Quando o Kiyo nasceu, eu ouvi inúmeras vezes que era preciso deixá-lo dormir sozinho e que não era bom ficar pegando no colo a cada vez que ele resmungasse. "Ele precisa aprender a ser independente", diziam algumas pessoas. "Ele vai ficar manhoso e você vai sofrer depois", outras palpitavam. No início, esses "conselhos" oferecidos sem cerimônia me deixavam confusa. Eu, mãe de primeira viagem, tinha uma série de pré-conceitos próprios sobre a maternidade e o que era apropriado fazer ou não com o bebê. "Deus me livre ficar refém de um pequeno ditador", ouvia várias vezes ecoando no meu sub-consciente.
Com o tempo, aprendi a ouvir meus instintos e principalmente a respeitar a relação que estava criando com o Kiyo. Aprendi a ouvir suas necessidades e entender que elas não eram artimanhas que ele mirabolava para "conseguir o que queria". Elas eram reais e legítimas. Aprendi o valor de uma "cara de paisagem" quando pela enésima vez me via obrigada a explicar minhas razões e decisões. Aprendi a ser incisiva nas minhas decisões em como agir com o Kiyo.

E assim, nesses cinco anos de vida, o Kiyo teve muito colo, muito carinho, muito mamá no peito, muita cama compartilhada, muito respeito. Ele também teve suas frustrações respeitadas e suas indagações respondidas (na medida do meu possível). Ele pôde ficar em casa com o papai e mamãe, sem pressa de iniciar sua vida "escolar". Ele pode usar fraldas até que ele estivesse pronto para o desfralde. O desmame foi natural e no tempo dele. E a hora de dormir ainda é compartilhada.Não posso falar da vida de ninguém, nem tampouco da forma como cada um decide criar os filhos que Deus lhes deu. Só posso falar por mim, e não troco a relação que eu e o Kiyo temos por noite de sono alguma. Ele tem apenas 5 anos, e sua independência (ou dependência) condiz com a sua idade. Ele pode desbravar o seu mundo (real ou imaginário) e voltar correndo para se aninhar no meu colo à noite antes de dormir. Todas as vezes que isso acontecer, estarei aqui com o colo pronto para recebê-lo.

5 comentários:
Aprendi que essa questão é realmente engraçada... Vivemos empurrando crianças para uma "independência" cujos resultados futuros serão apenas de insegurança, de medo e de ansiedade. Realmente válida sua pergunta "o que é ser independente?". Eu mesma assumo que sou depende de uma série de coisas. Fico feliz que os pequenos são dependentes de nós, de quem mais seria? Quem pode conduzir-lhes nesse mundo? Grata pela postagem, feliz que busca compartilhar esses momentos com a gente, eu ao menos aprendo muitooo!
Beijos
Filho pertinho da gente, com muito dengo e amor!
Adoro e crio assim!
Bjus, Genis
http://mamaegenis.blogspot.com.br/
http://blogdagenis.blogspot.com.br/
*Te conheci lá no Minha mãe que disse.
Então Ju...
Eu sou dependente também. A segurança que eles sentem enquanto crianças os acompanhará pela vida toda. É assim que eu vejo. E deixar que os filhos adquiram esta independência no tempo deles é o que me parece natural. O resto é forçar a barra. Já tentou tirar o bolo do forno antes da hora?
Genis...
Obrigada pela visita. Apareça mais vezes e comente também. Beijos...
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