Crianca nao mente, e as que o fazem de forma maliciosa (que nao seja devido a grande imaginacao que tem) aprenderam com algum adulto... Eis uma prova:
Kiyo estava ontem no parque de costume com o pai, depois de uma manha na escola, quando comecou a chover. Kiyo e o papai foram para debaixo de uma area coberta onde duas mulheres faziam um lanche. Quando parou a chuva, Jeff e Kiyo estavam voltando para o playground. De repente, uma das mulheres levantou-se e soltou um pum alto (devia ser daqueles que deixam a gente com vontade de abrir um buraco no chao e sumir do mundo). Kiyo, que nao eh nada surdo e aparentemente nao tem "tato" algum nesses momentos, imediatamente olhou para tras, franziu a testa e abanou o nariz enquanto olhava fixamente para a mulher.
Jeff queria sumir naquele instante, e por isso nao olhou para verificar a expressao da mulher "gasosa".
E assim eh... quando perguntei ao Kiyo porque ele havia feito aquilo, ele simplesmente respondeu: "mas mamae, ela tinha mesmo soltado um pum." E aih, vai dizer o que pra criaturinha???
Esse blog é um criado como meio de expressar o amor que eu sinto pelo meu filho, relatar alguns fatos de sua vida, frustrações, determinações... tudo que diz respeito ao mais puro e profundo amor de mãe. Neste blog coloco publicamente as decisões que tomei em relação a maternidade, reflexões sobre as mesmas... Meu filho cresceu e hoje eh um rapaz lindo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Ser humano...
Uma discussao apresentada no blog Mamiferas (que acompanho diariamente) falando sobre "direitos humanos" me fez pensar sobre o uso de termos como "humanidade" e "natureza humana". E tambem me fez pensar em o que estou ensinando meu filho acerca dessa confusao que esses termos podem significar. O texto em si nao foi a questao. Alias, acho que o texto trata de um tabu social e cultural muito grande: o direito de presidiarias parturientes de serem tratadas de acordo com as diretrizes dos direitos humanos. Nao vou entrar no merito dessa questao aqui, mas a discussao que o texto gerou me fez pensar se realmente ter humanidade eh sinonimo de ter respeito e preocupacao com o proximo.
Se pensarmos bem, humanidade eh um jargao utilizado por muitas pessoas para qualificar um comportamento. Se a pessoa estah "agindo com humanidade", assume-se que ela no minimo respeite o proximo. Na verdade, humanidade refere-se a condicao humana ou natureza humana que faz parte de todos os seres da especie Homo sapiens sapiens. Entao como podemos atribuir uma conotacao positiva a uma condicao como a nossa, que tem seus pormenores assim como o "instinto animal"? E o proprio instinto animal tambem nao tem suas nuances mais "humanas"? Sentimentos e atitudes como raiva, nojo, repudio, inveja, arrogancia, mesquinharia, discriminacao, revanche, vinganca, preconceito sao tipicamente atribuidos a seres humanos. No entanto, os mesmos nao sao qualificados como "atitudes humanas" ou "sentimentos mais humanos". Apenas atitudes de solidariedade, respeito mutuo, cordialidade, empatia sao constantemente associados com o termo "humano" ou "humanidade". E assim, a atitude segue rotulada sem atribuir a mesma o significado real que lhe cabe. Acreditar que o "humano" eh apenas o bom, o solidario, o respeitador, eh ter uma visao miope da nossa propria condicao. Isso a gente ve em filmes (fraquinhos) ou novelas onde o mocinho sempre eh bonzinho e o vilao eh o capeta. Na vida mesmo, as pessoas (nos todos na verdade) tem momentos de mocinhos e de bandidos.
Na criacao dos filhos, eh preciso deixar claro que essas facetas da humanidade existem. A gente aprende diariamente isso quando descobrimos que "aquele grupo social" que parecia ser acima de qualquer suspeita de repente nao eh tao "direitinho" assim. E para uma crianca, que muitas vezes entende a coisa muito preto-no-branco, fica complicado de perceber essas nuances.
