terça-feira, 19 de junho de 2012

O céu é o limite... mas ele está preparado para alcançá-lo?


Quando pensamos sobre o que desejamos para o futuro do Kiyo, essa frase me vem a cabeça: "The sky is the limit!". Isso significa exatamente que ele pode almejar o que desejar para o seu futuro. Não fazemos pressões do tipo: tem que ser isso ou aquilo; ele vai ser... Kiyo vai ser aquilo que ele quiser. No entanto, nosso dever de pais é o de prepará-lo para que no futuro ele realmente tenha em mãos as ferramentas necessárias para que o céu seja de fato o seu limite (ou não).
Desde que ele nasceu (na verdade, bem antes disso) já nos incomodava a idéia de ter que conformar com um sistema educacional falido que teima em encaixar peças redondas num buraco quadrado. Saber que no Brasil não teríamos como fugir desse sistema nos deixava angustiados por antecipação sobre como lidaríamos com a educação "formal" do Kiyo, uma vez que homeschooling não é permitido e é inclusive condenado. Ainda assim, sem ter esta possibilidade nas mãos, não deixamos de praticar nossa forma de educar, mostrando ao Kiyo que o seu futuro depende dele.

Quando nos mudamos para os EUA, o homeschooling se tornou mais uma opção de educação. O sistema educacional aqui também não é dos melhores. No entanto, há mais investimento nessa área. As escolas são mais equipadas, as turmas são menores, e (até onde a gente consegue ver) as crianças aprendem de acordo com a idade. Se uma criança se sobressai em alguma área, ela não é forçada a permanecer no mesmo nível. Ela é incentivada a continuar melhorando. Se a escola não consegue oferecer cursos no nível de uma criança (por exemplo, se a criança é um genio em cálculo), esta criança (normalmente já no ensino médio) irá frequentar disciplinas na universidade enquanto termina o currículo "normal" de ensino médio. E assim, as universidades têm alunos de 14-15 anos dando um banho em muitos de 24-25. Saber que o Kiyo, dada as devidas proporções, não será impedido de avançar numa área só porque não "terminou o ensino médio" me deixa mais tranquila também. No entanto, a pergunta persiste: será que nós (como pais) estamos preparando nosso filho para que ele seja o que quiser, siga seu sonho e seja bem sucedido no futuro?
Quando eu era pequena, não entendia qual a razão de se aprender tantas coisas que eu não usaria no futuro. Ouvia isso tanto de colegas meus quanto de adultos na época. "Não sei por que aprender logarítimos, trigonometria, balanceamento de equações químicas... NUNCA MAIS vou ver isso na vida!". Confesso que na época, eu também pensava assim. Hoje em dia, depois de entender que os logaritimos, trigonometrias e até as equações químicas são ferramentas que nos deixam mais bem embasados para lidar com quaisquer questões (inclusive as cotidianas), percebo como esse tipo de comentário limita a gente.
Ouço pais e mães questionando o currículo escolar (que ok, não é lá essas coisas, mas no papel da pro gasto). Os questionamentos não são porque o currículo não é posto em prática, mas porque é preciso aprender tudo isso para não usar mais. No meu ver, essa mentalidade é problemática, limitada e (com o perdão da palavra) burra. Aprender não deveria ocupar espaço. E crianças têm a vantagem de serem "esponjas" para aprender coisas novas. Ao dizer que "fulano nunca mais vai ver logarítimos na vida", está se limitando o fulano a não buscar áreas de exatas, ciências... Assim como dizer que o ciclano não vai usar poesia em nada da vida, também o limita a não experimentar a arte que (assim como a matemática) faz parte da vida.

Não acho que o currículo educacional no Brasil (ou aqui nos EUA) é bom. Acho que é mediocre. E não estou falando apenas de escolas públicas. O problema na verdade não está em aprender ou não os conteúdos "mais avançados" em matemática, ciências, gramática ou artes. O problema está na forma em que esses conteúdos (assim como os mais básicos) são ensinados. O problema está em apresentar esses conteúdos como "um mal necessário" que precisa ser decorado para ser esquecido logo adiante (muitas vezes após a prova do vestibular). E a culpa disso não é apenas do sistema. A culpa também é nossa se repetimos a falácia que "fulano jamais irá usar esse ou aquele conteúdo". Afinal é a nossa obrigação de pais é apresentar todas as ferramentas possíveis. Não devemos depender do sistema para que nossos filhos não se tornem vítimas dele.

