“Mãe espanca filho de 3 anos”. Essa foi uma manchete que li
na linha do tempo de uma amiga minha no Facebook. Não vou entrar nas razões que
levaram uma mãe a fazer isso. Não vou, pois não compreendo nenhuma delas (se é
que elas existem realmente). Muitas pessoas com certeza dirão que uma coisa é
dar uma palmada para “ensinar”o filho a obedecer as regras, outra “bem
diferente” é espancar o filho até a morte. Que não há como se comparar uma “palmada”
com o ato criminoso dessa mãe. No entanto, eu não consigo ver onde uma palmada
é diferente de um espancamento da mesma forma que não acredito que existam
mentirinhas e mentironas.
Inúmeras são as imagens com mensagens que são publicadas
diariamente, apoiando abertamente a tão polêmica “palmada corretiva”. E aí,
quando alguém se diz contrário à mesma por acreditar que essa seja uma forma de
violência contra a criança, logo aparecem pessoas que juram de pé junto que
existem crianças que “pedem para apanhar” (como é que é?). Outras dizem que há
diferença entre o “bater como forma educativa” e a violência infantil. Existem
também os que batem no peito e afirmam: “Apanhei enquanto criança, e
sobrevivi”. Ou os pais que dizem que preferem não bater, MAS… e depois dessa
conjunção adversativa certamente aparecerão desculpas para a surra (ou
palmada).
Eu devo confessar que, antes de ser mãe, eu compartilhava
algumas dessas visões. Acreditava que em “alguns casos”, o uso de força física
era justificado e que algumas crianças realmente pediam para apanhar.
Quando me tornei mãe, precisei trabalhar muita coisa na
minha cabeça. De repente o que eu acreditava ia de encontro com o que eu
sentia. E com o nascimento do Kiyo, eu conheci uma outra forma de educação. Uma
maneira de ensinar o meu filho através do respeito mútuo e do exemplo. Foi uma
descoberta incrível para nossa família. É um aprendizado diário, pois cada
etapa da criança requer um olhar diferente.
Há quem nos diga que é possível criar o Kiyo longe das
palmadas pois temos apenas um filho. “Ah, espera vir o Segundo… aí você vai ver
o perrengue que é educar duas crianças.” Outras pessoas vem com a conversa de
que cada criança é diferente, e que algumas simplesmente são mais difíceis que
outras para se ensinar através da conversa, respeito e formas não-violentas de
disciplina. Nesses casos, de acordo com essas pessoas, uma “palmada pedagógica”
é recomendada.
Realmente, a maternidade não é um mar-de-rosas 100% do
tempo. Há momentos que a gente pensa que não vai conseguir e a vontade de
chutar o balde é monumental. Toda mãe (e pai) no mundo já se sentiu a pior
pessoa por não saber como lidar com a “birra”, a “manha”, a desobediência dos
filhos. E é lógico que cada criança é diferente. E tem mais, elas não nascem
com um manual de instruções ou um botão que diga “em casos de emergência,
aperte aqui”.
Eu não sou a mãe perfeita. Várias vezes me vi negando tudo
aquilo que acredito sobre a educação não-violenta. Meu sangue não é de barata,
e a paciência esgota sim. Já houve situação em que eu me desesperei, gritei… graças
a Deus, não cheguei ao ponto de bater no Kiyo. No momento da raiva, da
frustração e do desespero é que a gente precisa exercer (de forma bastante
consciente) o nosso status de adulto.
Quando a situação está feia, ficar no bate-boca ou partir
pra queda-de-braço com uma criança não é a solução. Pior ainda é usar da nossa
visível vantagem de tamanho e força para “mostrar quem manda”. Pode até ser que
o resultado seja temporariamente promissor, e a criança passe a ouvir e acatar
aquilo que é ordenado. O tapa, a palmada, a surra ensinam sim. Ensinam a
criança que a força resolve, e que bater em quem nos contraria é aceitável
(principalmente se somos mais forte que essa pessoa). Ensinam as crianças a
terem medo (pavor) dos pais. O medo, apesar de as fazer obedecer inicialmente,
acaba fazendo com que elas não contem com os pais para suas dúvidas sobre a
vida. E a família, que deveria ser o porto-seguro para a criança, fica cada vez
mais alienada de tudo que acontece na vida dela.
Muitas pessoas acreditam (e recomendam) a palmada como “mais
um recurso educador”. Bater em uma criança sinaliza que o controle da situação
já se perdeu, e que o adulto (que supostamente deveria ser exemplo) se torna a
figura agressora. Que tipo de segurança e confiança a criança terá em um
cuidador que diz que a ama, e no entanto bate nela quando se sente frustrado,
cansado, ou quando quer que a criança obedeça? Qual é o exemplo do adulto que
diz: “não pode bater no irmaozinho”, mas que na primeira demonstração de
frustração não pensa duas vezes antes de erguer o braço e dar um tapa no filho?
A agreção não precisa ser apenas física (tapa ou palmada).
Agreção verbal também afeta (e muito) o desenvolvimento emocional da criança. O
grito, o xingamento e as comparações são tão prejudiciais quanto uma surra, e
os danos que causam deixam marcas na alma. Existem pais que “nunca ergueram a
mão para o (a) filho (a)”, mas não têm uma palavra amável para falar a criança
ou não se fazem presentes na vida dela para que possam ser exemplo. Existem
pais que só sabem exigir do filho a perfeição em tudo, e esquecem de vibrar com
as pequena vitórias. Existem aqueles que não batem, não gritam, e não ensinam
também. Aqueles que acham que ser bom pai e boa mãe é encher o filho de COISAS
para suprir um vazio que foi criado pela ausência e negligência emocional dos
pais.
O problema dificilmente é a criança que não obedece. O
problema normalmente é o adulto que não se entrega. Bater na criança – ou negligenciá-la
emocionalmente – é a saída mais rápida. A frase: “bater no filho dói mais no
pai do que na criança” tira do ato de bater o real sentido da ação. Bater no
filho é um sinal de total e completa falta de controle, falta de interesse em
empregar tempo e paciência para ensinar o filho. Demora muito mais para ensinar
a criança o caminho a ser tomado e a forma apropriada de agir sem recorrer a
palmada. Exige muito mais dos pais ter que pensar sobre outras maneiras de
corrigir e disciplinar a criança sem precisar agredí-la fisica ou emocionalmente.
No entanto, eu posso falar isso por experiência (tanto como filha quanto como
mãe), o que mais ensina a criança é o exemplo que damos nas situações mais
corriqueiras da vida. A forma como tratamos os outros e o ambiente, a maneira
como nos relacionamos em casa, são as melhores lições que poderíamos dar aos
nossos pequenos. E eles estão aí, prestando toda a atenção do mundo e pedindo
para nortearmos suas vidas.
Há um provérbio que diz: “Educa a criança no caminho em que
deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Provérbios 22:6. Esse
ensinamento me serve como uma promessa. Aquilo que ensinarmos à criança, ela
carregará consigo por sua vida. Ela pode crescer tendo como exemplo o respeito
e o amor. E pode crescer tendo como exemplo o medo. Qual é o caminho que
estamos preparando para nossas crianças?

Um comentário:
O verdadeiro amor de mãe é comparado ao amor de Deus.
http://atitudesfinais.blogspot.com.br/2012/12/amor-de-mae.html
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