Eh muito complicado, depois de tanto tempo imersa nessa ideia de que agir humanamente eh agir com compaixao, pensando no bem do proximo, conseguir me despir desses jargoes. E quando tento explicar ao Kiyo atitudes que nao sao legais, fica cada vez mais complicado nao recorrer aos mesmos. Principalmente quando os "instintos" sao muitas vezes muito mais logicos e sensiveis a realidade dele do que o raciocinio "humano". Eu acho que agir de maneira solidaria, empatica e respeitosa com alguem eh um ensinamento que se passa de geracao a geracao a partir de exemplos vividos.
Justifica-se a falta de respeito ao individuo porque este nao cumpriu com as leis estabelecidas pela sociedade (afinal, se foi preso, tem mais que se ferrar), mas continua-se "dando o jeitinho" para conseguir pagar menos imposto, ou para tirar nota na prova, ou ateh para nao precisar lidar com alguem. Nao ha menos ou mais humanidade no olhar do bandido que vai roubar a casa de alguem a mao armada que no olhar do medico que insiste em tratamentos carissimos, levando familias inteiras a dar tudo que tem na ilusao de salvar a vida de alguem que estah em estado terminal. A atitude de alguem que rouba comida para dar aos filhos que passam fome nao eh menos nem mais humana que a atitude do politico que mente descaradamente ano apos ano, tirando o que eh do povo em beneficio proprio. Todos sao humanos. Essa eh a realidade. O uso do termo "humano" para significar justo, empatico, solidario e respeitoso eh uma falacia, pois o ser humano eh cheio de raivas, odios, preconceitos, vingancas, invejas... Entao, usemos "agir com humanidade" ou ser "humano" para indicar toda a condicao humana. Senao, corremos o risco de cair no erro de ensinar aos nossos filhos que ha no mundo pessoas que nunca cometem erro, e essas sim sao "humanas"!
E como disse Jesus: "quem nao tiver pecado algum, que atire a primeira pedra!"
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Medos e cuidados e culpas...
Durante os 4 anos e 8 meses do Kiyo, eu posso dizer que estou ainda aprendendo a lidar com esse tsunami emocional que toma conta de mim quando o Kiyo se machuca, fica doente, ou simplesmente estah tristinho sem motivo aparente. Depois do episodio que nos levou para o hospital (esse aqui), eu achei que estava dando conta desses sustos maternos. Teve um dia que o Kiyo caiu e bateu a cabeca, e eu dei conta do recado de forma bem legal e tranquila. Teve outra vez que (quando o Jeff foi parar no hospital) o Kiyo passou mal e vomitou jatos. Eu estava sozinha e consegui dar conta tambem. Logico que fiquei com medo, assustada e preocupadissima, mas na pratica eu dei conta do recado. Tudo ia muito bem quando de repente...
Ha uns 15 dias atras estavamos todos em casa. Era feriado do Martin Luther King Jr, mas Jeff e eu estavamos finalizando algumas atividades academicas. Kiyo, como sempre, correndo pra cima e pra baixo, falando sem parar... Ele escutou a vizinha do andar de cima saindo de casa e disse: "Mamae, eu vou dar oi pra Joanna". Eu disse que tudo bem, mas que era para ele voltar logo e nao ficar andando pra cima e pra baixo. *Nos nao somos aqueles pais super protetores que nao deixam o filho dar um passo sozinho. Kiyo aprendeu desde cedo que nao pode ir na rua sozinho e nao pode sair de perto da gente em locais publicos. Fora alguns episodios de se "perder" em lojas (porque estah brincando e se distrai), nunca tivemos problemas quanto a isso. Se ele queria andar de bike, nao viamos mal algum em deixa-lo andar na varanda do predio enquanto eu fazia janta. Ou se ele pedia para conversar com uma vizinha, nao viamos problema em deixa-lo a vontade.*
Ele foi ateh a porta do apartamento dela e ficou um tempinho conversando com a vizinha. De repente escutamos um barulho horrivel que tremeu o predio todo. A vizinha deu um grito. Jeff saiu correndo e eu senti aquele buraco no meu coracao se abrindo. Corri pra fora. O Kiyo estava bem. Nao tinha sido nada com ele. A outra vizinha havia torcido o peh e caiu de cara no pavimento. Depois que tudo passou, fiquei me sentindo horrivel pela cara de alivio que devo ter feito ao constatar que nao era o Kiyo que havia despencado da escada ou (pior) do segundo andar. Fiquei tremendo por um bom tempo. Pensei, e se o Kiyo tivesse caido? O que a gente faria??? Gracas a Deus que nao foi e que a vizinha que caiu nao se machucou muito seriamente.