Se queremos que nosso filho tenha a opção real de escolher QUALQUER profissão que ele quiser, se queremos dar a ele a chance de ser A ou B porque ele pode, e não porque é a única coisa ele sabe fazer (ou porque é mais fácil de passar), precisamos dar-lhe antes de tudo as ferramentas para que ele possa tomar essa decisão com propriedade e capacidade. Ele não precisa ser biólogo porque a mãe dele é ou fotógrafo porque o pai é, mas se ele quiser seguir essas profissões... queremos que ele tenha capacidade de decidir. Queremos que ele se sinta preparado para escolher seu próprio destino.
Só assim ele poderá ter o céu como limite. Só assim ele poderá inclusive ultrapassar os seus próprios limites.

domingo, 17 de junho de 2012

A diferença perfeita entre o TER e o SER...

Família Feliz sem precisar TER!!!

Vivemos num mundo onde o TER teima em tomar o lugar do SER. Parece que para algumas pessoas ter o carro do ano, o celular mais moderno e a roupa da moda é mais importante do que ser uma pessoa feliz, realizada e em paz com suas escolhas. E essa inversão de valores começa muito antes de nascermos. Como pais, somos bombardeados com comerciais melosos, com música de fundo enlatada e famílias pasteurizadas que insistem em nos convencer que para que nossos filhos (que em muitos casos, ainda nem nasceram) precisam ter a mobília assim, o trocador assado, os brinquedos dessa ou daquela marca. Indústrias inteiras se fazem nessa idéia que é preciso ter para ser. Tentam fazer uma verdadeira lavagem cerebral para nos convencer de que precisamos dessas coisas para sermos felizes. No entanto, devemos colocar as coisas em seus devidos lugares. Não precisamos TER coisas para SERMOS felizes. 
Eu nunca fui uma pessoa consumista, pelo menos não daquelas que "exigia" dos pais a calça da marca X ou Y, o tênis da moda... não me importava com a aparência do carro que meu pai tinha (ou não, uma vez que tivemos carro quando eu tinha 11 anos). Eu não exigia as férias mais caras, pois entendia que quando meus diziam que não podiam fazer isso ou aquilo era porque realmente não podiam. Nunca fiquei com a impressão de estar sendo enganada. 
Quando eu era criança, minhas festas de aniversário eram comemoradas todos os anos. Não precisavam salões decorados, buffets alugados, decorações caras e animadores de festa contratados... Um bolo, um lanche, um grupo de amigos e vários balões enchidos a vários pulmões bastavam. Não eram necessários empréstimos para pagar em N-vezes. 
Lembro bem das férias também... íamos passar o mês inteiro na praia, lá na casa do vô. Não precisávamos de muita coisa: um baldinho com algumas pazinhas de plástico bastavam para fazer a alegria da criançada. E de vez em quando (quando dava), tomavamos um  picolé de ki-suco comprado na porta de casa, ou íamos tentar a sorte na casa do geladinho jogando um dado de espuma para ver se conseguíamos dois ou três pelo preço de 1. 
Meu pai e minha mãe trabalhavam muito e estudavam à noite. No entanto, aos domingos íamos fazer piquiniques no parque (para tomar café da manhã), fazíamos gincanas no parque (com prêmios e tudo), íamos ao zoológico de ônibus... Não tínhamos todos os brinquedos do mundo, mas nem precisava. O que éramos fazia a diferença. Éramos uma família unida e essas histórias do que éramos (ao invés do que tínhamos) ficarão para sempre conosco.

É isso que eu quero ensinar ao Kiyo. E pelo jeito estamos conseguindo... ensinamos a ele que SER vale mais do que TER. Ele é um piloto em seu avião feito de tubos e conexões de pvc com caixa de papelão. Ele é um peixinho que nada feliz na praia, usando a máscara de mergulho que lhe foi doada. Ele é uma criança feliz! E ele demonstra a mesma alegria ao ver brinquedos comprados que demonstra ao ver seus brinquedos montados com caixas... Seu foguete de lençóis e almofadas não é menos especial que o foguete comprado na loja tal da marca tal...
Sim, ele tem vários brinquedos. Ele tem hoje muito mais do que eu e meus irmãos sonhamos em ter na infância. No entanto, ele sabe bem que lhe basta ser. Todos os brinquedos do mundo podem sumir da face da Terra, e ele sabe que continuará SENDO nosso filho muito amado. Somos felizes porque somos... e as coisas fazem parte da nossa vida, no entanto elas jamais serão o motivo de nossa felicidade.
Beijos e FELIZ DOMINGO 

Dani

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Escolhas... direito de todos!

