Kiyo está acostumado a ouvir isso de mim. Nunca
deixei de dizer. Algumas vezes acho que ele responde “eu também”
de forma automática, sem pensar muito, mas nunca disse a ele que o amo
para que ouvisse uma resposta.
Desde pequena, eu assumia que meu pai me amava. Era como se
eu soubesse sem ter ouvido isso diretamente dele. Ele é meu pai, e como tal deve me
amar, certo? Nunca entendi essa coisa de amor condicional. Para mim, amor de
pai e mãe
– filho e filha sempre foi algo incondicional e para sempre. Então,
apesar de não
lembrar quando eu ouvi “eu te amo” do meu pai, suas atitudes sempre me
mostraram isso. Seu cuidado me mostrou isso por todos esses anos.
Um dia, perguntei a ele: “Kiyo, como você sabe que
eu o amo?” E ele, sem piscar, respondeu: “Porque você me diz isso todos os
dias.”
Foi nesse momento que eu lembrei do meu pai, que não precisava me
dizer isso todos os dias, e pensei… será que minhas atitudes seriam suficientes
para mostrar ao Kiyo que eu o amo incondicionalmente? Que ele não precisa fazer
nada para ter esse amor? Será que eu preciso dizer “eu te amo” todos os dias?
Não sei. Nunca consegui não dizer “eu te amo”. Sai automaticamente.
Não precisamos dizer “eu te amo” para que nossos filhos saibam do
nosso amor. Existem pessoas que dizem “eu te amo” constantemente, mas suas
atitudes digam o oposto. Fazem isso “da boca pra fora”. Mas eu continuo
dizendo, e continuo agindo. Espero que ele encontre sua forma de demonstrar seu
amor ao próximo. Espero que ele saiba agir para que seu sentimento seja visto
com sinceridade.
No mais, eu me conforto na certeza que ouvi em sua resposta: “Lógico
que eu sei que você me ama, mamãe! Você me diz isso todos os dias, várias vezes
por dia!”

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