Depois de 15 dias, quando eu me lembro daquele barulho horrivel, abre em meu coracao aquele buraco novamente. Uma angustia tsunamica me domina e eu soh consigo abracar o Kiyo e dizer que o amo. Nao preciso nem dizer que depois dessa nao deixamos o Kiyo ir na varanda sem estar monitorado. Nao viamos mal algum antes, mas percebemos que o perigo eh maior do que a gente imaginava. Ele eh um menino aventureiro e cheio de energia. Ele adora subir nas coisas, pular e tal. Ainda nao tem discernimento para diferenciar um lugar perigoso de outro que nao seja. Os vizinhos aqui sao muito legais. Talvez por isso que eramos tao tranquilos com deixar o Kiyo brincar na varanda e ficar apenas com os ouvidos atentos. No entanto, percebemos que eh importante manter os olhos atentos quando se tem um menininho serelepe por volta.
Nao sei porque o buraco insiste em se alojar dentro de mim cada vez que lembro do incidente com a vizinha. Nada aconteceu com o Kiyo. Ele estah lah inteirinho dormindo no quarto com o Jeff, e meu coracao (soh de lembrar disso) jah estah miudo. Acho que esse buraco tem a ver com a sensacao de culpa que me abateu na hora que ouvi o tombo da vizinha. Se tivesse sido o Kiyo, a culpa seria toda minha e do Jeff por nao estar com ele, cuidando para que nao houvessem perigos eminentes. Logico que a nossa presenca nao diminui em nada as chances dele se machucar mais seriamente. Afinal de contas, criancas sao criancas.
A mim, como mae, resta apenas cuidar. Cuidar para nao me paralizar pelo medo. Preciso cuidar para que situacoes como essa nao diminuam a minha certeza de ser a melhor mae que o Kiyo poderia ter. E cuidar principalmente para nao permitir que o meu medo e sentimento de culpa sejam agentes podadores da liberdade e autenticidade do Kiyo.
E quando esse buraco aparecer novamente ardendo dentro do meu peito, que eu consiga transforma-lo em forca para dissipar o medo daquilo que nem aconteceu.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Educar eh uma arte...
Antes de engravidar, eu tinha uma ideia fixa sobre a educacao de filhos. Nunca gostei de apanhar, e nunca achei que as poucas vezes que apanhei na vida foram realmente "merecidas". Ainda assim eu acreditava na velha historia falaciosa de que "algumas criancas precisam apanhar e ateh pedem para isso" e que "uma palmada bem dada pode ajudar a moldar o carater da crianca, ensinando-lhe o certo do errado". Assim, quando eu via uma crianca se comportando mal na rua, achava o cumulo que os pais nao fizessem nada "mais fisico" para conter o tal "pestinha".