Existem muitas decisões que fazemos na vida. Tudo parece ser uma moeda de troca: ou isso ou aquilo, esse é melhor que aquele... Até programas de TV foram feitos onde o telespectador decidia o final. Escolhas, escolhas, escolhas...
Quando crianças, escolhemos os coleguinhas. Na juventude, escolhemos um parceiro (ou parceira) para a vida toda. Escolhemos ser ou não ser pais. E como em tudo que temos que decidir, sempre tem um grupo, uma autoridade, um especialista que nos diga que escolhemos tudo errado. Afirmam do alto dos seus pedestais que existe uma fórmula matemática pela qual todos os seres humanos devem passar a fim de serem bem sucedidos, realizados e felizes. E concluem que fazendo escolhas alternativas às normas, saindo do molde, fugindo da Matrix, estamos nos condenando a uma vida infeliz. Quando um filho (seja ele ainda feto na barriga ou já nascido), a condenação se estende para o pequeno que depende tanto daquilo que nós, pais, escolhemos.
Mas espera um pouco... se escolher é algo tão importante assim, se a escolha pode decidir a vida de alguém (nós mesmos e os filhos), qual a lógica em aceitar piamente aquilo que alguém (que normalmente não tem nada a ver com o peixe) está dizendo? E mais, aceitar como verdade absoluta sem direito de questionamento ou avaliação alguma. Quem que em posse de todas as faculdades mentais pode deixar na mão de um terceiro (ou quarto, ou quinto) a história de sua própria vida? Quem melhor do que nós mesmos para protagonizar nossa própria história?
No domingo, o fantastico apresentou uma matéria sobre o parto domiciliar. No meu ponto de vista, a matéria foi superficial e tendenciosa. Não exatamente condenou o parto em casa, mas "alertou" gestantes e mulheres em geral que parir em casa só serve para quem tem a gestação perfeita. Para a grande maioria dos telespectadores do programa, esse simples alerta afirma (em meias palavras) que pouquíssimas mulheres são realmente capazes de parir. E as chances de que elas não possam ter o parto natural humanizado diminui exponencialmente. Daí, o programa colocou pessoas a favor do PD para falar, mas não lhes deu o tempo necessário para desmistificar a idéia que "parto é um procedimento que a mulher não pode se meter e que quem decide é o doutor". Ao contrário, abriu espaço para que conselhos regionais de medicina se metam exatamente no que não lhes diz respeito: na escolha de parir (e onde parir). E essa intervenção é ainda mais perniciosa. A mulher ainda "pode" (teoricamente) parir em casa, mas não pode ser assistida por um profissional especializado. Isso quer dizer que: "você pode até ter seu filho em casa, mas está sozinha." E isso é o que mais assusta as pessoas. Isso é terrorismo dos mais nojentos. Privar uma pessoa de assistência se esta não estiver no local "tradicional" para atendimento ainda que o local "alternativo" seja muito mais acolhedor e proporcione mais garantias de um parto bem sucedido é fazer terrorismo psicológico com a saúde e os direitos de escolha dos cidadãos.
Nos dias 16 e 17 de junho acontecerão Marchas pelo Parto em Casa por todo Brasil. Esse movimento é em prol do direito de escolha da mulher em parir em casa, no hospital, na casa de parto... e o direito dela receber assistência se assim preferir sem que o profissional seja punido de forma alguma.
Eu, pessoalmente, não poderei participar visto que moro nos EUA. No entanto, eu apoio e convido a todos os que acompanham esse blog a apoiar, não necessariamente o Parto Domiciliar - se isso é muito estranho para você, mas apoiar o Direito de Escolha que todos prezamos e queremos que nos seja garantido.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Criança com temperamento forte X Criança indisciplinada...


