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| Inside Out - Disney Pixar 2015 |
Ontem assistimos finalmente ao filme Inside Out com o Kiyo.
Sim, eu sei que o filme já
saiu de cartaz e que estamos mesmo atrasados. No entanto, estávamos ansiosos para assistí-lo
devido às inúmeras
boas recomendações. Eu gostei do filme. Kiyo AMOU! Realmente se divertiu com as
palhaçadas do “Medo” e os ataques de fúria
do “Raiva”. No entanto, o que eu realmente gostei no filme foi a mensagem que
precisamos de TODOS os sentimentos para sermos nós, inteiros e completos seres
humanos.
No filme, a Riley – uma menina de 11 anos que passa por uma
mudança bastante radical quando seus pais decidem sair de sua cidade natal no
estado de Minnesota e irem de mala e cuia para São Francisco, na Califórnia. As
emoções da menina, lideradas pela Alegria, tentam encontrar a melhor maneira de
ajudá-la enfrentar
essa mudança. Antes as emoções eram comandadas pela Alegria. No entanto, o
estresse gerado pela mudança faz com que a Tristeza se sobressaia. A Alegria,
que não queria que a Riley ficasse triste ou sentisse algo que fosse “negativo”,
não compreende essa mudança de início e isso gera um caos emocional na menina. Após
muita confusão, ela finalmente entende a importância de todas as emoções e que
cada uma tem seu lugar e hora de comandar nossos sentimentos. Só então a menina
Riley recupera sua tranquilidade.
O filme trata de questões como saudades, sentimentos de
perda, sensações de desconforto por não pertencer a determinado grupo. No meu
ver, essa é uma lição muito importante. Fiquei feliz que pude conversar com o
Kiyo sobre isso hoje, enquanto íamos para o Taekwondo e ver que ele também
compreendeu a mensagem – aos 8 anos. Fiquei feliz, pois esse nível de compreensão
nem sempre é tão óbvio – muitas pessoas vivem a vida toda sem nunca entender
essa importância.
Mas porque temos tanta dificuldade em aceitar sentimentos de
tristeza, dor, medo? Porque temos a necessidade de estar sempre alegre e
saltitante? Se nos permitirmos sentir uma gama abrangente de sentimentos (indo
da alegria até medo, raiva e tristeza), aprendemos a lidar com essas emoções.
Quando lidamos com essas emoções, passamos a nos entender melhor.
Quando passamos por alguma perda ou por uma mudança radical
em nossas vidas, muitas vezes as pessoas mais próximas nos dizem para “sermos
fortes” ou “não ficar triste” ou ainda “só pensar coisas positivas e alegres”.
Na verdade, temos que passar pelo luto, pela saudades, pelo medo ou até raiva
para que possamos resolver a questão dentro de nós mesmos.
Uma criança, talvez por não saber bem como expressar essas
emoções, precisa se sentir amparada por seus pais/cuidadores/pessoas de confiança
para que ela consiga lidar com suas emoções por completo, para que esses
sentimentos não se transformem em casos graves de depressão.
No filme, quando a Alegria permitiu que a Riley sentisse e
expressasse sua Tristeza por sentir saudades de sua vida /amigos em Minnesota, tudo
se resolveu.
Quando falamos para nossas crianças que não precisam chorar,
ou tentamos “driblar” a tristeza por qualquer motivo que seja, estamos causando
um tipo de “curto-circuito” no sistema emocional delas (e no nosso também).
Então eu recomendo esse filme a quem quiser mostrar a seus
filhos que não há
nada de errado em chorar porque sente saudades de pessoas queridas. Ou que é
importante e necessário
que se permita passar por um período de luto quando se perde um ente querido ou
um bichinho ou um balão de gas que lhe escapa dos dedos.
Fiquei feliz porque Kiyo entendeu a importância de expressar
suas emoções. Ele faz isso desde sempre, porque a mamãe aqui não acredita em
sentimentos bobos ou emoções erradas. E ontem, antes de dormir, ele pode
colocar em prática
mais uma vez essa lição.
Enquanto estávamos
deitados, ele começou a fungar como se estivesse chorando. Perguntei se estava
tudo bem, e ele – mais que depressa – pulou para minha cama e começou a chorar
copiosamente. Abracei-o e perguntei mais uma vez o que foi que aconteceu. Ele
me disse que estava triste pois seu balão (da banca de limonada que fizemos
durante a tarde) havia se soltado da mesa e voado. Ele ficou visivelmente abalado,
mas sabia que poderia chorar por conta de seu balão perdido pois sabia que eu
estaria ali para consolá-lo.
Assim, ele dormiu tranquilamente depois que chorou tudo que
tinha para chorar.
Porque não existe essa coisa de: “homem não chora”, “chorar é
sinal de fraqueza” ou “temos que ser fortes”.
E ele não precisa estar alegre e saltitante o tempo todo. Ele
precisa sim ser honesto consigo mesmo e expressar exatamente aquilo que sente.

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