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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Brother Jack


Kiyo tem uma imaginacao bem grande. Ele cria situacoes entre seus carrinhos de brinquedo, entre os dinossauros, entre os bichos... Ele inventa musicas, conta historias mirabolantes. Seus personagens tem nomes bem exoticos e outros nem tanto.
Antes de dormir, toda noite, ele pede por uma historia. E ultimamente, as historias prontas nos varios livros que temos em casa jah nao sao suficiente. Ele quer que eu crie historias e mais historias com personagens variados, assim na lata. A unica coisa ruim sobre isso eh que me falta historia para inventar e ele vai enrolando e aumentando a trama. De repente a historinha que comecou com os coleguinhas da escola dele, jah virou uma batalha inter-galactica de monstros com varios tentaculos. Procuramos incentivar ao maximo essa imaginacao fertil do Kiyo, mas devo confessar que tem horas que dah uma canseira...
Ultimamente, seu "personagem" favorito eh um companheiro invisivel que ele nos apresentou por "my Brother Jack". E todo dia de manha ele vem com uma aventura nova do Brother Jack.
"Mamae, did you know that my Brother Jack lives in a rocket-ship?" (Mamae, voce sabia que meu irmao Jack mora em um foguete?).
"Eh mesmo, Kiyo? E como ele eh?"
"He has green eyes and red hair, and he eats ice cream and chocolate milk!" (Ele tem olhos verdes e cabelo vermelho, e toma sorvete e leite com chocolate!)
As aventuras do Brother Jack viraram rotina em casa. Um dia desses resolvi perguntar: "Kiyo, quem eh a mamae do Brother Jack?" Ele respondeu um nome que claramente nao era o meu. Perguntei quem era o papai do Jack, e a resposta tambem passou longe do nome do Jeff. De qualquer forma, Kiyo parece estar satisfeito com o fato de que o seu "Brother Jack" compartilha o foguete com ele. Teve um dia que ele acordou e disse: "Mamae, my Brother Jack was fixing my rocket for THREE DAYS!" E aparentemente, o Brother Jack quer me conhecer. (hehehe).
Depois de ouvir falar tanto do Brother Jack, lembrei do meu amigo imaginario, com quem eu passava horas e horas brincando, trocando confidencias e inventando mil e uma coisas.
Eu acho que eh muito importante permitir que a crianca de asas a imaginacao. Tenho certeza que essas brincadeiras, que para muitos adultos soam bobinhas e inocuas, sao fundamentais para o desenvolvimento do cerebro dos pequenos. Esse estimulo os ajuda a resolver situacoes complicadas, conflitos e a lidar com perdas, saudades e outras peculiaridades no decorrer da vida.
Estou muito feliz em perceber a habilidade do Kiyo em inventar suas proprias historias com personagens variados. Percebo nele uma flexibilidade intelectual muito grande, e uma facilidade em encontrar saidas para suas proprias crises. E nao eh nenhuma surpresa para nos quando ele oferece uma solucao para alguma "crise" que temos em casa. Eh muito bom saber que meu pequeno pensa e consegue articular muito claramente.
Beijos

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seguranca que transforma...