Kiyo sempre teve um temperamento forte. Desde bebezinho ele tem uma carinha "preparada". Ele não é (nem nunca foi) uma criança indisciplinada. Desde sempre a gente se vê comendo um dobrado com ele em relação a educação e comportamento. Nosso "segredo" sempre foi a consistência e a cumplicidade entre nós (eu e o meu marido).
Esses dias, estávamos conversando com alguns amigos sobre exatamente isso: usar o "temperamento forte" como desculpa para falta de respeito e indisciplina dos filhos. Uma coisa é a criança ter o temperamento forte, outra bem diferente é ela ser indisciplinada e sem limites. Não sei da onde que se tiram a idéia que uma criança com temperamento forte será (invariavelmente) indisciplinada e taxada "difícil". Todas as crianças podem aprender desde muito cedo a como se comportar em situações sociais, em grupos com outras crianças ou mesmo com grupos de adultos. Basta que os pais (sim, a culpa é dos pais) tirem o tempo necessário para ensiná-los. E para isso não é preciso "mostrar o chinelo, bater, ameaçar, gritar, se jogar no chão, espernear...". Para que a criança saiba os seus limites em situações sociais, é preciso praticar isso no local onde ela se sinta segura: EM CASA! E se EM CASA não há consistência sobre o que pode e o que não pode, se um dos pais fala A e o outro diz que é B, e se em casa a criança não tem os seus sentimentos respeitados... fora dela a coisa acontecerá exatamente da mesma forma. Só que fora de casa, parece que a situação se amplia de forma exponencial e fica totalmente fora de controle.
Exceto em casos específicos de extrema canseira, fome ou as duas, Kiyo sempre se comportou bem em locais públicos. Nunca foi de ficar pedindo coisas e sempre entendeu (relativamente bem para a idade) que não significa não. Quando ele saía com outras pessoas (por exemplo, minha mãe que veio visitar no ano passado), o relato de comportamento sempre era exemplar: tudo que uma mãe ama ouvir de seu filho.
Quando começou na escola, percebemos que teríamos que fazer uma marcação mais cerrada no quesito comportamento. Ele passou a imitar os "maus" comportamentos de seus colegas. Não só com os da escola... se algum coleguinha de parquinho começa a fazer birra ou a brigar com os demais, o comportamento é devidamente assimilado. É incrível como a mentalidade de rebanho toma conta. De repente, com a "tchurma", Kiyo acha que pode desafiar e agir com desrespeito. E em casa, os problemas de comportamento se ampliam. Agora ele deu para experimentar respostas "mal-criadas". Observamos que esse comportamento aumenta quando ele brinca com determinadas crianças no parque ou na escola. Então corrigimos o comportamento (tanto em casa quanto na rua). Não deixamos para "quando chegar em casa", pois ele não compreenderá porque está sendo corrigido. E tudo isso sem bater e (quase nunca) sem erguer a voz.
De forma geral, Kiyo ouve o que a gente fala. E não é que ele não possa expressar suas frustrações, muito pelo contrário. Sempre garantimos a ele o direito de expressão. O que a gente não admite é falta de respeito. E falar com pai, mãe, vô, vó, tio, tia, primo ou quem quer que seja de forma desrespeitosa ou com demandas é  inaceitável.
Nós não recorremos ao tapa para corrigir essas falhas, mas agimos de forma consistente. Explicamos que o comportamento não é aceitável sem usar palavras "infantilizadas". Ele entende bem o nosso vocabulário e já o usa de forma correta também.
No entanto, os comportamentos inadequados se mostram mais frequentes à medida que ele cresce e explora novos horizontes. Ele capta todas as novas birras, acessa como os coleguinhas conseguem aquilo que querem dos pais, e tenta usá-las para atingir seus objetivos. E é aí que entra a consistência. Quando eu falo algo, o meu marido não des-fala (e vice-versa). Ele nos vê como parceiros, amigos e companheiros (que sim, às vezes se desentendem, mas que no geral vivem em harmonia).
Esses dias, enquanto estávamos no Brasil, Kiyo se mostrou bem desafiador. Ele questionava TUDO, rebatia TUDO... se a gente o chamava ou pedia que ele fizesse algo (como ajudar na hora de trocar a roupa), ele se fazia de surdo... se era contrariado, emburrava e aí ficava batendo o pé... enfim, foi um teste de fogo!
Em uma dessas vezes que eu tive que chamar sua atenção pois ele estava sendo rude com a prima, ele me solta: "Eu não tenho medo de você!". Eu respirei fundo, e disse: "Que bom! A mamãe não quer que você tenha medo dela." Nessa hora, os olhinhos dele dobraram de tamanho. Acho que ele não esperava esta resposta. E eu continuei: "Não quero isso, Kiyo. A mamãe te ama! MAS você não pode desrespeitar a mamãe. Não ouvir quando a mamãe chama. E ser rude com ninguém. Então, você precisa pensar sobre a maneira que é legal de se comportar. Quando você lembrar como é, aí você pode vir conversar de novo comigo. OK?" E deixei ele quietinho no banco enquanto eu preparava o prato dele. Não deu 5 minutos, e ele veio conversar comigo, num tom totalmente diferente do inicial.
É difícil lembrar para não explodir na hora. É difícil não erguer a mão e dar um "cala-te boca" ou um "para-te quieto" tradicional. Mas quando o nosso próprio comportamento é repetido pelos nossos filhos e (pior) em locais públicos e com pessoas diferentes, precisamos nós desse tempo para pensar na forma legal de se comportar! Rotular um comportamento aprendido como sendo parte do "caráter" da criança é errado e totalmente fora de lugar.



