Esse blog é um criado como meio de expressar o amor que eu sinto pelo meu filho, relatar alguns fatos de sua vida, frustrações, determinações... tudo que diz respeito ao mais puro e profundo amor de mãe. Neste blog coloco publicamente as decisões que tomei em relação a maternidade, reflexões sobre as mesmas... Meu filho cresceu e hoje eh um rapaz lindo.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Ciclos que vao se fechando...
Como muita gente deve estar careca de saber, Kiyo (com seus 4 anos e 4 meses) mama a noite, antes de dormir. Eh uma das muitas formas que a gente encontrou soh nossa de ficar juntinho. Alias, a hora de dormir eh nossa! Acontece que como tudo na vida, a amamentacao tambem chega num ponto onde nao eh mais necessaria. Quem decide isso? A mae ou a crianca? Quando eh a melhor hora de parar? Este post estah parecendo com algumas materias (bem fraquinhas, por sinal) que se arriscaram a falar sobre o assunto da forma leviana e formatada que conhecemos tao bem na nossa amada televisao brasileira de cada dia...
MAS... (ufa, tem um mas nessa conversa...) nao eh isso nao!
Quem decide quando chega? Ambos. Se a relacao eh de mutua entrega, existe sintonia entre os dois. Existem situacoes em que a mae jah nao se sente mais apta a continuar com a amamentacao. Existem situacoes em que o bebe (ou a crianca jah maiorzinha) decide que deu pra fita. No meu ponto de vista, o melhor relato de desmame que jah ouvi foi o da Kalu (Mamiferas) falando do desmame do Miguel (Desmame Natural Existe). E confesso que essa era para mim a forma idealizada da coisa acontecer. A verdade eh que, assim como qualquer mudanca, essa virada de pagina na relacao mae-filho tambem traz algumas dores (necessarias) que incomodam.
A melhor hora de parar? Quando eu ouvi que nao seria capaz de amamentar meu filho, mesmo querendo muito, e que era melhor eu desistir e parar de sofrer com aquilo, eu me senti a pior mae do planeta. Achava que eu era a unica que teve dificuldades em amamentar e me sentia sozinha mesmo. Quando eu tinha que dar a dita formula pro Kiyo e recebia olhares de reprovacao e ateh comentarios do tipo: "mas ele deveria estar mamando no peito!", eu me sentia incompleta, incapaz... No entanto, eu sabia que eu nao era! Entao a minha volta-por-cima veio quando eu conheci a relactacao, processo que me ajudou imensamente a re-estabelecer minha auto-estima e firmar a minha confianca e certeza de que eu era sim capaz de amamentar meu filho. O que veio depois foram 4 anos de pura alegria ao ver meu filho se deleitando (literalmente) no melhor que eu poderia oferece-lo. Com isso, os mesmos olhares que uma vez me recriminaram por nao amamenta-lo, passaram a me recriminar por te-lo pendurado no seio. E como a gente cria uma casca dura, passei a adotar a famosa "cara de paisagem" ao som de "to nem aih"!
Eis que chegou um dia em que o Kiyo quis saber:
- "Mamae, does Beckett (amiguinho da escola) go 'mama'?" (O Beckett mama?).
Respondi que eu achava que nao. Ele quis saber porque (afinal, ele tem 4 anos e estah na belissima fase dos porques!). Eu disse que nao sabia, mas achava que era porque o Beckett nao quis mais. Ele perguntou sobre todos os coleguinhas. E a resposta era que eu achava que nao. Daih ele ficou quieto. Parece que ele estava tentando se encaixar no mesmo grupo que os coleguinhas.
Eu percebi sua inquietacao silenciosa, e falei:
- "Kiyo, voce gosta de mamar?" E ele respondeu um timido "Sim".
Eu: "Voce pode mamar o tempo que voce quiser, ok? Nao ha problema algum em voce mamar! E tambem nao ha problema algum se voce nao quiser mais. A mamae vai saber entao que voce nao precisa mais do mama, ok?"