No dia 03 de novembro fizeram 2 anos que voltamos a morar nos EUA. Nesses 2 anos muita coisa aconteceu. Kiyo ainda nem falava direito quando chegamos aqui. Ele tambem usava fraldas e mamava direto. Nao ia a escola (nem nunca havia ido ateh entao). O mundinho dele era aquilo que ele conhecia de dentro da seguranca do nosso lar. Ele conhecia o fundo do quintal onde brincava com as cadelas. Conhecia a rua onde moravamos e as pessoas que o cumprimentavam todos os dias. Ele sabia que nos entendiamos suas necessidades mesmo que ele nao soubesse como verbaliza-las de forma compreensivel. 
De repente, entramos num aviao grande, ele dormiu e quando acordou tudo era diferente. Ok, a lingua era familiar jah que papai falava com ele em ingles desde o nascimento. Mas o mundo era outro. Os cheiros, os gostos e as cores eram diferentes. Nesse novo mundo tinha praia, tinha areia, tinham parquinhos... mas nao tinham mais aquelas coisas que para ele eram familiares: nao tinha mais Rotti ou Dogui, nao tinha mais vovo e vovoh, nao tinham mais amiguinhos para brincar. Tudo era novidade. 
Nao sei dizer o quanto ele sentiu essa mudanca. Nao sei dizer, pois ele nao mostrou sinal algum de estresse. Acho que isso foi pois ainda tinha a seguranca do papai e da mamae sempre com ele. Um pedacinho do que era familiar tinha vindo junto com ele. E acredito que isso o manteve seguro. De alguma forma, ele sabia que nos estariamos ali com ele para o que desse e viesse. Em momento algum na sua vida ele passou por uma situacao em que tivesse essa certeza abalada. Sempre estivemos ali. Sempre consolamos sua tristeza. Sempre acalantamos seus sonhos. Sempre contavamos a respiracao durante a noite. Mesmo dormindo, estavamos alertas a qualquer mudanca, qualquer parada, qualquer fungada mais profunda. Se durante a noite ele tinha algum sonho assustador, era soh esticar os bracos para lembrar-se que estava seguro entre o papai e a mamae. Encostava as maozinhas uma em cada rosto e voltava a dormir tranquilamente.
Nunca precisou ser consolado por chupeta ou mamadeira, pois a mamae sempre se pos disponivel. Nao precisou ser independente para deixar papai e mamae "a vontade", afinal ainda eh uma crianca que depende sim de seus pais para varias coisas. Ele nunca precisou segurar o choro ao cair ou se machucar durante uma brincadeira, pois ele sabia que estariamos ali para consola-lo. Com isso, ele raramente chora porque caiu ou se machucou. Sempre validamos seus sentimentos, por mais que os motivos nos parecam tolos. Nada eh besteira! E homem chora sim!
Ele obtem sua independencia de forma natural, uma coisa de cada vez, um passo na hora certa, da forma que tem que ser. Cada etapa eh vivida intensamente e nao temos pressa alguma que ele passe de uma para a outra. Queremos ter certeza que ele se transformou no menino que eh sem ser apressado, sem ser forcado a largar esse ou aquele comportamento "infantil". 
Kiyo foi pra escola quando ele pediu insistentemente e assim percebemos que ele estava pronto para essa etapa. Kiyo parou de mamar em livre demanda quando nao mais sentia essa necessidade. Por enquanto ainda sente necessidade de mamar um pouquinho antes de dormir. Conversamos sobre o assunto e ele diz que quer parar, mas que nao eh hoje. Ele fala: "vou parar de mamar na quinta que vem." E eu entendo que ele ainda nao se sente pronto para dar esse passo, e respeito a sua escolha. 
Kiyo desfraldou por completo esse ano, naturalmente, sem impor nada ou ameacar. Ele jah demonstrou interesse em ter a propria cama, mas em momento algum ele indicou interesse em dormir sozinho. Da unica vez que ele falou em dormir sem a gente (por conta dos primos), agimos de forma bem natural. Ele pegou o travesseiro e foi feliz para o quarto do primo. Enquanto eu tomava banho, ele ficou lah e o Jeff no outro quarto. Quando eu sai do banho, vi seus olhinhos arregalados me olhando (e lembrei dos mesmos olhinhos me olhando na maternidade). Perguntei se ele queria dormir ali ou se queria ir dormir comigo, e ele respondeu num salto, agarrou o travesseiro e veio feliz. 
Ele precisou ficar internado no inicio desse ano, por conta de um "desmaio" que acabou nao sendo nada serio. O susto foi grande, mas mesmo nessa hora de apreensao, ele se mostrou seguro. Mamae passou a noite ali ao seu lado, velando seu sono. Papai segurou sua mao na hora em que a enfermeira veio colocar o soro em sua maozinha. Papai e mamae estavam de prontidao aguardando exames, resultados e diagnosticos. Da experiencia, Kiyo lembra da tala que tinha na mao e de como ele brincava que aquilo era o laser do Buzz.
Nao entendo como as pessoas acham que devem "forcar" as criancas a serem independentes quando sao apenas criancas. Ou entao que devem forca-las a largar o peito, porque senao vao ficar "mal acostumadas". Nesses casos, causam mais traumas que beneficios. 
Assim, eu prefiro continuar agindo pelo meu instinto. Prefiro que meu Kiyo tenha sua independencia de forma organica, natural e na hora em que estiver preparado emocionalmente e fisicamente para te-la. 
Continuo acreditando que bebe recem-nascido nao tem que aprender a dormir sozinho, a mamar a cada 3 ou 4 horas, a se acalmar no berco sem o calor do colo da mae. Acredito que filhos precisam de maes e maes precisam de filhos. E por isso eu continuo dando asas ao Kiyo quando ele precisa voar e dando colo quando ele precisa se aninhar.
Em tempo: hoje Kiyo fala pelos cotovelos, compreende tanto ingles quanto portugues (apesar de escolher falar em ingles), corre, anda de bicicleta, desenha, escreve, vai para a escola... faz tudo aquilo que um menino saudavel e seguro de 4 anos e meio faz. E o faz sob os olhos protetores e admirados do papai e da mamae (que babam e se orgulham a cada passo de desenvolvimento que ele dah).

domingo, 23 de outubro de 2011

Nao adianta ser filho, tem que participar...