Ainda penso que a culpa por filhos indisciplinados e sem limites eh dos pais. As criancas vao refletir na rua aquilo que vivem em casa. E se em casa a indisciplina e a falta de limites correm soltas; se em casa elas podem tudo porque os pais "nao tem tempo" para dar-lhes a atencao que precisam ou se em casa quem cuida delas nao tem a autoridade de disciplinar e moldar um comportamento inadequado, fora dela a coisa nao vai ser diferente. No entanto agora como mae e educadora nao consigo imaginar que o uso de forca fisica seja justificado em momento algum, com crianca alguma.
Quando o Kiyo nasceu, tanto eu quanto o Jeff assumimos 100% a educacao dele. Por 3 anos e alguns meses, nao terceirizamos nada que fosse relacionado ao Kiyo. Tinhamos sim apoio, mas ninguem alem de nos dois tomava as decisoes. E se alguem tentasse passar por cima do que tinhamos estipulado, podia preparar bem os ouvidos... Ainda nao terceirizamos a educacao dele. Ele agora vai pra escola e tem outras pessoas dando exemplos para ele. No entanto, tenho certeza de que nosso exemplo segue firme e forte.
Em relacao a disciplina, Jeff e eu tivemos nossas diferencas na forma de agir e ateh que ponto uma atitude era ou nao adequada. No entanto, conseguimos depois de muito dialogo chegar num denominador comum. Nos decidimos que bater nao eh a saida, e muito menos eh uma opcao consciente. Bater nao eh (no nosso ver) disciplinar. Bater eh um ato de violencia, resultado de uma tentativa frustrada de tomar as redeas de uma situacao que jah degringolou faz tempo. Explico (ao menos) o meu ponto de vista:
Quando penso em uma situacao onde o pai ou mae recorre a tal "palmada" para corrigir o filho, nao consigo imaginar (nem lembrar) esse pai (adulto) calmamente falando pro filho: "bom, voce fez isso de errado. Agora voce vai apanhar para aprender que nao eh assim que se deve agir." Normalmente a acao de bater vem regada de emocoes nada salutares: ira, raiva, frustracao. Essas sensacoes sao bastante naturais. Somos seres-humanos, e eh natural que sintamos essas coisas. No entanto, como seres racionais, nos conseguimos controlar essa emocao negativa e canaliza-la para obter um resultado positivo. Isso leva tempo, determinacao e muita paciencia. Mas e quem falou que ser mae ou pai eh facil???
"Ah, mas voce vai criar uma crianca sem limites! A culpa vai ser sua por nao ter disciplinado seu filho!". Concordo com a segunda parte da acusacao, mas nao acredito que a surra, palmada ou qualquer tipo de violencia fisica seja o meio para que meu (ou o seu) filho aprendam limites. A culpa da indisciplina dos filhos eh dos pais sim. No entanto, bater neles nao garante filhos disciplinados. Usar a forca fisica pode ensina-los a temer os pais a ponto de nao sentir-se confortavel para compartilhar suas duvidas, frustracoes, alegrias e vitorias. Pode tambem ensinar que a violencia eh a moeda de troca sempre. E que bater em alguem mais fraco eh OK se esse alguem lhe frustrar ou enfrentar sua "autoridade". Pode causar feridas tao profundas que nem mesmo eles (os filhos) vao entende-las ou reconhece-las. Eles podem, como na maioria das vezes acontece, superar tudo e crescer sem "grandes traumas", podem ateh sobreviver a experiencia, e podem inclusive acreditar que realmente mereceram todas as vezes que apanharam. No entanto, qual eh a nossa funcao como pais? Nao eh a de dar o melhor exemplo que pudermos? Nao eh a de guiar nossos filhos para que possam ser no futuro homens e mulheres de bem? Como eh que isso funciona se a usarmos a violencia toda vez que o nosso filho nos desobedecer?
A alternativa a palmada como uma das formas de educar uma crianca eh a presenca constante, consistencia, o respeito e muita paciencia. Eh colocar os limites atraves de exemplos praticos na nossa propria vida. Eu aprendi muito mais com meu pai e minha mae atraves dos exemplos que eles me deram. Exemplos de como devemos tratar os outros. O que eh certo e errado. O que eh etico e o que nao pode ser aceitado (nem quando ninguem estah olhando).