sábado, 9 de junho de 2012

Considerações do Kiyo

Chegando em São Paulo na ida para o Brasil, Kiyo (que já devia estar de saco cheio de tanto viajar) constatou o óbvio:
"Mamãe, everyone is speaking 'Potogueis' here... We are in Brazil already! When is vó Ana and Dudu gonna come to pick us up?" (Mamãe, todos estão falando 'Potogueis' aqui... Já estamos no Brasil! Quando a vó Ana e o Dudu vem pegar a gente?).
Não adiantou de nada explicar 100 mil vezes que teríamos que pegar outro avião para Curitiba, afinal "everyone is speaking Potogueis".

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Kiyo: um menino colorido (verde-amarelo-azul-branco-vermelho)


Kiyo nasceu no Brasil há 5 anos atrás. Viveu 2 anos e meio de sua vida (ou seja metade dela) no Brasil. Agora estamos morando nos EUA, na Florida, em Pompano Beach. Ele já adotou esse lugar como seu lar. No entanto, é muito legal de ver como ele guarda no coração seu amor pelo nosso Brasil (principalmente pelas pessoas queridas que aqui ficaram). Nesse período de 25 dias que passamos no hemisfério sul, pudemos observar que ele lembra e muito bem das pessoas e dos lugares.
Apesar de não falar tudo em "Potogueis", Kiyo compreende exatamente o que os outros falam pra ele. E sem vergonha ou medo de não ser entendido, segue fazendo mímicas quando vê necessidade ou solta a matraca mesmo no inglês. O que ele não faz é ficar encolhido no nosso lado.
Ele pode visitar a bisa em Maringá, ver os tios, primos e amigos em Floripa, visitar a tia-bisavó na Lapa e aproveitar muito a casa da vovó em Curitiba. Foi um tempo curto (na minha opinião), mas valeu a pena. Apesar do frio e pouco tempo disponível das pessoas (afinal não era férias pra ninguém), conseguimos matar um pouquinho das saudades.
O melhor de tudo é ouvir da boca dele: "Mamãe, I want to go back to vó Ana's house" (Mamãe, eu quero voltar pra casa da vó Ana). Sei que essas lembranças ficarão com ele pra sempre. E sei que, apesar da distância, o laço de amor e carinho já está selado. Ele sabe quem são as pessoas que vê nas fotos ou com quem conversa pelo skype. Ele escolhe presentes para dar aos primos, tios e tias a dedo, chamando um por um pelo nome.
E assim, fomos e voltamos... e ficamos com aquele gosto de quero mais.
Quem sabe voltamos logo pra visitar mais um pouco a nossa amada terrinha verde-amarela...

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quer saber o que é passar por uma cesárea? Pergunte a quem já fez uma...


Quando eu estava grávida, tinha minhas ilusões de um parto rápido e (quase) indolor. Tinha sonhos de parto normal. Acreditava que se era normal, aconteceria sem muita onda. E acho que por isso não me preparei devidamente, não tomei as rédeas da situação... Desejava um parto normal com a mesma intensidade que desejava tantas coisas: se desse certo maravilha, mas se não desse certo não "seria o fim do mundo".
Bem, eu não só não me informei devidamente sobre o que significa o parto normal (para a mãe e para o bebê) como também não me informei sobre a "alternativa" asséptica e dita indolor que muitas mulheres se submetem no Brasil. E quando ela me foi apresentada, eu não tinha argumentos para rebater aos "anos de estudo e preparo" da médica. Afinal de contas, longe de mim qualquer possibilidade de complicações para o meu bebê na hora de nascer.