Aqui em casa a gente nao eh adepto da regra que adulto fala e crianca fica quieta. Kiyo tem tanto direito quanto nos de expor suas opinioes, questionamentos e criticas. E ele o faz de forma bastante divertida e unica.
Teve a vez em que Kiyo, descontente com a velocidade do ventilador (no minimo), protestou ao pai: "Daddy, it is 'unceptable' (unacceptable) the fan in low." (Papai, eh inaceitavel o ventilador no minimo). A gente precisa muitas vezes cuidar para nao rir, pois ele fica muito ofendido - principalmente se o assunto eh serio no seu ponto de vista. Precisamos tambem algumas vezes corrigir sua forma de falar, para que ele entenda claramente a diferenca entre expressar o que pensa e falar com grosseria ou falta de respeito.
Essa semana ainda, quando o Jeff voltou da aula, ele o abracou e logo quis saber: "Daddy, how was school? What did you learn today?" (Papai, como foi a escola? O que voce aprendeu hoje?).
E assim vamos que vamos... Kiyo cada vez mais comunicativo, e nos cada vez mais orgulhosos das descobertas do pequeno.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Comentarios do Kiyo...

Como jah disse em posts anteriores, o Kiyo estah cada vez mais desenvolvido em sua fala. E com isso, surgem comentarios unicos, hilarios e muito cheios de cor!
Fomos eu, Jeff e Kiyo no parquinho numa dessas tardes. Como o parquinho estava vazio, estavamos soh nos tres correndo e fazendo brincadeiras na areia, subindo e descendo pelo escorregador. Eu fui sentar no banco do parque e o Kiyo correu pegou na minha mao e chamou: Mamae, let's go down the slide! (Mamae, vamos descer no escorregador!). O Jeff disse que iria no meu lugar e o Kiyo respondeu: Nao papai! You are too fat! You can't go! (Voce estah muito gordo, voce nao pode ir!). Depois que todos rimos, eu perguntei a ele se eu tambem estava gorda e ele respondeu: Nao, mamae! He is! E apontou para o Jeff.
Na manha de Natal, o Kiyo acordou todo empolgado para ver o que o Papai Noel havia deixado debaixo de nossa bela arvore de Natal. De repente ele deu um suspiro e veio correndo me mostrar: Mamae, look. Santa Claus made a mess!" E entregou nas minhas maos uma bolinha da arvore.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Transformacoes

Eh sempre uma surpresa para aqueles que nao veem o Kiyo frequentemente como ele estah crescido. Nesse tempo que estamos aqui, ele cresceu bastante tanto de tamanho quanto de expressao, vocabulario e atitude. Nos que convivemos com ele diariamente demoramos mais para notar essas mudancas. No entanto, elas estao ali, e moldam a personalidade dele.
O que mais percebo no desenvolvimento do Kiyo eh a forma dele se expressar. Desde bebezinho ele sempre foi muito expressivo. Desde que nasceu ele tinha um olhar caracteristico, muito forte e muito expressivo.
Antes dele falar compreensivelmente, nos conseguiamos interpretar suas mais variadas expressoes faciais. Eh incrivel como ele se parece comigo nesse quesito. Minha mae conta que eu era capaz de mudar de expressao totalmente de um instante pro outro. Ele tambem faz isso.
Com o aperfeicoamento da fala, o Kiyo passou a ter outra ferramenta para moldar sua personalidade, sua expressao... A cada dia ele descobre uma palavra nova, uma expressao nova, uma intonacao diferente. Ele tem um excelente senso de humor, e apesar da tenra idade, ele consegue mirabolar roteiros bem complexos para suas brincadeiras.
Eu sempre me surpreendo pensando de onde ele tira tanta coisa nova. Mas a resposta eh simples, ele tira do seu cotidiano.
A forma como ele expressa sua realidade demonstra sua maturidade para um menino de 3 anos e meio. Ele indaga suas duvidas, expressa seus medos e alegrias sem esconder suas intencoes. Essa eh a pureza da crianca, sem dissimular. Para ele, nao eh preciso dizer que algo eh bonito se nao eh. Basta dizer a verdade.
Essa sinceridade com que o Kiyo encara o mundo vai um dia ser encoberta pela verniz social que tanto tentamos incutir em sua cabeca. Dizer o que se pensa nao eh bem aceito em todos os meios, entao eh preciso ser "nice", eh preciso ser "social" e agir conforme o codigo de etiqueta. Apesar de gostar quando as pessoas elogiam o comportamento do Kiyo nos meios sociais, eu nao quero que ele perca tao precocemente a sua autenticidade. Sua expressao nao precisa se moldar conforme a situacao. Ela deve expressa-la.
Entao, quando o Kiyo nao quer agir conforme o padrao, nos nao insistimos. Deixamos que ele exerca sua individualidade, e que expresse sua personalidade. Ele jah apresenta sinais de maturidade social, sabendo compartilhar brincadeiras e objetos. No entanto, sua personalidade continua intacta, suas expressoes sao mantidas e aparecem na forma de tigres, dragoes e dinossauros para reforcar as expressoes faladas que agora as acompanham.