, brincando cada vez com um grupo diferente (sem formar panelinhas). Gostei muito de ouvir isso, pois me indica que estamos dando o exemplo certo. Ele percebe que não gostamos de “clicks” e que qualquer pessoa pode ser nosso amigo.
Ontem fomos na casa dos amigos que conhecemos na praia. O Kiyo e o Matthew brincaram a valer. No final do encontro, quando estávamos indo embora, eles se abraçaram, deram as mãos e desceram a escadaria dizendo: “You are my Best friend”.
Realmente, eu acho que isso conclui minhas suspeitas que as inseguranças, dependências e o que mais quiserem rotular, são resultados de famílias instáveis e disfuncionais. Isso não tem nada a ver com a idade que a criança começa a ir pra escola. Mas isso eu devia saber... eu fui pra escola com 6 anos, e nunca fui insegura ou dependente.