Parece que eu tirei um caminhao de pedras das costas do meu pequeno com aquelas palavras. Ele virou para mim no escuro e pediu:
-"Mamae, I want mama!"
Isso aconteceu jah ha algum tempo. Achei que iamos continuar firmes por algum tempo mais.
Aih veio esta semana. Uma visita ao dentista me deixou com a pulga atras da orelha. Kiyo tem varias caries. Mas como? Nao houve uma condenacao dizendo que o fato dele mamar a noite seria a causa das caries, e eu nunca havia ouvido isso antes. No entanto, achei que talvez esse seria o gancho para tentar iniciar o processo de desmame. Conversei muito com ele aquela noite. Falei que iriamos escovar bem os dentes, passar o fiozinho, iriamos contar uma ou duas historinhas e iriamos dormir. Daih quando jah estavamos deitados, eu disse:
-"Kiyo, hoje a gente vai dormir sem mamar, ok?"
Ele quis saber:
-"Por que, mamae?"
E eu expliquei que a dentista tinha encontrado um monte de "bichinhos" morando dentro dos dentinhos dele. E que como a gente jah havia escovado os dentes, nao era bom comer nada. Disse tambem que se ele quisesse, eu poderia dar um copo d'agua e que ficaria ali juntinho dele, fazendo carinho e segurando sua mao ateh que ele adormecesse.
Ele falou "OK", virou para mim, segurou minha mao, pediu que eu cocasse suas costas e adormeceu. Durante a noite, nao pediu para mamar. Achei que ele iria chorar, pedir por favor... estava esperando esta reacao que indicasse que ainda nao era a hora de parar. No entanto, ele acatou minha explicacao tao naturalmente que eu fiquei surpresa.
Hoje jah fazem dois dias que o Kiyo nao mama. Daih enquanto a gente estava se arrumando para ir para a escola, ele veio cheirar o mama. Eu perguntei se ele queria mamar. Ele disse que sim. Daih eu deixei ele mamar. Ele veio, deu uma bicadinha e logo largou.
-"Nao quer mais, Kiyo?"
-"Nao, mamae!" Deu uma risada e pediu: "Eu quero um sanduiche de pasta de amendoim."
Hoje a noite, veremos como vai ser. Nao ha nada fixo sobre o nosso status. Entao, se hoje ele insistir no mama... ele vai ganhar e depois a gente escova os dentes novamente e pronto.
De qualquer maneira, eu sinto que o nosso ciclo estah sim chegando ao fim. Sinto que fui competente e que tanto o Kiyo quanto eu (quanto a nossa relacao mae-filho) soh teve a ganhar com esse processo. Eu sinalizei um possivel final de ciclo... sem traumas, gostos amargos ou insegurancas.
Beijos a todos e todas,
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Choro na hora de dormir... deixar ou nao deixar, eis a questao!
Quem tem (ou teve) filho pequeno sabe como podem ser longas as noites em que um bebe reluta para dormir. Junto com tantas duvidas, as mamaes (e papais) recebem inumeros palpites sobre o que fazer e como "treinar" o bebe a dormir a noite inteira desde bem novinho. O famoso "deixar chorar" vai contra o meu grao, contra o meu instinto. Eu pratico cama compartilhada desde que o Kiyo tinha dias, e por essa razao nao sei qual a "outra" maneira de faze-lo adormecer senao deitando com ele para dormir. Devo confessar que ha dias em que eu gostaria muito que ele adormecesse por si soh. Porem, nao trocaria esse tempinho de aconchego por nada nesse mundo. Jah ouvi muitas criticas sobre a pratica da cama compartilhada e tambem dessa "dependencia toda" do Kiyo em mim para dormir. Pessoas das mais diversas partes da minha vida jah vieram me dizer que eu "tinha que deixar ele chorando por um tempo para que ele acostumasse a dormir sozinho". Eu, que ateh entao nao tinha aporte cientifico para explicar nossa decisao de "nao deixar chorando", encontrei!!
