Kiyo fez 11
anos. No entanto, já tem algum tempo em que apresenta
uma maturidade além da idade. Aos 11 anos, acompanha
bem conteúdos de 7ª e 8ª séries. Aos 11 anos, busca por conta
desafios que eu mesma nunca imaginei buscar quando tinha a mesma idade. Aos 11
anos, reivindica com eloquência aquilo que acha ser direito
seu. Aos 11 anos, questiona nossas escolhas e argumenta em favor das suas próprias.
Ele se encontra numa fase de transição, onde ainda é menino, mas quer ser mais... busca liberdades que ainda não consegue suportar, e desafia às nossas recomendações como se quisesse conferir se sabíamos o que falamos. Suas escolhas são suas e nem sempre são as mais adequadas. Seus métodos são seus, e nem sempre são os que surtem bons resultados. No entanto, temos que respeitar e orientar. Temos que aceitar que tudo faz parte do aprendizado da vida.
Ele se encontra numa fase de transição, onde ainda é menino, mas quer ser mais... busca liberdades que ainda não consegue suportar, e desafia às nossas recomendações como se quisesse conferir se sabíamos o que falamos. Suas escolhas são suas e nem sempre são as mais adequadas. Seus métodos são seus, e nem sempre são os que surtem bons resultados. No entanto, temos que respeitar e orientar. Temos que aceitar que tudo faz parte do aprendizado da vida.
Eu estou vivendo tudo isso de boca aberta, surpresa com sua determinação. E tudo isso, essa busca por autonomia total de sua vida, suas escolhas e seu caminho, me deixam confusa. Não sei até onde puxar, até onde segurar, até onde permitir ou até onde controlar suas escolhas. Escuto suas conversas com outras pessoas e percebo que nossos ensinamentos estão sendo incorporados. No entanto, percebo mais e mais que influências de colegas já fazem parte de suas decisões. Percebo que em muitos aspectos ele exibe características estranhas à nossa realidade familiar. E assim, temos vivido alguns momentos – não todos, obviamente – de conflito e preocupação.
Sei que
isso tudo faz parte do desenvolvimento dele, inclusive as “mentirinhas” e os
“segredos”. E por fazer parte do desenvolvimento, eu me sinto ainda mais
preocupada com a forma em que essas mudanças podem afetá-lo no futuro. Talvez, e muito provavelmente, essa minha preocupação não tenha grandes repercuções. No entanto, é minha obrigação de mãe prepará-lo para ser o
adulto que ele será no futuro. Tenho certeza de que ele
será muito mais centrado do que eu fui, e que não terá os mesmos dilemas que eu tive. Percebo desde já que sua
determinação beira a obstinação, e que isso pode ser seu trampolim para uma vida bem sucedida (tanto
profissional quanto pessoalmente). No entanto, me preocupo – exatamente por
isso – com a forma em que devo guiá-lo sem forçá-lo a nada que
ele não queira. Como devo orientá-lo, apresentando opções saudáveis sem escolher por ele? Como devo
ter confiança que ele irá seguir o
caminho da justiça e do respeito sem temer que ele
desvie a atenção por algo “brilhante”? Essas
perguntas inundam meu pensamento. E cada vez que penso sobre esse assunto,
lembro de algo que perguntei a minha própria mãe quando eu passava por essas “fases” da vida: “Você não confia em mim? Ou você não confia na criação que me deu?” Hoje eu entendo a resposta silenciosa de minha mãe: Não é falta de
confiança: nem em você, meu filho, nem na sua criação. É incerteza, pois os caminhos ainda não foram traçados, e o futuro é repleto de incertezas. Então, temo sim.
Temo pelo mundo em que vivemos. Temo pelas escolhas que fiz e como essas
escolhas podem moldar a pessoa que você é e será. Temo em ser exigente demais,
e tolher sua liberdade. Temo em ser permissiva demais, e não proteger sua
integridade. Acho que no final das contas, a cada fase na vida de um filho,
seus pais passam por metamorfoses completas: viram borboletas e voltam a ser
lagartas inúmeras vezes, transformando junto com eles a vida dos filhos.
Hoje, estando Kiyo
cada vez mais independente de nós – tanto nas escolhas quanto no dia-a-dia,
sinto essa transformação e agradeço pela oportunidade de guiar sem forçar.
Agradeço quando percebo que – apesar da metamorfose dolorida – nosso trabalho
como pais do Kiyo está se cumprindo. E ele está se transformando numa pessoa
muito melhor e muito maior do que eu poderia imaginar há 11 anos atrás.



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