Kiyo, hoje com 4 anos e 8 meses, tem seus rompantes de "rebeldia". Hoje, como estah mais falante e indagador, conseguimos dialogar mais. Eh dificil disciplinar um menino com vontade propria que sabe o seu valor no mundo que vive. Seria muito mais facil dar um "cala-te boca" e dizer "eh assim por que eu estou dizendo que eh". No entanto, nao eh verdade. Explicamos para ele os porques da melhor forma que sabemos. Demonstramos respeito a sua frustracao momentanea, sem ceder quando nao eh possivel. As vezes, temos que analisar a situacao novamente, e num ambiente de respeito mutuo, nao temos vergonha de dizer que erramos. Ele nao confia menos na gente por isso. Acho que isso gera uma cumplicidade humana entre nos. Ele nao nos endeusa como pais, mas sabe que pode contar conosco sempre.
E, como era de se esperar, quando Kiyo encontra-se em situacoes onde nossas "regras" sao colocadas a prova, ele demonstra o que ele realmente aprendeu. Quando ele estah sozinho com outras pessoas e teoricamente poderia ateh "desobedecer" uma regra estabelecida por nos, ele mesmo as impoe corrigindo os outros se for preciso.
Nao, nao somos exemplos de pais perfeitos que acertam sempre. Jah agimos de forma arbitraria com o Kiyo. Jah falamos "eh por que eh". No entanto, dentro da nossa dinamica familiar ha espaco para admitir o erro e assim crescer com o aprendizado que esse erro gerou, transformando maldicao em bencao.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Mr. Independent!!!
Jah faz algum tempo que o Kiyo nao quer ajuda para tomar banho, escovar os dentes e colocar a roupa. No entanto, algumas coisas a gente ainda faz mesmo sob protesto. Esses dias, Kiyo estava no banho com a porta do box fechada. Silencio no banheiro significa alerta aqui em casa. Entao, Jeff foi investigar a razao do silencio absoluto no banheiro.
- Kiyo, o que voce estah fazendo aih? - Jeff perguntou ao entrar no banheiro.
E foi surpreendido pela carinha seria e compenetrada do Kiyo ao abrir a porta do box. Kiyo estava com toda sua atencao voltada a "operacao lavar cabelo". Com a cabeca espumada de shampoo, ele olhou serio para o pai e respondeu:
-Estou lavando a cabeca!
E no mesmo folego e expressao facial: - Eu sou grande! Eu jah tenho 4 anos!
E assim, fechou a porta e prosseguiu com o banho.
- Kiyo, o que voce estah fazendo aih? - Jeff perguntou ao entrar no banheiro.
E foi surpreendido pela carinha seria e compenetrada do Kiyo ao abrir a porta do box. Kiyo estava com toda sua atencao voltada a "operacao lavar cabelo". Com a cabeca espumada de shampoo, ele olhou serio para o pai e respondeu:
-Estou lavando a cabeca!
E no mesmo folego e expressao facial: - Eu sou grande! Eu jah tenho 4 anos!
E assim, fechou a porta e prosseguiu com o banho.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Jesus e a percepcao do Kiyo...
Desde que o Kiyo nasceu, ou ateh bem antes disso, jah nao tinhamos uma instituicao religiosa a qual participar. Isso em momento algum impediu dele expressar o que pensa sobre Deus, Jesus, feh e ateh mesmo igreja. Como somos Cristaos e temos certeza de nossa feh, nao sentimos a necessidade de um predio, uma estrutura burocratica e tao pouco corrompida (como muitas instituicoes religiosas que conhecemos) para expressar nosso amor e nossa feh em Cristo.