A Associacao Australiana de Saude Mental Infantil (AAIMHI) publicou em 2004 (ou seja nao eh tao inovador assim o tema) um artigo alertando sobre os possiveis efeitos mentais da tecnica conhecida no ingles como "Controlled Crying" ou "Choro controlado". O artigo explica que a tecnica eh usada amplamente na tentativa de conter e acalmar bebes (e criancas) que nao conseguem dormir sozinhos ou que ficam acordando durante a noite. A tecnica envolve deixar a crianca chorando por periodos mais longos antes de intervir e conforta-la. A ideia eh que com o tempo a crianca irah conseguir dormir por si soh e nao necessitarah acordar varias vezes durante a noite. No artigo publicado, a AAIMHI expressa sua preocupacao com o uso desta pratica no desenvolvimento psiquico do bebe. Segundo a associacao, a tecnica nao eh consistente com a necessidade do bebe para que ele desenvolva sua saude emocional e psicologica. Esta afirmacao parte do principio da identificacao do choro, sendo que um eh uma forma que o bebe tem de sinalizar algum tipo de estresse (psicologico ou fisico) e outro pode ser simplesmente o choro de "manha" ateh que o bebe se acomode. Partindo do principio que um bebe precisa se adaptar a inumeras mudancas quando nasce, eh normal que ele (ou ela) chore por qualquer mudanca. Deixar um bebe chorando sem conforta-lo causa um estresse ainda maior do que o inicial. Alem disso, deixar o bebe chorando (mesmo que por um periodo curto) pode desestimula-lo a buscar conforto e esperar suporte quando se sentir em "perigo". Segundo o artigo, "bebes a partir do sexto mes de vida passam por varios graus de ansiedade quando separados dos pais. Esta ansiedade continua ateh que eles aprendam que seus pais voltarao quando sairem e que eles estao seguros. Este processo de aprendizagem pode levar tres anos." Os autores ainda vao alem dizendo que, ao contrario do que se pensa popularmente, bebes cujas necessidades emocionais (choro atendido e estresse resolvido) sao atendidas imediatamente, conscientemente e apropriadamente, desenvolvem um apego seguro que traduz na formacao de um adulto emocionalmente saudavel. A longo prazo, criancas que sao atendidas e nao sao deixadas chorando (mesmo que isso seja "monitorado" e "controlado") aprendem a dormir melhor e sozinhas mais rapidamente pois sentem-se seguras sabendo que suas necessidades emocionais serao atendidas.
Ao ler o texto http://www.earlychildhoodaustralia.org.au/pdf/papers/april2003_aaimhi_controlled_crying.pdf, fiquei pensando no Kiyo, nas vezes em que ouvia dizer que estava deixando ele mal acostumado e blablabla. Vendo como o Kiyo age em relacao a nos, e como ele nao tem problemas quando eu tenho que sair trabalhar... nunca menti, fugi ou coisas do tipo. Ele sempre soube que se falamos que vamos voltar tal hora, estamos de volta na tal hora. Sempre buscamos dar a ele uma sensacao de seguranca (nao necessariamente financeira ou material) emocional. Ele sabe, desde que nasceu, que pode acordar no meio da noite e nos chamar que estaremos ali atentos para suas necessidades. Ele sabe tambem que quando estiver pronto para aventurar a noite na sua propria caminha, no seu proprio quarto, estaremos ali se precisar. E ver como ele lida tao bem com as minhas eventuais ausencias temporarias por conta de trabalho e mestrado me faz ter certeza de que escolhi, mesmo que instintivamente, o caminho certo: o caminho do respeito ao tempo dele.
Ele vai crescer e ser o que ele quiser. Por enquanto, ele eh meu menino de quase 4 anos. E por enquanto ele precisa de mim para acalentar seus medos e incertezas. Enquanto isso for o caso, aqui estarei... disposta a acordar 5000 vezes por noite se for preciso.
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