O que muitos médicos não informam sobre a cesárea é que por ser um procedimento cirúrgico incorre em riscos. Esses riscos, quando colocados numa balança, devem ser contra-balanceados pelas vantagens em se adotar procedimento tão invasivo na extração do bebê. Isso não deveria, em momento algum ser oferecido como uma solução para partos com hora marcada. Marca-se hora para cortar o cabelo, para fazer as unhas, não para o nascimento de um bebê.
Para a mãe, a cesárea pode causar problemas desde infecção hospitalar (que apesar se não serem divulgadas, acontecem e bastante) até dificuldades de amamentação e outros sintomas menos notados (no entanto, tão prejudiciais para a mãe e o bebê). O corte da cesárea é em 7 camadas de tecido, antes de chegar ao útero propriamente dito. Então, o procedimento que é vendido como algo fácil e rápido não é nada disso. Imagino que se o médico que oferece uma cesárea a uma gestante dissesse isso logo de cara, a mulher não aceitaria tão prontamente. As dores da cesárea chegam depois de várias formas: dor física, dor emocional e dor na alma. Tudo bem que algumas pessoas se negam a admitir as duas últimas. E algumas se arriscam a dizer com tom de vitória que "até conseguiram tomar banho sozinhas no segundo dia". Posso dizer da minha dor. Posso atestar que a dor da cesárea persiste muito depois que os pontos foram tirados. A minha persiste até hoje, 5 anos depois. A minha barriga ainda não recuperou totalmente a sensação ao toque. Parece que está continuamente num estado de dormência. A região do corte, que é consideravelmente pequeno devido a imensidão do procedimento, coça e arde.

Para o bebê, a cesárea deveria vir como uma tábua de salvação quando há realmente algo de muito errado que impeça o nascimento natural. Não deve ser o plano. O bebê precisa passar pelo canal da vagina para estimular seu sistema imunológico. Ele precisa desse período de anóxia (falta de oxigênio) para terminar o amadurecimento de seus pulmões. Ele precisa estimular o envio de hormônios a mãe para que ela produza o leite materno que o alimentará fisica e emocionalmente. Se os efeitos da anestesia são fortes suficientes para paralizar uma pessoa adulta da cintura para baixo por horas, imagine o que não faz no cérebro do bebê que está imerso na barriga dessa mãe. Imagine que o bebê, até que lhe cortem o cordão umbilical, recebe da mãe todo nutriente que precisa. E esses nutrientes chegam através do sangue que passa pelo cordão. Imagine a quantidade cavalar de anestésico que chega ao cérebro do bebê ainda dentro do útero. E quando o bebê nasce, seu instinto natural de procurar o peito da mãe não existe. O bebê apresenta-se letárgico e totalmente desnorteado por conta do anestésico.

Quando a cesárea me foi apresentada, não ouvi dos riscos de infecção e até de morte que estaria correndo. Não me falaram que eu teria dificuldades de amamentar por conta do efeito da anestesia e que isso poderia desencadear uma depressão pós-parto. Não me informaram que eu não conseguira atender meu filho prontamente sem me torcer de dor pelos pontos que puxavam. Não me falaram que estaria privada de coisas simples como participar do primeiro banho do meu filho, ou de recebê-lo em meus braços assim que ele tivesse saído de dentro de mim. Apenas ouvia da milagrosa alternativa indolor que salvaria a vida do meu filho. Não duvido que a cesárea possa sim ser a alternativa salvadora de vidas. Não duvido que ela pode se fazer necessária. No entanto, quanto mais eu recordo da minha gestação e do meu quadro pré-cesária, mais eu acho que não fui totalmente informada sobre os riscos e tampouco da sua real necessidade no meu caso.

Então, para as mamães de primeira viagem (ou segunda, ou terceira)... antes de aceitarem sem questionar as razões oferecidas pelo doutor, perguntem a quem passou por isso. Informem-se e estejam preparadas para questionar a onipotência de branco. Quem sabe você precise mesmo de uma cesárea. Só que aí você mesma saberá disso.

SEM INFORMAÇÃO NÃO HAVERÁ MUDANÇA!