O Kiyo, por si soh, comecou a pedir para ir a igreja. Acho que a primeira razao foi pelo simples prazer de ter um grupo de criancas para brincar. Hoje ele faz sua oracao por conta, antes de irmos dormir. Ele agradece por tudo desde papai e mamae ateh a porta, a arvore, a comida...
Ele perguntou onde estava Jesus, e eu respondi que Jesus mora no nosso coracao. Ele perguntou se Jesus era bem pequenininho por conta disso. E esses dias ele estava brincando de pular do sofah para um banquinho estrategicamente colocado para poder pular no trampolim. Ficava indo e vindo ateh que errou o pulo, caiu e bateu o peito no aro que monta o trampolim. Chorou um pouco, obviamente, e entao olhou pro Jeff com uma carinha preocupada. Jeff perguntou se ele estava bem e ouviu a resposta:
"Daddy, I squished Jesus!" (Papai, eu amassei Jesus!)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Brother Jack
Kiyo tem uma imaginacao bem grande. Ele cria situacoes entre seus carrinhos de brinquedo, entre os dinossauros, entre os bichos... Ele inventa musicas, conta historias mirabolantes. Seus personagens tem nomes bem exoticos e outros nem tanto.
Antes de dormir, toda noite, ele pede por uma historia. E ultimamente, as historias prontas nos varios livros que temos em casa jah nao sao suficiente. Ele quer que eu crie historias e mais historias com personagens variados, assim na lata. A unica coisa ruim sobre isso eh que me falta historia para inventar e ele vai enrolando e aumentando a trama. De repente a historinha que comecou com os coleguinhas da escola dele, jah virou uma batalha inter-galactica de monstros com varios tentaculos. Procuramos incentivar ao maximo essa imaginacao fertil do Kiyo, mas devo confessar que tem horas que dah uma canseira...
Ultimamente, seu "personagem" favorito eh um companheiro invisivel que ele nos apresentou por "my Brother Jack". E todo dia de manha ele vem com uma aventura nova do Brother Jack.
"Mamae, did you know that my Brother Jack lives in a rocket-ship?" (Mamae, voce sabia que meu irmao Jack mora em um foguete?).
"Eh mesmo, Kiyo? E como ele eh?"
"He has green eyes and red hair, and he eats ice cream and chocolate milk!" (Ele tem olhos verdes e cabelo vermelho, e toma sorvete e leite com chocolate!)
As aventuras do Brother Jack viraram rotina em casa. Um dia desses resolvi perguntar: "Kiyo, quem eh a mamae do Brother Jack?" Ele respondeu um nome que claramente nao era o meu. Perguntei quem era o papai do Jack, e a resposta tambem passou longe do nome do Jeff. De qualquer forma, Kiyo parece estar satisfeito com o fato de que o seu "Brother Jack" compartilha o foguete com ele. Teve um dia que ele acordou e disse: "Mamae, my Brother Jack was fixing my rocket for THREE DAYS!" E aparentemente, o Brother Jack quer me conhecer. (hehehe).
Depois de ouvir falar tanto do Brother Jack, lembrei do meu amigo imaginario, com quem eu passava horas e horas brincando, trocando confidencias e inventando mil e uma coisas.
Eu acho que eh muito importante permitir que a crianca de asas a imaginacao. Tenho certeza que essas brincadeiras, que para muitos adultos soam bobinhas e inocuas, sao fundamentais para o desenvolvimento do cerebro dos pequenos. Esse estimulo os ajuda a resolver situacoes complicadas, conflitos e a lidar com perdas, saudades e outras peculiaridades no decorrer da vida.
Estou muito feliz em perceber a habilidade do Kiyo em inventar suas proprias historias com personagens variados. Percebo nele uma flexibilidade intelectual muito grande, e uma facilidade em encontrar saidas para suas proprias crises. E nao eh nenhuma surpresa para nos quando ele oferece uma solucao para alguma "crise" que temos em casa. Eh muito bom saber que meu pequeno pensa e consegue articular muito claramente.
Beijos
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